Carol Morreu - A procura de Jah no show do Natiruts
Por Felipe Ricotta
Postado em 01 de fevereiro de 2005
Natiruts. Rio. Fundição Progresso.
"Aí, normalmente em shows de reggae a galera fala muito num tal de Jah. Quem é Jah?"
"Um Deus. Eles creem em Jah."
"Eles quem? As pessoas que tem Dreads no cabelo?"
"É."
"Ah, saquei."
(...)
"Olha que louco. O joelho aqui no Bar antes do show custa R$1,50 e depois do show custa R$2,00."
A outra metade dos Irmãos Brothers me deu o toque e, apesar das Positive Vibrations e da Presença de Jah, era minha obrigação averiguar essa falta de consideração com o consumidor.
Meu surto Jornalismo Denúncia foi inevitável.
"Mas vem cá, amigo? Que história é essa? Isso é só porque é show do Natiruts? Quer dizer que vocês se aproveitam da larica da galera pra faturar em cima, é isso?"
Encurralado, o vendedor preferiu não comentar sobre o assunto e ficou putaço comigo.
"É a Mais-Valia da larica!" - comentou uma garota que ficou chocada com o fato de existir alguém lucrando com a larica alheia.
(...)
Nosso amigo Kevin Bacon Cover se juntou a nós lá dentro trazendo consigo os Banzos Estragadores da Noite.
E na sua primeira experiência como repórter ricótico, mandou mal e foi completamente ignorado pelo grupo de mulheres que não sabiam quem era Jah.
"Entrevista, é? Pra onde?" - ela duvidou.
"Err...(pra onde é mesmo, cara?)" - ele travou, se virou pra me perguntar e simplesmente destruiu qualquer possibilidade delas acreditarem na gente.
O mais legal são essas mocréias que acham que a gente inventa essa história de entrevista pra chegar nelas.
(...)
Quatro patys aparentemente bêbadas? É lógico que eu fui lá e tenho que assumir que tenho essa maldita queda por patys sim, e daí?
"Dá licença. Eu estou escrevendo sobre o show, posso pegar um depoimento de vocês?"
Uma delas tava com muita vontade de falar e botou pra fora toda sua mágoa.
"Todo mundo vem de rasteira aqui. Eu gosto de salto e estou me sentindo discriminada. As pessoas me olham como se eu fosse uma piranha só porque gosto de usar saia curta." - e se corrigiu logo depois - "Na verdade, o que acontece é que os caras ficam com vontade de comer a gente e essas garotas aí são todas umas invejosas."
"Pô, mas você tem até piercing, fala sério..." - eu tentei ajudar.
Todas elas usavam micro saias e começamos a discutir sobre a Questão Calcinha.
"Olha, eu tenho que confessar. Acho lindo mulher de saia curta, mas ruim é quando tua garota tá com uma, aí ela cruza as pernas e os marmanjos ficam tudo manjando a calcinha dela. Isso me incomoda profundamente."
Elas me ajudaram a resolver minha nóia.
"Pô, cara. Mas você tem que virar pro maluco e mandar a real logo. PODE OLHAR, CARA! ELA É MINHA, SOU EU QUE LEVO ELA PRA CASA."
"Uma bolsa na frente pode resolver também."
"Podecrer, eu vou me esforçar pra abstrair. Cara, você parece muito com a Xuxa. Você é parente dela?"
(...)
"Beleza, maluco? Pô, tu não é aquele cara que pegava minha irmã mó tempão atrás?"
"Shhh. Fala baixo, cara, que minha namorada tá aí."
"Podecrer. Então, eu tô escrevendo sobre o show, você pode me dar um depoimento?"
"Lógico."
"E aí? Como foi pegar minha irmã?"
"Ah, foi maneiro."
(...)
"Vocês usam drogas?"
Os Bobs estavam apertando Dois Mega Baseados e me responderam numa boa.
"Maconha não é droga, mas eu uso álcool e cigarro."
"E quem é esse tal de Jah?"
"Jah é Deus. A representação de todas as forças."
"Na nossa linguagem é Deus mas em Inglês é God. Na Jamaica, assim como na Holanda, as pessoas tem uma flexibilidade...e pô. Você vai deixar uma planta ser extinta? Isso aqui é um movimento paralelo ao Greenpeace! ahahahahahah!"
"?!" - será que Jah era tão louco assim?
(...)
Mais um grupo de garotas loucas cruzaram o meu caminho.
"A gente odeia Natiruts. Viemos porque entramos de graça."
"Saquei. E Jah? Vocês conhecem?"
"Jar Jar? Aquele de Star Wars?"
"Desculpa a minha irmã, viu? Ela é muito maneira, mas é burra, tem chulé e beija mal ainda por cima."
"Tranquilo. Mas eu tenho que confessar que enquanto ela falava, eu me perdi dentro do decote dela."
"E não é silicone!"
"Minha irmã tem inveja porque ela tem os peitos caídos."
Após ter que escutar que não tinha bunda, fui embora completamente desmoralizado.
"Eu não tenho bunda, mas meus olhos são bonitos, falou?"
(...)
Engraçado é que tem uns caras que acham que é só tirar a camisa e pronto, vão beijar na boca. O cara passava completamente torto, mas com as bombas no corpo todas contraídas e encarava as mulheres que passavam com uma estragada cara sensual de fome.
Essas horas, não tem como não refletir sobre a imbecilidade humana e concluir que o mundo precisa cada vez mais de nós, as pessoas bacanas.
Senão quem pra guiar essa massa cada vez mais perdida?
Aguardem as Aventuras de Ricotta numa Micareta.
Carol Morreu
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