De RPM a Madonna: os álbuns que encalharam nas lojas brasileiras, segundo varejista
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de março de 2026
O sucesso de um disco nem sempre era imediato nos anos 1980. Muitas vezes, álbuns que mais tarde se tornariam clássicos começaram com vendas fracas nas lojas, até que alguma música ganhasse espaço no rádio, na televisão ou em trilhas de novelas. Essa é a lembrança do ex-varejista Maurício Valente, que chegou a ter 33 lojas de discos no Rio de Janeiro e participou de perto da dinâmica do mercado fonográfico na época do vinil. Em entrevista ao podcast Papo com Clê ele explicou que, na prática, o destino de um álbum podia mudar completamente dependendo de qual faixa era trabalhada pelas gravadoras.

Segundo Valente, os vendedores recebiam orientações sobre qual música deveria impulsionar determinado lançamento, mas nem sempre a aposta funcionava. Em alguns casos, lojistas e distribuidores acabavam sugerindo mudanças. "Às vezes a gente dava até umas dicas também: troca a música. Porque a gente estava na ponta do consumidor", afirmou. Quando a faixa certa finalmente ganhava exposição, o efeito nas vendas podia ser imediato.
Um dos casos mais curiosos lembrados por ele envolve o RPM. Valente contou que chegou a comprar uma grande quantidade do disco da banda, que simplesmente não saía das prateleiras. "Eu comprei RPM… aquele ficou encalhado na rampa da distribuidora. Essa [coisa] não vendia", recordou. A situação mudou de repente quando a música "London London" foi exibida no programa Fantástico. A partir daquele momento, segundo ele, os discos desapareceram rapidamente das lojas: "Sumiu tudo aquilo. Vendeu pra caramba".
Outro exemplo citado é o álbum "Descobridor dos Sete Mares", de Tim Maia. Valente afirma que o disco inicialmente teve desempenho fraco no comércio, mesmo com o prestígio do cantor. A virada aconteceu quando a faixa "Me Dê Motivo" entrou na trilha de uma novela, impulsionando as vendas de forma explosiva. "Não tinha disco na praça", lembrou, referindo-se ao momento em que a procura superou rapidamente o estoque disponível.
O varejista também destacou que nem artistas internacionais gigantes escapavam desse tipo de situação. Ele lembra que o álbum "Bad", de Michael Jackson, teve um começo surpreendentemente morno nas lojas brasileiras. Segundo Valente, os comerciantes compraram grandes quantidades esperando repetir o fenômeno do disco anterior, mas a resposta inicial foi menor. "Compraram pra caramba o Bad… e nada", disse. Para ele, a explicação era simples: o álbum chegou logo depois do monumental sucesso de "Thriller", que havia elevado as expectativas a um nível quase impossível de repetir.
Outro caso citado foi o de Madonna. Após o sucesso gigantesco de "Like a Virgin", o disco seguinte - que ele lembra como "aquele de capinha azul", numa referência ao álbum "True Blue" - também enfrentou dificuldades iniciais nas lojas. "Aquele encalhou feio", afirmou, lembrando que mesmo artistas em alta podiam enfrentar um começo lento no mercado.
Valente explica que o funcionamento do mercado naquela época também ajudava a reduzir prejuízos para lojistas e distribuidores. As gravadoras ofereciam uma cota de devolução, permitindo que parte dos discos encalhados fosse retornada periodicamente. Com isso, mesmo quando um lançamento não vendia bem, os comerciantes conseguiam ajustar o estoque ou baixar os preços para liberar espaço nas prateleiras. Ainda assim, a experiência ensinava que o destino de um disco podia mudar completamente de um momento para outro - bastava a música certa tocar no lugar certo.
Confira a entrevista completa abaixo.
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