Gene Simmons relembra filme do Kiss; "A gente não tinha a menor ideia do que estava fazendo"
Por Bruce William
Postado em 15 de março de 2026
Gene Simmons voltou a falar sobre Kiss Meets the Phantom of the Park, telefilme de 1978 produzido pela Hanna-Barbera e exibido na NBC, em que o KISS aparece como "eles mesmos" num parque de diversões, com direito a superpoderes, robôs e vilão de laboratório. A lembrança dele, transcrita pela Blabbermouth, traz uma mistura de vergonha alheia com carinho, algo que só dá pra ter décadas depois.
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Ele começa situando o motivo de o filme ter existido: naquele período, segundo Simmons, a indústria queria qualquer coisa que pudesse grudar na marca KISS. Desenho animado, filme, produto… tudo. A banda, então, fechou numa ideia que ele próprio chama de meio boba quando se olha hoje: um parque temático com "monstros" e versões falsas do KISS, tipo autômatos que ganham vida.
"Todo tipo de gente queria que a gente fizesse um filme, porque o KISS era a maior banda do mundo… por três anos seguidos: '77, '78 e '79. Então, obviamente, vieram os desenhos e os filmes - a indústria quer aproveitar a popularidade de alguém. E a gente ficou com essa ideia, que é meio boba quando você pensa. (…) Esse era o gancho. E, claro, tem KISS falsos no filme, que são autômatos que ganham vida."
A parte mais boa do relato vem quando ele descreve a sensação de estar atuando sem ter a menor noção do que era "atuar". Simmons diz que foi divertido, mas que eles estavam completamente perdidos no set - e o diretor, Gordon Hessler, tentava conduzir aquilo com uma delicadeza quase pedagógica: "Foi divertido. A gente não tinha a menor ideia do que estava fazendo. (…) Ele vinha até a gente depois de uma cena e dizia: 'Você gostou disso?' Ele era muito inglês. E a gente ficava tipo: 'Ah… sim. A gente estava esperando que você dissesse isso pra gente.' (…) 'Muito bom, muito bom. Você gostaria de fazer mais uma?' (…) 'Você gostou disso?' (…) Pra gente, a gente podia estar horrível, mas ele fazia tudo descer um pouco mais fácil."
Pra contextualizar o tamanho do folclore em volta do telefilme, vamos lembrar que Ace Frehley já disse que se divertiu bastante no período, especialmente por poder "andar" pelo Magic Mountain fora do horário, e que ele acha o filme histérico e assumidamente camp, enquanto Gene e Paul Stanley já foram mais ácidos com o resultado em outras ocasiões.
Também existe a frase que resume como esse filme ficou no imaginário do próprio Simmons, dita anos depois em um programa do VH1: ele chamou a produção de "clássico"… com uma condição bem específica. "É um filme clássico - se você estiver drogado."
O que faz essa história sobreviver não é o telefilme em si, e sim o retrato que Gene pinta: o KISS no auge, sendo puxado pela indústria pra virar "tudo ao mesmo tempo", e aprendendo na marra que tocar ao vivo não te prepara necessariamente pra ouvir um diretor perguntar, com toda a calma do mundo: "você gostou disso?".
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