Iron Maiden: Respondendo aos que achavam que a banda estava morta
Resenha - Book Of Souls - Iron Maiden
Por Luiz Felipe Lima
Postado em 02 de outubro de 2015
Nota: 8 ![]()
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Quando este disco foi anunciado, muita gente foi pega de surpresa. Oras, tudo indicava que The Final Frontier seria o último trabalho da banda, e a ausência de qualquer anúncio oficial nos últimos anos apenas corroborava tal ideia. Mas estamos falando do Iron Maiden, então surpresa pouca é bobagem: não só veio um disco novo, como ele é duplo!
Matéria originalmente publicada no site DELFOS
http://delfos.net.br
E eu, assim como grande parte dos fãs da banda, fiquei com os dois pés atrás com esta notícia. Como se não bastassem os álbuns anteriores terem músicas de oito, nove, e 10 minutos, The Book of Souls tem uma de fuckin' 18 minutos, e tudo indicava que este seria um disco ainda mais prog do que os últimos trabalhos da Donzela. Bem, me alivia dizer não é exatamente assim. The Book of Souls até tem seus momentos progressivos, mas brilha ao revisitar tudo o que a banda já construiu em seus trabalhos anteriores.
WAITING IN LINE FOR THE ENDING OF TIME
O que mais me surpreendeu em The Book of Souls foi ser um álbum menos focado em experimentalismo. Ainda que ele conte com músicas longas, todas apresentam elementos recorrentes na discografia da banda, como cavalgadas, riffs e dobras de guitarra com o estilo já eternizado pelo Maiden. Isso faz com que a audição flua de maneira muito melhor do que em álbuns como A Matter Of Life And Death, que, apesar de bons, soavam completamente diferente do que tornou a Donzela tão querida.
Quanto aos pontos fracos, eu destaco principalmente a performance de Bruce Dickinson. Apesar de afinado como sempre, as linhas vocais em The Book of Souls estão pouco inspiradas, fazendo com que as músicas percam muito de seu apelo. Em boa parte do álbum, as melodias de Dickinson basicamente repetem o que a base ou uma outra guitarra já está fazendo, deixando tudo muito burocrático. Assim, ainda que algumas músicas se destaquem, poucas criam a mesma empolgação que (para ficar apenas em músicas recentes) The Wicker Man ou El Dorado.
THE SEARCH FOR TRUTH, THE BOOK OF SOULS
O disco começa com uma das melhores do álbum, If Eternity Should Fail. Não só a introdução recitada já lembra a do disco Seventh Son of a Seventh Son, como o resto todo mantém o clima denso daquele álbum. Em seguida vem Speed of Light, que é bastante direta e bebe da fonte de músicas como Running Free, Another Life e Sanctuary. Ressalto aqui o quanto o clipe da música – uma homenagem aos videogames - está sensacional, apesar de eu saber que, a essa altura, você já o viu.
A terceira faixa é The Great Unknown, que, ainda que seja pesada e bem estruturada, possui uma linha vocal extremamente repetitiva, o que acaba tornando a audição maçante. Felizmente, as coisas melhoram com The Red And The Black, cujas dobras de guitarra e vocal durante os versos lembram de cara a música Dance of Death. Ela também conta com os já clássicos coros da banda e com uma seção instrumental entre os nove e 13 minutos simplesmente sensacional, que figura entre os melhores momentos do disco.
When The River Runs Deep começa com um riff bastante parecido com o de Moonchild, mas, com solos e refrão exóticos, desemboca em algo mais próximo do disco Brave New World. Em seguida vem a faixa-título, que é bastante tensa e soturna, e que surpreende pelo trecho cavalgado no meio que vai fazer a alegria dos fãs do Powerslave. Dada a estrutura consistente e um dos poucos momentos em que Bruce se sobressai, essa foi para mim a melhor de todo o trabalho, e fecha o primeiro disco com louvor.
TOMORROW COMES, TOMORROW GOES, BUT THE CLOWN REMAINS THE SAME
O segundo disco é aberto com Death Or Glory, cuja abertura cavalgada já mostra que estamos falando de uma música rápida, simples e direta. O refrão, bastante direto, pode soar simplório para alguns, mas não compromete a qualidade geral. Após ela vem Shadows of The Valley, que começa com um riff completamente inspirado em Wasted Years e é tão direta e competente quanto a faixa anterior. O único problema, para mim, é o interlúdio que aparece ao longo da música ser repetido tantas vezes, pois ele é bastante fraco.
Dando continuidade vem Tears of a Clown, que lembra o clima de Coming Home. Ela é até bastante pesada, com riff quebrado e tudo mais, mas sinto que seria melhor se seguisse a linha "balada" de Infinite Dreams e da já citada Coming Home. O disco se segue com The Man Of Sorrows, que muda tantas vezes - e de maneira tão brusca - que acaba tornando-a inconsistente. Isso, somado ao refrão esquecível, acaba tornando-a a pior do disco. Isso sem falar que o próprio Bruce Dickinson tem uma canção com o mesmo nome.
E, finalmente, chegamos à tão falada música de 18 minutos Empire Of The Clouds.
THE FURY YET TO COME...
Empire Of The Clouds é uma composição curiosa. Ainda que 18 minutos pareçam muito tempo, a verdade é que ela é tão bela que você não sente o tempo passar. Porém, eu entendo que ela se beneficiaria se não tivesse um instrumental tão prolixo. Ela funciona tão bem na maior parte do tempo que simplesmente não precisa das muitas variações presentes - variações que, se fossem tiradas, deixariam a música melhor e com uns dois ou três minutos a menos.
Por fim, destaco que essa é a música em que Bruce está melhor. A sua performance excelente acaba contrastando com o desempenho regular/bom das outras faixas, e é curioso ver como o Mr. Air Raid Siren teve uma performance tão boa e outras tão fracas no mesmo disco. É nessa faixa que vemos Dickinson mostrando que ainda tem muita lenha para queimar e que sabe como entregar músicas belíssimas. Só sinto pena por saber que provavelmente a banda nunca tocará essa faixa ao vivo.
HUMANITY WON'T SAVE US AT THE SPEED OF LIGHT
O saldo final do disco é muito bom. A qualidade das músicas, de maneira geral, é excelente, e mostra que a banda ainda pode render ótimos frutos. Se ele fosse menor e contasse com uma performance mais empolgante de Bruce, com certeza figuraria no Top 5 de discos do Maiden com Dickinson, mas ainda assim se mantém como o melhor trabalho da banda desde Brave New World. Um belo disco, que merece ser ouvido.
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