O último grito na Fundição Progresso: Planet Hemp e o barulho que vira eternidade
Resenha - Planet Hemp (Fundição Progresso, Rio de Janeiro, 13/12/2025)
Por Gabriel von Borell
Postado em 23 de dezembro de 2025
Na noite de 13 de dezembro de 2025, a Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, não foi apenas um palco: virou trincheira, terreiro, despedida e celebração. O Planet Hemp encerrou sua carreira ali como sempre viveu, de forma indomável. As paredes de ferro da Lapa pareciam suar lembranças enquanto o público, espremido em corpos e memórias, cantava como quem não quer deixar acabar.
Fotos: Assessoria 30e - @bmaisca

O show começou em ponto, às 23h30, como um soco e terminou como um abraço coletivo. Entre guitarras potentes, beats pesados e rimas afiadas, o Planet, liderado por Marcelo D2 e BNegão, apostou alto no que sempre fez melhor e transformou barulho em discurso, caos em consciência. Cada música soava como um capítulo de uma longa luta e cada refrão era devolvido pela plateia com a força de quem cresceu junto com a banda.
A recapitulação de sua trajetória era inevitável e tudo estava ali sem precisar de discurso. Desde os anos 1990, quando o Planet Hemp surgiu como um grito atravessado na garganta do Brasil conservador, misturando rap, rock, hardcore e reggae para falar de liberdade, maconha, violência policial e hipocrisia social.

Historicamente, os integrantes foram perseguidos, censurados e até presos, como os vídeos e slides no telão ao fundo do palco nos fizeram lembrar. Incompreendidos eles se tornaram gigantes, abrindo caminhos para o rap nacional e ajudando a moldar uma geração inteira. Ao longo de sua carreira, a banda carioca provou que atitude também é forma de arte.
Na Fundição, 32 anos depois do surgimento do grupo, o tempo se dobrava. As músicas antigas soavam atuais, quase proféticas, lembrando que o país mudou menos do que gostaria de admitir. Ainda assim, havia festa e havia também sorrisos. Existia, acima de tudo, aquela alegria subversiva que sempre acompanhou o Planet Hemp e que resiste aos tempos, não importa o que aconteça.

A noite ganhou contornos ainda mais simbólicos com a chegada de convidados como Black Alien, que apareceu no palco possibilitando que o passado e o presente se dessem as mãos. A presença de Gustavo não era apenas uma participação especial, era um reencontro de almas que ajudaram a escrever essa história tão bonita e caótica.
As rimas de Black Alien, que permaneceu com seus colegas até o final da apresentação, cortaram o ar com elegância e peso, arrancando gritos emocionados de quem sabia que aquilo era mais do que um feat, era uma composição familiar. Também houve homenagens a Skunk,fundador do Planet Hemp que faleceu em 1994 por complicações da AIDS, e Fabio Costa, que viabilizou o primeiro show do Planet Hemp no Garage Art Cult, no início da década de 1990.

Outros convidados, como Daniel Ganjaman, DJ Zegon e Bacalhau, acrescentaram sua própria chama ao incêndio final, que também contou com os músicos Formigão (baixo), Nobru (guitarra), Pedro Garcia (bateria) e um trio de instrumentistas de sopro no centro gravitacional do Planet Hemp, que se despediu sem baixar a cabeça, sem suavizar o discurso, sem pedir licença.
No fim, após duas horas e meia de apresentação acachapante, as últimas notas ecoaram e as luzes se acenderam. Naquele momento, ficou um silêncio estranho, que só aparece depois de algo muito grandioso. A banda pode ter deixado o palco, mas não saiu da história, ficaram as ideias que D2 e companhia plantaram nas mentes que eles ajudaram a despertar para a consciência coletiva.

A Fundição Progresso fechou as portas naquela madrugada, mas do lado de fora o eco ainda vibrava. Porque algumas bandas não terminam, mas viram lenda, e o Planet Hemp se tornou um desses exemplos. Em sua última ponta, o grupo provou que certas revoluções não se despedem, apenas mudam de forma.
Setlist do Planet Hemp na Fundição Progresso (13/12/25):
1. "Dig Dig Dig (Hempa)"
2. "Ex-quadrilha da fumaça"/ "Fazendo a cabeça"
3. "Raprockandrollpsicodeliahardcoreragga"
4. "Distopia"
5. "Taca fogo"
6. "Maryjane"/ "Phunky Buddha"
7. "Planet Hemp"
8. "Legalize já"
9. "Não compre, plante!"
10. "Jardineiro"
11. "Queimando tudo"
12. "Onda forte"
13. "Nunca tenha medo"
14. "Biruta"
15. "Cadê o isqueiro?"/ "Quem tem seda?"/ "Pilotando o bonde da excursão"
16. "Puxa fumo"
17. "Adoled (The Ocean)"
18. "Salve, Kalunga"
19. "Gorilla Grip"
20. "O bicho tá pegando"
21. "Mão na cabeça"
22. "Não vamos desistir"
23. "Stab"
24. "Procedência C.D."
25. "100% Hardcore"/ "Deixa a gira girá"
26. "Zerovinteum"
27. "Hip Hop Rio"
28. "Samba makossa"/ "Monólogo ao pé do ouvido"
29. "A culpa é de quem?"
30. "Contexto"
Bis:
31. "Deisdazseis"
32. "Mantenha o respeito"
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Alissa White-Gluz surpreende ao ser anunciada como nova vocalista do Dragonforce
A frase de Mike Portnoy que ilustra o problema das bandas, segundo Ricardo Confessori
Deep Purple anuncia "Splat!", novo álbum descrito como o mais pesado em muitos anos
As 10 músicas mais emocionantes do Slipknot, segundo a Metal Hammer
Vinheteiro detona Sepultura: "É fezes com sangue oculto. Não consigo reconhecer as notas"
Thiê rebate Dave Mustaine e diz acreditar em sondagem por Pepeu Gomes no Megadeth
A banda de rock nacional dos anos 1990 cujo reconhecimento veio muito tarde
A música do Judas Priest que carrega todos os elementos do metal, segundo K.K. Downing
O presente bizarro que Lzzy Hale recebeu de um casal; "Talvez fosse algum fetiche"
Zakk Wylde anuncia atrações para a edição 2026 do seu festival, Berzerkus
A melhor música do Nightwish, segundo leitores da Metal Hammer
Andria Busic disponibiliza "Life As It Is" e lança videoclipe de "The Templars"
Livro "1994, Um Ano Monstro" descreve uma verdadeira saga para ir ao Monsters Of Rock
O cover gravado pelo Metallica que superou meio bilhão de plays no Spotify
Por que Jimmy London do Matanza não gosta de Megadeth, segundo o próprio
O último grito na Fundição Progresso: Planet Hemp e o barulho que vira eternidade
Maximus Festival: Marilyn Manson, a idade é implacável!
Deicide e Kataklysm: invocando o próprio Satã no meio da pista


