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Iron Maiden: Outra página brilhante de sua inconfundível história

Resenha - Book Of Souls - Iron Maiden

Por David Soares da Costa Oliveira
Postado em 02 de dezembro de 2015

Antes mesmo de começarmos a tratar das faixas do novo album, "The Book Of Souls", uma a uma, vale registra um importante detalhe: o IRON MAIDEN é realmente uma banda fantástica! Uma banda que consegue criar novidades para o ouvinte dentro de um campo musical onde muitos dizem possuir poucas alternativas em termos de criatividade.

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A banda não teme de maneira alguma aderir aos elementos de rock progressivo setentista em seus arranjos. E nada mais justo, já que bandas como Jethro Tull, Yes, Fleetwood Mac, para citar apenas algumas, são seus artistas favoritos desde que, estes hoje coroas, eram adolescentes começando na música.

Aqueles que ainda pensam que o IRON MAIDEN é uma banda limitada tecnicamente, como se fora uma espécie de Ramones do Heavy Metal, por favor, coloquem as barbas de molho... essa ladainha não cola. Temos aqui excelentes músicos e que ao longo de suas carreiras já desenvolveram trabalhos paralelos e/ou pré-Maiden que demonstram suas versatilidades e competências como músicos na acepção da palavra.

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Enfim, amigos. Estamos frente à uma obra de altíssimo respeito e totalmente digna da ímpar história escrita pelo IRON MAIDEN em todos os seus anos de carreira que remontam desde à, hoje cult, demo "The SoundHouse Tapes", lançada em 1979 como o primeiro registro da banda capitaneada de forma brilhante pelo senhor Stephen Percy Harris. Na humilde opinião deste que vos escreve e que acompanha a banda em seus lançamentos e shows desde 1991, este novo registro da Donzela de Ferro é o seu melhor desde o incrível, porém subestimado, "No Prayer For The Dying", de 1990.

O álbum coleciona e apresenta de imediato dois clássicos instantâneos para a eternidade do Maiden ("If Eternity Should Fail" e "The Book Of Souls"), uma faixa épica para entrar no catálogo cult da história da banda ("The Empire Of The Clouds"), faixas que remetem o ouvinte ao clássico Maiden dos anos 80 ("Speed Of Light" e "Death Or Glory"), além de outras que trazem certa surpresa aos fãs por seus arranjos e melodias que fogem do que todos esperam e pregam, arbitrariamente até, como o que deveria ser a fórmula correta e imutável para a banda (além da já citada "Empire Of The Clouds" temos ainda sob essa classificação "Tears Of A Clown" e "The Man Of Sorrows"). Ou seja, com tudo isso o que mais querer de um disco?

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A verdade é que se este "The Book Of Souls" fosse o último álbum de estúdio da história do IRON MAIDEN seria um final em grande estilo e com chave de ouro! O Maiden mostra que sua receita é tentar não se tornar uma caricatura de si próprio e fazer o que gosta sem seguir tendências. Essa estrada tem percalços? Claro! Vide seu fraco último trabalho, por exemplo. Mas esses coroas aqui demonstraram que têm personalidade e estilo para envelhecerem com qualidade, respeito e dignidade...

IF ETERNITY SHOULD FAIL – já estamos acostumados com as introduções das músicas do Iron Maiden. Mas no caso desta, o excesso, e consequentemente seu descarte, não são uma característica.

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A intro prepara o ouvinte para o que vem a seguir, tomado por uma bela atmosfera de suspense na dose certa. O riff que se segue de guitarras dobradas é marcante e a voz de Dickinson se mostra em grande forma por meio de uma harmonia inteligente e grande interpretação. O refrão é o melhor do disco e será sim cantado nas arenas mundo afora. O baixo de Harris galopa como é de sua característica. A condução de Nicko, como de costume, é perfeita. O cara é um metrônomo ambulante!

Uma virada tribal de bateria é seguida por solos precisos, bem acabados e nos lugares certos! E o baixo de Harris se desenvolve em belo fraseado! O próprio dedilhado inserido no final onde Necrópole se apresenta como vindo dos mortos e dizendo que a eternidade nada mais é que, para si, um curto espaço de tempo, cabe com perfeição na canção! A faixa é um clássico instantâneo do grande Maiden! Excepcional abertura!

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SPEED OF LIGHT – música rápida e direta. Há críticos para o primeiro single do disco. Não é um primor! Mas a faixa será bem recebida ao vivo e cabe como abertura de shows também. Refrão grudento!

A banda já fez coisas melhores deste estilo? Claro! Mas a faixa não faz feio e convence muito mais do que outras coisas que ouvimos deles nos últimos anos. Querendo ou não, aqui você vê elementos do Maiden clássico!

THE GREAT UNKNOWN – a faixa começa com uma introdução que provavelmente poderia ter sido deixada de lado. A voz de Dickinson encontra- se brilhante e novamente com uma grande harmonia! O trabalho instrumental é direto e pesado. O refrão aqui não é tão cativante, mas é compensado pelo baixo de Steve Harris e, principalmente, pelo trabalho das guitarras com seus duetos e solos.

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THE RED AND THE BLACK – a faixa começa e se encerra com uma introdução de baixo, ao meu ver, completamente desnecessária. Ao que parece, um baixo acústico.

A banda entra e mostra riffs e dobras de guitarra no estilo do que muito foi feito no Álbum "Dance Of Death" (2003). O primeiro campo harmônico onde Dickinson desfila com sua voz remete à "Rime Of The Ancient Mariner". A Música também apresenta um coro a exemplo de "Heaven Can Wait". A faixa vai crescendo conforme seus minutos passam. O trabalho instrumental é melhor do que nas partes cantadas e Nicko muda o andamento da música algumas vezes transitando de colcheia à semicolcheia com exatidão e inteligência! Os duetos e solos de guitarra são o que de melhor há na faixa. Belíssimo trabalho do trio Murray/Smith/Gers, diga-se.

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WHEN THE RIVER RUNS DEEP – a faixa começa promissora! Mostrando um belo trabalho de guitarra e Dickinson mostrando um fraseado de voz interessante. O instrumental remete à "Man On The Edge", trabalhando no mesmo campo harmônico, porém, o refrão não acompanha com o mesmo sucesso o que foi ouvido até então. A música vai decaindo ao longo de seus 5m33, sendo assim a que menos agradou a este que vos escreve, no conjunto da obra.

THE BOOK OF SOULS – a faixa título é um oásis! Propositalmente ou não, demonstra grande influência da Era Dio no Black Sabbath em seu riff. Teclados preenchem o som com muito bom gosto enquanto Dickinson desfila seu talento vocal e de interpretação! O refrão é maravilhoso! Emocional! Demonstrando um quê de "Chemical Wedding", faixa que Bruce lançou em 1999 em seu disco solo homônimo. Será grande sucesso durante a turnê!

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Aos 5m48 a faixa toma velocidade e demonstra belos solos e uma cozinha que Harris e McBrain fazem como poucos e que deixa o som da banda tão característico! Aqui os fãs também irão se deleitar com as guitarras gêmeas do Maiden alternando com os vocais de Dickinson. A faixa é maravilhosa e vale cada audição!

DEATH OR GLORY – aqui o Maiden faz o seu velho e clássico heavy metal novamente! Faixa rápida, pesada! Com uma introdução que surpreende! Uma bela harmonia de voz, principalmente na ponte para o refrão, o que faz qualquer um querer cantar! Refrão simples, mas marcante! Aqui o ouvinte consegue enxergar o Maiden clássico!

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SHADOWS OF THE VALLEY – a música começa parecidíssima com "Wasted Years", mas logo o ouvinte esquece a faixa de 1986 para se remontar às coisas mais novas que a banda lançou em álbuns como "Brave New World" e "Dance Of Death". Boa faixa, mas fica aquém do que a maioria do disco mostra de bom.

TEARS OF A CLOWN – faixa feita em homenagem à Robin Williams. Aqui sim a banda retoma o excelente caminho do disco novamente!

As inteligentes modulações na parte instrumental chamam atenção da forma que são feitas e mostram que o Maiden não tem qualquer temor do que vão achar deles por flertarem tão de perto com elementos de rock progressivo setentista.

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O baixo de Harris pulsa firme como já fora em "Stranger In A Strange Land"! O refrão diferente chama atenção! Mais uma bela e interessante faixa deste "Book Of Souls"!

THE MAN OF SORROWS – o Maiden nunca foi de baladas... nem de longe é um ponto forte da banda. Porém, Dickinson sabe como construir uma linha de voz e isso funciona muito bem aqui. Logo o ouvinte descobre que a faixa é bem mais que uma balada. A inserção de teclados mais uma vez faz bem. A faixa tem uma característica soturna e melódica de muito bom gosto e apresenta um belo refrão! A faixa passa no teste!

EMPIRE OF THE CLOUDS – a faixa mais longa da carreira da banda (18m02) começa com belas linhas de piano feitas por Dickinson e arranjos de violinos de rara beleza. Quem ouve não diz que é Maiden mesmo quando o vocalista começar a cantar, parecendo mais estar executando uma peça solo. Nicko apresenta uma batida marcial que acaba por compor bem a trilha sonora juntamente com a entrada do baixo inconfundível e de grande bom gosto de Steve Harris e as guitarras que vão aos poucos ganhando espaço. A faixa é bem introspectiva e necessita de várias audições aos desavisados e xiitas.

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Por volta dos 7 minutos, a mesma ganha uma marcação quebrada para introduzir um riff de guitarra demasiadamente repetitivo que vem acompanhado de uma condução cadenciada que depois acelera e dá um toque de elementos celta à faixa para em seguida acompanharmos solos de guitarras, óbvio, sempre de bom gosto. Creio que efetivamente os excessos do Maiden nesse disco se encontram aqui, mesmo assim a música não perde sua beleza por essa tentativa de preciosismo...

A faixa volta a crescer, se tornando interessante e mostrando seu melhor momento a partir dos 12m35 por meio de surpreendentes variações de andamento, instrumental e vocal, seguida de um momento dramático de Dickinson ao piano para preparar assim o ouvinte para seu final extremamente emotivo e épico!

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De qualquer modo a faixa apresenta um Maiden diferente, que no conjunto da obra ainda não havia sido visto, pelo menos não aos ouvidos deste que vos escreve. E isso é bom porque mostra uma banda que tenta se reinventar sem querer forçar a barra. Goste ou não, ache estranha ou não, a faixa é bem orgânica. E se fosse feita por outros vocalistas por aí que costumam sentar ao piano em seus shows, seria muitíssimo elogiada!

"The Book Of Souls" alcança o ápice desta formação da banda. E tem, basicamente, nas figuras de Adrian Smith e Bruce Dickinson, seus grandes mentores! A dupla realmente é brilhante! Sejam criando juntos, sozinhos ou com a cooperação de Steve Harris. Creio eu que o caminho para o sucesso deste surpreendente disco (principalmente considerando a qualidade dos dois últimos em termos de composição) passa pelas mãos da dupla citada.

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Up The Irons!

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