Iron Maiden: o melhor álbum desde o retorno de Bruce e Adrian
Resenha - Book of Souls - Iron Maiden
Por Ricardo Seelig
Postado em 13 de fevereiro de 2016
Décimo-sexto disco do Iron Maiden, "The Book of Souls" é o primeiro álbum duplo de estúdio da banda, e também o registro mais longo da carreira dos ingleses. O trabalho traz onze faixas e foi produzido por Kevin Shirley, o responsável pelos últimos lançamentos do grupo.
"The Book of Souls" é um álbum ousado e totalmente fora da curva do que se esperaria do Iron Maiden, principalmente a essa altura da carreira do sexteto, que está na estrada há quarenta anos - a banda foi formada pelo baixista Steve Harris em 1975. Fora da curva porque traz uma sonoridade renovada e surpreendente, acentuando uma característica que estava cada vez mais evidente nos últimos discos: o mergulho no rock progressivo. Em "The Book of Souls" o Maiden se joga sem medo no prog, e é justamente esse fator que torna o trabalho tão impressionante.
A banda bebe com classe no progressivo e traz para a ordem do dia canções que se desenvolvem em arranjos repletos de camadas, mudanças de andamento constantes e um onipresente requinte instrumental. E aí entra aquela que provavelmente é a jogada de mestre de "The Book of Souls": tudo isso foi gravado ao vivo no estúdio, praticamente sem overdubs. O resultado é uma espontaneidade absolutamente refrescante.
Os mais apressados poderão tomar um susto ao verificar a duração das faixas - as mais curtas ficam nos cinco minutos, enquanto três ultrapassam a barreira dos dez. Mas, quando algo é bom e bem feito, não soa maçante e desnecessário, e isso se verifica de maneira clara em "The Book of Souls".
Os recentes projetos pessoais de Steve Harris e Adrian Smith - British Lion e Primal Rock Rebellion, respectivamente - fizeram bem à banda, oxigenando a sonoridade e renovando a musicalidade do grupo. Há uma divisão muito mais democrática na composição das faixas, com todos colaborando - a exceção de sempre é Nicko McBrain. E aqui um detalhe merece menção: "The Book of Souls" é o primeiro álbum da carreira do Maiden em que Steve não domina esse quesito - no novo disco, Bruce Dickinson é o maestro e está praticamente em pé de igualdade com Harris.
Salta aos ouvidos a inegável qualidade das novas canções. Das onze faixas, praticamente todas se destacam - a única exceção é justamente o primeiro single, a mediana "Speed of Light". Da abertura classuda com "If Eternity Should Fail" ao brilhantismo de "The Red and the Black", do ar épico da faixa-título ao clima meio hard de "Tears of the Clown" (música que homenageia o falecido ator Robin Williams e poderia muito bem estar em "The Chemical Wedding", melhor álbum solo de Bruce), o que se vê é um desfile de ótimas composições como há muito tempo o Iron Maiden não entregava aos seus fãs.
O clímax está na canção que encerra o trabalho, "Empire of the Clouds". Com mais de 18 minutos e composta somente por Dickinson, assemelha-se a uma sinfonia que se desenvolve em movimentos intercalados, culminando em uma longa passagem instrumental que tem o trio de guitarras como protagonista. De cair o queixo, literalmente!
Todos os músicos mantém o alto grau de performance característico, mas três se destacam. Bruce canta com enorme feeling, e a notícia de que o vocalista foi diagnosticado com câncer na língua após a gravação só torna ainda mais impressionante o seu trabalho. Steve Harris é o coração do Iron Maiden, e segue fazendo-o pulsar com o talento de sempre. E, por fim, Adrian Smith brilha de maneira absoluta comandando o trio de guitarras, reafirmando o seu papel como um dos maiores instrumentistas da história do heavy metal.
"The Book of Souls" é um disco impressionante. Um álbum totalmente fora das expectativas daquilo que o Iron Maiden lançaria a esta altura da sua carreira. O disco supera toda e qualquer prognóstico a seu respeito, e deixa a certeza do quão único é o sexteto liderado por Bruce e Steve. Sem dúvida, o melhor álbum do grupo desde o retorno de Dickinson e Smith.
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