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Iron Maiden: The Book Of Souls ocupa lugar entre melhores discos

Resenha - Book Of Souls - Iron Maiden

Por André Toral
Em 09/09/15

Nota: 8

Com The Book of Souls o Iron Maiden teve um sopro a mais de vida, já que andava agonizando na UTI desde Dance of Death. E mesmo antes de Dance of Death, andava oscilando muito entre o ruim e o razoável. De forma geral, The Book of Souls mostra uma banda renovada e aberta a inovações inesperadas, mas sem deixar de reafirmar a importância e a relevância de Brave New World e mais especialmente Dance of Death, A Matter of a Life and Death e The Final Frontier para os músicos da banda. Afinal, as influências destes três últimos álbuns se fazem presentes em The Book of Souls, apesar de que,na balança, o saldo é mais favorável às inovações que a banda realizou, sendo este o destaque principal do novo álbum. E em termos de inovações, não podemos deixar de reverenciar a bateria do Nicko que está – agora sim – num patamar de elevado padrão de qualidade que há muito não se via e nem se ouvia. Bruce também está cantando solto, tendo incluído uma série de arranjos meio que fora dos padrões do Iron Maiden que, em dados momentos, remetem a sua carreira solo. E as guitarras? Tanto as bases quanto os solos demonstram muita liberdade para criação, o que faz delas o frescor principal deste novo trabalho. Ou seja, tem coisas muito boas, algumas fracas, outras boas mas nem tanto e uma ou outra música bem acima da média. É um trabalho diversificado e que renova nossas esperanças com o futuro do Iron Maiden, até porque, ao que parece, até o Kevin Shirley pôde respirar um ar fresco durante as gravações, já que, para o mesmo, imagino que estava ficando meio chato e depressivo ficar botando seu nome em discos tão iguais e cheios de vícios entre si. Coisa que qualquer produtorzinho de início de carreira saberia exterminar numa banda.

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De minha parte, confira as impressões que tive sobre cada música de The Book of Souls e, ao final, veja a minha nota média para o álbum com bases na nota de cada canção.

If Eternity Should Fail

Grande música quase que em sua totalidade. É diferente não somente porque mostra uma banda mais solta e direta, mas porque essa levada mais cadenciada não é comum no Iron Maiden e também não me lembro de ouvir alguma coisa parecida no passado. A questão é que a música vem muito bem e de repente ocorre uma quebra de ritmo que evolui para um metal rápido e pesado meio que de repente e do nada. Estou me perguntando até agora o que foi aquilo. Particularmente, achei isso desnecessário e desconectado com o andamento base da música - ideias desconexas assim tiveram aos montes no A Matter of a Life and Death. Não desfaz o gosto que tomei pela música, pelo refrão grudento, pelas linhas vocais maravilhosas de Bruce e pela inovação, mas diminui um pouco meu conceito. Nota: 8,5.

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

Speed of Light

Essas bandas tem mania de lançar como single as músicas mais fracas. Por Speed of Light quase desisti de The Book of Souls. É mais direta, mas não é um momento alto do álbum. Eu diria que o Iron Maiden, nessa música, fez reverência ao Thinn Lizzy. Só pode. Música estilo rock pesado que flerta com o hard rock, e sendo bem camarada com a banda minha nota, no máximo, chega a 6,5.

The Great Unknow

Repete aquelas famosas introduções climáticas que a gente escuta desde Fear of the Dark para cá. Aliás, essa música é uma perfeita mescla de A Matter of a Life and Death com The Final Frontier. Em qualquer destes discos ela ficaria bem situada. Não é uma música nula totalmente, mas tudo nela lembra os dois discos anteriores da banda: esses vocais altos do Bruce, os solos de guitarra e os arranjos da bateria. Nos ofereceram mais da mesma fórmula enjoativa e manjada. Nota: 7,0 (para ser camarada novamente).

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The Red and The Black

Uma introdução bem legal e pesada num ritmo cavalgado que apresentam alguns elementos que remetem a The X Factor e Dance of Death, e que nos dois primeiros versos vocais lembra A Matter of a Life and Death – o que graças a Deus não é uma constante na música. Coros bem legais, levada pesada e orquestrada com uma quebra de ritmo bastante conectada com a primeira parte da música (não houve nenhuma ruptura abrupta). E justamente nesse ponto os vocais de Bruce assumem um arranjo bem diferenciado que me lembra bastante aqueles versos vocais bem dramáticos que ele colocou em Skunkworks e que eu gostei muito. Destaque positivo também para os solos de guitarra e a própria bateria diferenciada do que nos acostumamos a ver e ouvir nos últimos discos. E se aproximando na última parte da música há nova quebra de ritmo (para minha alegria, sem uma separação abrupta do ritmo anterior). As guitarras solo que se espalham nesse emaranhado de emoções que The Red and the Black proporciona são fantásticas! Sem contar que outras duas quebras de ritmo ocorrem, mantendo o excelente nível alcançado. Enfim, uma música que tem alguns elementos que já são conhecidos, mas que se renovam ao longo sua execução. Nota: 9,5 (no contexto deste álbum, e não no contexto de toda a história da banda) – só perdeu 0,5 por causa dos dois versos vocais iniciais que lembram bastante a A Matter of a Life and Death, o que, cá entre nós, acho uma lembrança um tanto desagradável e pouco inspirada.

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When The Rivers Run Deep

Qualquer coisa um pouco diferente do usual é um oásis em se tratando de Iron Maiden. E a introdução dessa música é assim. Mas o saldo geral dela não é tão bom. A música é confusa. Algumas partes lembram bastante The Alchemist de The Final Frontier,até mesmo por causa dos vocais e bateria que tem muito essa influência. Mas as mudanças de tempo são muitas do começo ao fim e eu acredito que faltou melhor e mais coesa conexão entre as partes. Não dá para perceber onde a banda quis chegar com essa música, parece ter sido sobra de The Final Frontier. Nota: 6,5.

Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva

The Book of Souls

Riff muito pesado e bateria bem diversificada. A presença dos teclados nos arranjos dá um toque mais que especial ao lado sombrio que essa música mostra antes dos refrões. Além do que, Bruce dá um show de interpretação nessa música, principalmente nos versos que levam ao refrão. Quando a música muda de tempo, para ritmo mais acelerado, as bases da guitarra lembram bastante a 2ª.parte da música Black Sabbath. Enfim, tem inovação aqui, sim, mas também tem bases instrumentais que continuam a lembrar A Matter of a Life and Death, mas de forma mais aperfeiçoada e bem menos confusa. Uma música legal, que não nos prende totalmente num passado recente. Nota: 8,0.

Death or Glory

As frases de guitarra principais são inovadoras. Isso ninguém pode negar. Uma característica marcante, assim como em outras músicas do álbum, é que a bateria de Nicko está muito bem explorada como há muito não se via. Os pratos de condução estão no talo. E Death or Glory tem um verso vocal antes do refrão muito legal e contagiante, outro ponto que destaco como inovação, pois não é comum a banda fazer umas investidas assim – acredito que neste ponto a carreira solo de Bruce deve ter influenciado um pouco. E se reparar em alguns solos ao longo da música vai perceber que também tem coisas arrojadas ali. Enfim, uma música mais direta, sem frescuras e pesada do início ao fim. Nota: 8,5

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Shadows of the Valley

Alguém teve o propósito de lembrar de Wasted Years na introdução? Bem, essa música tem uma pegada que lembra bastante The Mercenary de Brave New World. Mas The Mercenary é bem melhor que ela. E o ponto mais marcante é que a estrutura dos arranjos também remete ao Brave New World. Aqui o problema não é outro a não ser falta de empolgação e criatividade da banda. Por ser uma música politicamente correta, e tecnicamente ajustada, tão apenas, minha nota arredondada é 7,0.

Tears of a Clown

Esta é a música inspirada no ator Robin Williams, e de forma geral os arranjos são meio dramáticos. No campo musical, tem um início e um andamento mais hard rock. Digamos assim, não é um clássico e nem chega perto disso, mas me alegra por ver o Iron Maiden se abrindo de coração e alma para essas novidades. Nota: 8,0

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The Man of Sorrows

Não entendi bem a real necessidade de incluírem essa música climática sem inspiração no álbum, afinal ela destoa totalmente do restante do álbum e do clima alcançado até aqui. Melhor seria se tivessem deixado de fora para ser uma faixa melhor trabalhada para um álbum futuro. Nota: 6,0.

Empire of the Clouds

No início você tem a impressão de estar escutando qualquer coisa que você possa imaginar, menos Iron Maiden. O piano ficou realmente muito bonito, assim como as frases vocais no início. Mais um ponto favorável para o Iron Maiden, talvez até mesmo para o Steve Harris, porque se permitiram sair da caixinha quadrada. A música vai crescendo e ganhando tamanho de forma bem coordenada. Neste sentido, Bruce foi um maestro! Nos 18 minutos todas as partes se encaixam e agora dá gosto de sentir o lado progressivo aperfeiçoado da banda. É de fato uma música bem construída, goste ou não de progressivo. Isso não há como negar. Nota: 9,0.

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Nota média do álbum: 8,0 (arredondando)

No meu ranking, fica em 9°. Lugar entre os melhores discos.


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Sobre André Toral

Formado em Administração de Empresas. Curte Hard clássico dos anos 70 e início dos 80; Heavy Metal é sua religião.

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