Iron Maiden: Leia a primeira resenha de "The Book Of Souls"
Resenha - Book Of Souls - Iron Maiden
Por Bruce William
Fonte: Team Rock
Postado em 01 de agosto de 2015
Nota: 9 ![]()
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Dom Lawson, do Team Rock, fez uma resenha do "The Book Of Souls", novo álbum do Iron Maiden, "The Book Of Souls", com lançamento previsto para o início de setembro, confira abaixo.
A resenha original em inglês pode ser lida no link abaixo:
https://www.teamrock.com/reviews/2015-08-07/iron-maiden-the-book-of-souls
Um novo trabalho do Iron Maiden sempre é um grande evento, não apenas pela banda ter sustentado, de alguma forma, um nível surpreendente de popularidade durante grande parte de suas três décadas de existência. Mas algo que é menos reconhecido frequentemente, é que desde o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith em "Brave New World" de 2000, a banda não apenas consolidou sua posição como uma das mais reverenciadas do metal mas ela, de maneira audaciosa, amparada nesta base, demanda cada vez mais a perfeição.
Naturalmente, "The Book Of Souls" chegou em meio a uma tempestade dramática adicional, a revelação genuinamente chocante que Bruce Dickinson sofrera um câncer contra o qual lutara e vencera heroicamente enquanto era produzido o 16o. trabalho da banda, que não precisaria deste impulso adicional.
Finalizado antes de Bruce receber o temido diagnóstico, "The Book Of Souls" traz a sonoridade de uma banda em pleno auge, tanto individual quanto coletivamente, e a performance de Dickinson não deixa nenhuma pista do seu problema de saúde. Alguns poderiam, de má-fé, insinuar que este seria o momento ideal para uma declaração derradeira, mas é difícil imaginar outra banda desta safra sendo capaz de soar tão vital e inspirada.
Tudo começa com a primeira das duas canções compostas unicamente por Dickinson. "If Eternity Should Fail" se inicia com uma estranha, quase psicodélica introdução, onde uma sirene de ataque aéreo com tonalidades flutuando num espaço cintilante, até que surgem os primeiros dos inúmeros riffs poderosos da canção. Sombria nas tonalidades e texturas e um tanto quanto mais pesada que o usual do Maiden, são velozes oito minutos e meio que passam rapidamente como se fosse apenas metade deste tempo, com coros e mudanças de tempo adicionando um tempero extra.
Os álbuns mais recentes do Maiden tem se caracterizados pela natureza épica e progressiva de seu conteúdo, e embora "The Book Of Souls" certamente demonstre esta face em inúmeras ocasiões, também é um disco que traz vários flashes de concisão. "Speed Of Light", "Death Or Glory" e "Tears Of A Clown" atingem seu clímax em torno de cinco minutos e as três são potenciais hinos do Maiden, onde a presença de Adrian Smith se faz notar intensamente, trazendo de volta o que ficou perdido durante a década em que ficou ausente. Entretanto, tanto "The Great Unknown" e "When The River Runs Deep" demonstram a química intuitiva que existe entre Smith e Steve Harris, os esforços colaborativos de ambos criam mini-sinfonias para Dickinson soltar seu conhecido vibrato.
No entanto, "The Book Of Souls" sem sombra de dúvida será mais celebrado pelos seus épicos, e se você pensou que o Iron Maiden tinha esgotado todo seu arsenal no passado, você vai ter que apertar seu cinto de segurança e fazer sua prece para Eddie. "The Red And The The Black" é a única composição apenas de Harris, porém é a mais emocionante e fluída que ele já escreveu; cerca de 14 minutos de ritmos e riffs entrelaçados, com uma pitada de "Flight Of Icarus" aqui, algo de Thin Lizzy ali e backing vocals que devem fazer esta canção se tornar uma das favoritas quando o Maiden levar o "Livro das Almas" para a estrada.
O mesmo se aplica para a faixa-título, uma aventura absurdamente grandiosa e teatral abrangendo mais sacadas inteligentes em seus dez minutos e meio do que qualquer banda gostaria de ter em toda sua carreira. Se Dickinson poderia vir a cantar menos por ser um homem prestes a descobrir um tumor na garganta... bem, desnecessário dizer que sua recuperação tenha sido talvez a coisa mais surpreendente acontecida na história recente do Maiden. A interação entre os "três amigos" (Harris, Dickinson e Smith) atinge um pico similar na estrondosa "Shadows Of The Valley" e, a melhor de todas, a sombria e inquietante parceria de Harris e Dave Murray em "The Man Of Sorrows", onde a poderosa produção de Kevin Shirley, sem nenhum arroubo pretensioso, reluz sobre a interação orgânica e sublime entre os seis músicos.
Tão longo, tão brilhante. E mesmo o maior e mais otimista fã do Iron Maiden ficará de queixo caído pela derradeira canção do "The Book Of Souls". A canção mais longa que a banda já gravou, "Empire Of The Clouds", é essencialmente uma ópera heavy metal com 18 minutos, repleta de trechos com Bruce Dickinson ao piano e instrumentais orquestrados que agregam de forma grandiosa uma atmosfera cinematográfica. A faixa relata detalhadamente mas de maneira poética a história do desastre ocorrido com o dirigível R101 em 1930, sendo uma obra impressionante e claramente um trabalho feito com muito amor por seu autor, Bruce Dickinson. E chegando ao final de um disco tão consistente e notável de heavy metal idiossincrático, fica uma questão no ar: há algo que o Iron Maiden não possa fazer? "The Book Of Souls" sugere que não.
Considerando que este disco não soa em nada como o trabalho de uma banda que está próxima do fim, o futuro pode trazer maravilhas ainda maiores. Caramba!
Veredito final: 9/10
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