Boris - casa lotada e público dos mais diversos para ver única apresentação no Brasil
Resenha - Boris (Fabrique Club, São Paulo, 30/11/2025)
Por Diego Camara
Postado em 22 de dezembro de 2025
Os fãs encheram e causaram uma grande fila na Rua Barra Funda no domingo a noite, prontos para ver uma das bandas mais excêntricas do Japão pela primeira vez no Brasil. O Boris veio trazendo um setlist recheado do álbum "Pink", um dos grandes discos da banda que fez seu aniversário de 20 anos. Confira abaixo os principais detalhes do show, com as imagens de Fernando Yokota.
O Siena Root, banda sueca formada por saudosistas de Woodstock foi escolhida para o show de abertura, mas chegando no horário de abertura da casa, ainda não havia nenhum rastro de que os portões seriam abertos. O atraso da chegada do Boris no Brasil, que tinha realizado um show na cidade de Cordoba no dia anterior, fez com que a passagem de som ocorresse bem mais tarde.

A casa só foi abrir bem após o horário marcado, e o Siena Root subiu com uma hora de atraso ao palco, para alívio dos fãs que gritaram muito a cada acerto de som nos pedidos da banda. Uma apresentação bastante curta, mas com ótima qualidade de som, que tirou aplausos do público com seu som vintage, que nos leve por um portal de volta para a década de 70.

O show foi bastante sólido, com especial destaque para os vocais de Zubaida Solid, que com grande maestria e uma voz tremenda enchem e completam o som da banda, cheio de passagens lentas e tons de psicodelia nos instrumentos. A banda passou por alguns contratempos, em especial o sumiço do som de órgão em uma das músicas e um som com falhas de equalização em alguns momentos.

Boris foi subir ao palco ainda mais tarde, com uma hora e vinte minutos de atraso no total, deixando muitos dos fãs em uma situação complicada para um fim de dia de domingo. Mesmo assim, os fãs não ligaram mais para os problemas quando o Boris subiu ao palco, tocando "Blackout" com grandes aplausos do público que esgotou a casa. O som arrastado da música, forte nas guitarras, impressiona muito.

A banda não perdeu um minuto, e já sacou "Pink", a segunda música do álbum e um convite para deixar o público insano. Muito bate cabeça, gente pulando e se apertando, deixando a pista ainda mais estreita. O pessoal canta muito também, puxando junto os vocais lá pro alto.

A sequência rápida, como um álbum de punk clássico, foi ainda mais combustível para a galera da pista, um público extremamente heterogeneo que mistura fãs antigos da banda, desde a década de 90, com uma galera nova doida pelo experimentalismo japonês. O resultado é uma pista caótica, como poucas vezes se vê em um show de heavy metal, pronta para guerra.

"Nothing Special" tem aquela pegada rápida do punk rock, com um solo de guitarra extremamente técnico de Wata. A tensão no show continua com "Ibitsu", enquanto a banda se distancia por um momento do "Pink" para misturar-se com outras músicas da carreira.

Com "A Bao a Qu", a banda puxa para um som atmosférico, sombrio, em um interlúdio e convite para o silêncio no meio do caos do show. A próxima, "The Evilone Which Sobs", manteve o ritmo sombrio da apresentação, e a sequência longa com uso de elementos dissonantes é quebrada unicamente pelo trabalho de guitarra de Wata, uma linha de consistência no meio de toda a música.

Voltando o final do show, Boris retornou ao "Pink" para duas últimas músicas. Um metal rápido é entregue com "Just Abandoned Myself", convite para a gritaria dos fãs com os vocais rasgados da banda. A excelente performance, frenética e insana, mais uma vez tem como destaque as guitarras, um show à parte.

Setlist:
Blackout
Pink
Woman on the Screen
Nothing Special
Ibitsu
Electric
A Bao a Qu
The Evilone Which Sobs
Akuma no Uta
Just Abandoned Myself
Farewell
Bis:
Flood
Siena Root





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