O hit em que Paralamas do Sucesso deixou para trás som juvenil e fez música para adulto
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de dezembro de 2025
"Bora-Bora" representou um divisor de águas na trajetória dos Os Paralamas do Sucesso. Segundo o produtor Carlos Savalla, o álbum marcou o momento em que a banda deixou definitivamente para trás a imagem juvenil dos primeiros discos e passou a lidar com temas mais densos, emocionais e maduros. Em entrevista ao Corredor 5, Savalla foi direto ao definir esse salto artístico: ali surgia, pela primeira vez, uma música "realmente adulta" no repertório do grupo.
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Ao relembrar o processo de criação do disco, Savalla destacou especialmente faixas como "O Beco" e "Quase Um Segundo", que para ele sintetizam essa mudança de postura. O produtor contou que apostava fortemente nessas canções desde o início das gravações, justamente por perceber nelas um Herbert Vianna mais introspectivo e emocionalmente exposto.
"Eu apostava muito em 'O Beco'. Junto com 'Quase Um Segundo', eu sentia que ali estava a primeira música realmente adulta que o Herbert fazia. Era uma música mais romântica, mais pesada no sentido emocional. Embora os Paralamas sempre tenham tido letras inteligentes, ali havia um outro grau de maturidade", afirmou.
Paralamas do Sucesso e "Bora-Bora"
Savalla também ressaltou que o impacto dessas músicas não vinha apenas da composição, mas da forma como foram registradas em estúdio. Segundo ele, "Bora-Bora" preservou uma dinâmica quase "de palco", com os músicos tocando juntos, sem artifícios técnicos excessivos.
"Foi tudo gravado ao vivo, um, dois, três, todo mundo tocando junto. Não tem base pronta, não tem BG, não tem truque. É banda tocando de verdade. Trompete, baixo, guitarra, todo mundo se olhando dentro da sala. Isso dá uma energia que não se fabrica depois", explicou, lembrando com entusiasmo da participação de Charlie Garcia e de pequenos detalhes instrumentais que, segundo ele, "arrepia até hoje".
Outro ponto fundamental desse amadurecimento, segundo o produtor, foi a relação de Herbert Vianna com a própria voz. Savalla revelou que o vocalista tinha muitas inseguranças e chegou a questionar sua capacidade como cantor, algo que precisou ser trabalhado durante o processo.
"Ele odiava a própria voz, tinha vergonha. E eu brigava muito com ele por causa disso. Dizia: 'Essa voz não pode mudar nada. Essa é a assinatura dos Paralamas. Se você tentar cantar como outro, perde tudo'. Foi um processo de empoderamento mesmo, de fazer ele confiar no que já era único", contou.
Confira a entrevista completa abaixo.
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