Anthrax: novamente no Topo do Thrash Metal
Por Antonio Rodrigues Junior
Postado em 15 de maio de 2005
O grupo, que se apresentou no País após 12 anos, está recolocando seu nome entre os grandes do estilo com o ótimo The Greater of Two Evils.
Em fevereiro passado, o grupo norte-americano Anthrax esteve no Brasil para dois shows históricos após 12 anos desde sua última passagem por aqui. A banda esteve divulgando o álbum The Greater of Two Evils, que traz os grandes sucessos da primeira fase do conjunto re-gravados pela atual formação – John Bush (vocal), Scott Ian (guitarra), Rob Caggiano (guitarra), Charlie Benante (bateria) e o músico convidado Joey Vera (baixo). O quinteto se apresentou no Credicard Hall, em São Paulo, e no Claro Hall, no Rio de Janeiro, nos dias 25 e 26 respectivamente.
No início dos anos 80, ao lado de nomes como Metallica, Slayer e Megadeth, o conjunto foi um dos percursores do thrash metal, que se tornaria uma das principais vertentes do heavy metal. O álbum de estréia surgiu em 84 sob o nome de Fistful of Metal. Depois vieram outros clássicos do estilo, como o EP Armed and Dangerous (85), Spreading the Disease (85), Among the Living (87), State of Euphoria (88), Penikufesin (89) e Persistance of Time (90). Trabalhos que não traziam a voz de Bush e de onde foram tiradas as faixas do último CD.
Durante os mais de 20 anos de carreira, o grupo passou por muitos altos e baixos. As mudanças de integrantes durante os anos 90 ocasionaram uma das fases mais complicadas com CDs de pouca repercussão. Porém, os ataques de 11 de setembro ao World Trade Center, em Nova York, foi uma das piores épocas, ocasionada pelos atentados que se seguiram depois através da bactéria homônima ao grupo nos Estados Unidos. O quinteto chegou a anunciar a mudança de seu nome para Basket Full of Puppies (cesto cheio de filhotes), mas tudo não passou de uma brincadeira da banda.
A volta por cima foi o lançamento do disco We’ve Come for You All (2003), que recolocou o nome da banda no topo do estilo. Não a toa foi gravado o DVD Music of Mass Destruction durante a turnê deste álbum. Mas atualmente os rumores que cercam o Anthrax é um possível retorno da formação clássica, que contaria com Joey Belladona (vocal), Dan Spitz (guitarra) e Frank Bello (baixo, que deixou o grupo há um ano) de volta, além dos remanescentes Ian e Benante.
Rumores que pegaram força nos últimos tempos, inclusive com um possível convite de Sharon Osbourne para que participassem do Ozz’Fest com essa line-up. Antes dessas notícias e durante a passagem do grupo pelo País, os membros do Anthrax conversaram com a Comando Rock sobre o novo CD, a entrada de Joey Vera, a cena heavy metal americana, o assassinato de Dimebag Darrel (ex-Pantera) e muito mais.
Comando Rock: A banda lançou recentemente o disco The Greater of Two Evils, que traz os grandes sucessos da primeira fase do grupo. De quem partiu a idéia de gravar o álbum e como foram escolhidas as canções?
Scott Ian: A gravação do disco The Greater of Two Evils foi uma idéia do próprio grupo, pois muitos dos nossos fãs queriam que tocássemos as músicas antigas em nossas apresentações. Colocamos em nosso site uma votação e os fãs escolheram as faixas que entraram no álbum.
Charlie Benante: Decidimos que o melhor jeito de saber quais as canções que os fãs queriam que estivessem no CD seria exatamente deixá-los escolher. Não apresentávamos em nossos shows todas as músicas que estão nele. Foi algo muito divertido ouví-las na voz do John.
Agora, as músicas foram registradas com John Bush comandando os vocais. Você esteve presente na primeira passagem do conjunto pelo País, em 93, que ocorreu pouco depois de sua entrada. O que mudou em seu vocal durante esse período?
John Bush: Atualmente, o meu modo de cantar está legal! Já fiz muitos shows com o Anthrax. Com certeza, está bem melhor do que há 12 anos (risos).
O último trabalho de inéditas foi We’ve Come for You All, lançado em 2003. A banda já está pensando em um novo CD com canções inéditas? Há alguma previsão para um novo lançamento?
Scott Ian: Sempre estamos pensando em um próximo disco de estúdio, mas ainda não há nada definido.
No primeiro semestre do ano passado, o baixista Frank Bello deixou o grupo e acabou se juntando ao Helmet (que voltou recentemente à ativa). Para a vaga de baixista foi escolhido Joey Vera, que foi colega de Bush no conjunto Armored Saint. Por que da saída do baixista e como ocorreu a escolha de Vera?
Charlie Benante: O Frank saiu da banda por razões pessoais. Ele optou em seguir outros caminhos.
Joey Vera: A minha entrada aconteceu de forma natural pela amizade que tenho com os demais integrantes. Estou me sentindo muito bem ao lado deles, mas esta é apenas uma fase temporária durante a turnê sul-americana. É difícil conciliar o tempo dos dois grupos. Ando dormindo pouco ultimamente (risos). Mas estou conseguindo conciliar os trabalhos.
Mudando de assunto, está surgindo uma nova onda de bandas nos Estados Unidos, além da já forte cena causada pelo "novo" metal. Na opinião de vocês, como está o heavy metal americano e o que esta nova onda vem ajudando o Anthrax?
Charlie Benante: O heavy metal americano vem incorporando muito do rock europeu nos últimos tempos. Atualmente, o underground está forte. O metal, de uma forma geral, está cada vez mais popular e isso também está sendo bom para nós.
Scott Ian: A cena está forte! O thrash metal está voltando com tudo. Há muitos novos conjuntos. Parece que estamos voltando ao início dos anos 90.
Há pouco mais de dois meses (PS: a entrevista ocorreu durante a passagem da banda por São Paulo), o guitarrista Dimebag Darrel (ex-Pantera e um dos ícones do estilo) foi terrivelmente assassinado no palco durante uma apresentação de seu novo conjunto, Damageplan, em Columbus, Ohio.
Rob Caggiano: A segurança nos Estados Unidos é horrível. Qualquer um pode entrar com uma arma em um show. Se tivéssemos uma boa segurança, o assassinado de Dimebag não teria acontecido.
Scott Ian: Nos Estados Unidos todos têm porte de arma. Se as leis por lá fossem mais rigorosas, talvez ele ainda estivesse vivo.
Comando Rock
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