Andralls: Expandindo o trauma e quase sendo presos na Europa

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Por Marcos Filippi
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"Inner Trauma", lançado em 2005, foi o trabalho que mais rendeu ao grupo paulistano Andralls. O terceiro disco de estúdio (a banda também possui um álbum ao vivo) fez com que o conjunto realizasse - por enquanto - mais de 30 shows pelo País e outros nove na América do Sul. No fim do ano passado, o CD possibilitou à banda tocar pela primeira vez na Europa. A banda paulistana de thrash metal passou 34 dias pelo velho continente divulgando seu último trabalho.

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Foram 34 dias e nove apresentações por países como Áustria, Itália, Polônia, Alemanha e Holanda. Alex Coelho (vocal e guitarra), Di Lallo (guitarra), Eddie C. (baixo) e Alexandre "Xandão" Brito (bateria) passaram por algumas "roubadas" - como quase serem presos em uma pequena cidade italiana de aproximadamente mil habitantes -, mas obtiveram um saldo super positivo em termos de divulgação do grupo.

Nesta entrevista a Comando Rock, Xandão e Di Lallo contam como foi a excursão pela Europa, a repercussão dos shows, a cena metálica européia e adiantam como será o próximo álbum do Andralls, que deverá ser lançado no segundo semestre deste ano.

Comando Rock: Queria começar falando do álbum "Inner Trauma", lançado em 2005. Como foi a repercussão e aceitação do álbum?

Xandão: A repercussão tem sido muito boa. Tivemos a oportunidade de tocar em várias partes do País, além de países da América do Sul e Europa. A imprensa, tanto nacional quanto estrangeira, resenhou o álbum com ótima crítica e o público, que é a parte mais importante, tem nos apoiado bastante, já que curtiram também o trabalho.

Comando Rock: Você sabe quantas cópias foram vendidas e quantos shows - no Brasil e no Exterior - fizeram divulgando este trabalho?

Di Lallo: Esse lance de quantidade de CD vendidos é complicado. No Brasil, sabemos que o álbum está na segunda prensagem, pois sempre nos reunimos com o pessoal da gravadora. Mas, fora do País, não temos controle algum. Com relação aos shows, só na turnê do Inner Trauma, foram nove na Europa, nove na América do Sul e mais de 30 no Brasil.

Comando Rock: Como surgiram os contatos para a turnê na Europa?

Xandão: O principal contato que tínhamos era um amigo italiano chamado Gabbo, que conhecemos quando estávamos fazendo uma turnê pela América do Sul. Continuamos mantendo contato e ele se encarregou de fechar alguns shows por lá para o Andralls. Também tínhamos o contato de uma banda italiana chamada Hyades, que também nos ajudou e agendou outro show na Itália, além de umas indicações da banda Assassin (Alemanha). Então organizamos as coisas, marcamos os shows e caímos na estrada.

Comando Rock: Quantos shows e em quantos dias rolou a turnê européia? Quais os países vocês tocaram?

Di Lallo: Ficamos em tour 34 dias. Tocamos na Áustria, na Itália (cinco vezes), Polônia, Alemanha e Holanda. Iríamos tocar na Bélgica também, mas o show foi cancelado em cima da hora. Os objetivos desta tour foram os de divulgar ao máximo a banda e fazer bons contatos para que na próxima ida possamos agendar muito mais datas.

Comando Rock: Quais os melhores e piores shows, tanto de público quanto de aceitação do público?

Xandão: O melhor show, com certeza, foi na Alemanha devido a vários aspectos: ótima iluminação, som, boa estrutura para as bandas e ótima venda de merchandise. Não sei se posso dizer que houve um show pior que outro quanto à apresentação da banda, pois todas foram com muita energia. Quanto ao público, creio que foi o show de Roma, pois é muito difícil para uma banda underground tocar para um público grande nas capitais, já que muitas coisas acontecem ao mesmo tempo. Porém, todos que estavam no pub gostaram muito.

Comando Rock: Vocês dividiram o palco com quais bandas?

Di Lallo: Posso citar algumas: Gut na Alemanha e Nibelheim na Itália. As aberturas dos nossos shows sempre foram com bandas locais.

Comando Rock: Quais as principais "roubadas" que vocês tiveram nesta primeira turnê pela Europa?

Xandão: Cara, acho que se a gente parar para pensar fomos muito sortudos, pois sempre que parecia que iria pintar um problema a gente mantinha a calma e conseguia contorná-lo. Mas sem dúvida o maior deles foi quando estávamos partindo da Itália para a Áustria para fazermos o primeiro show e, no meio da viagem, o carro começou a dar um problema no motor e perder a força. Então fomos obrigados a andar em baixa velocidade até o destino final. No dia seguinte tivemos de voltar a Itália novamente em baixíssima velocidade. Estávamos com medo, pois se o carro quebrasse ali não daria tempo de chegar até a Itália para a realização do show. E também não poderíamos chamar a assistência técnica, pois iria demorar demais. A solução foi tentar seguir em frente. Uma viagem que seria feita em cinco horas mais ou menos terminou sendo feita em umas oito ou nove horas.

Comando Rock: Você pode nos contar algum fato engraçado ou inusitado envolvendo o grupo nesta viagem a Europa?

Di Lallo: Tenho vários... Mas acredito que o fato mais inusitado foi o de quase sermos presos em uma cidade de apenas mil habitantes!

Comando Rock: O começo da viagem começou por Milão. Mas li que vocês tiveram alguns problemas para entrar na Itália. Quais foram estes problemas?

Xandão: Na entrada na Itália não tivemos nenhum problema com a alfândega, foi só uma entrevista básica perguntando o que iríamos fazer no país. Perguntaram se tínhamos dinheiro suficiente (coisa que não tínhamos) e então mostramos alguns cartões de crédito (sem crédito) só para conseguir a passagem. Tivemos problemas também com as pessoas que estavam encarregadas de nos buscar no aeroporto. O que aconteceu foi que simplesmente a pessoa que iria nos encontrar se confundiu com o dia da chegada e não tinha ninguém para nos recepcionar. Então tivemos de resolver tudo sozinhos. Como alugar o carro, gps etc... Mas no final deu tudo certo.

Comando Rock: Outro problema que vocês tiveram também ocorreu em uma cidade italiana próxima a Roma, onde foram detidos pela polícia local. O que aconteceu?

Di Lallo: Acho que o cara lá queria aparecer e inventou que precisaríamos de um tal de "permisso" pra poder permanecer na Itália por mais de oito dias. Acho que, como na cidade não acontece nada, nem ladrão tem, ele queria mostrar serviço de alguma forma. Então levou a gente para a delegacia, mas foi tudo tranqüilo. Depois tiramos o lance para evitar problemas. O mais interessante foi que ele era o goleiro do time da cidade e a vontade de fazer um gol nele triplicou quando jogamos uma pelada com os italianos.

Comando Rock: Quais as principais diferenças entre o público brasileiro e o europeu?

Xandão: Com certeza o público brasileiro é mais quente. Apesar deles lá gostarem da banda, não fazem a festa que nós fazemos aqui. Mas a principal questão é o bolso. O europeu, quando vai ao show, tem condições financeiras de comprar o merchandise sem que isso lhe faça falta. Já no Brasil o fã normalmente passa a semana ou até o mês guardando dinheiro para poder ir a um show, tomar umas cervejas e se divertir. Na maioria das vezes ele quer levar o CD da banda para casa, mas não tem condição. Creio que o problema seja esse, pois quanto ao amor pelo metal não vejo muita diferença não.

Comando Rock: Como está a cena do metal na Europa? Dizem que há poucos espaços e a mídia não é mais a mesma que existia anteriormente...

Di Lallo: Na Europa existem muitos locais para tocar. Há shows todos os dias da semana e os produtores cumprem exatamente com o que prometeram (pelo menos, com a gente foi assim). Claro que existem pessoas responsáveis por aqui e que se pode confiar, mas alguns ultimamente têm dado muita mancada. Com relação ao público, não vejo diferença. Shows do mainstream lotam, shows underground nem tanto, mas a galera comparece e apóia. A mídia impressa ainda funciona. É importante para que as novidades cheguem nas mãos das pessoas. Existem muitas revistas especializadas, mas fica claro que algumas têm preferências por uma ou outra banda.

Comando Rock: Vocês haviam feito uma turnê sul-americana no fim de 2005. Aliás, foi gravado um show em Santiago e estava para sair em CD, intitulado Noisethrash Alive. Mas o álbum iria ser lançado somente na Europa. Vocês pretendem lançar este álbum no Brasil?

Xandão: Para te falar a verdade esse álbum nem terminou saindo. O que aconteceu foi que a nossa gravadora na Europa, a Mausoleum Records, terminou não nos dando o suporte necessário para fazermos a turnê européia conforme havíamos combinado e então decidimos não lançar mais esse álbum com ela, já que está com algumas pendências com a banda. Estamos com o material guardado para um futuro lançamento.

Comando Rock: Por falar em álbum ao vivo, vocês gravaram algum show na Europa? Há a possibilidade de sair algo em CD ou DVD?

Di Lallo: Não gravamos os shows inteiros. Temos algumas partes que poderão ser incluídas como extras no DVD. Ficava difícil para gente gravar, tirar fotos e se preocupar também em tocar. Fomos somente nós quatro, sem equipe, então as coisas ficam um pouco complicadas para registrar todos os momentos da turnê.

Comando Rock: Li que vocês já têm algumas músicas prontas para um próximo álbum. Como estão estas canções? Quais seriam as principais mudanças em relação ao último trabalho?

Di Lallo: Sim. Metade do álbum já está pronto. As músicas estão seguindo a mesma linha dos álbuns anteriores, sempre rápidas e agressivas. Desta vez, vamos mudar o estúdio e a forma de gravação. Os álbuns anteriores foram muito bons, mas para não ficarmos lançando álbuns parecidos e com a mesma sonoridade, decidimos priorizar a produção e gravação do álbum em outro local para adquirir novas idéias e sugestões.

Comando Rock: O que você pode adiantar sobre este trabalho, como o título, a previsão de lançamento, a temática das letras etc...?

Di Lallo: Ainda não sabemos exatamente o título, mas posso adiantar que vamos trabalhar sobre as dualidades no mundo e a representação do número dois em nossa vida. A previsão de lançamento é para o segundo semestre deste ano.


Comando Rock: Quais os próximos projetos do Andralls?

Xandão: Estamos em processo de composição do novo disco e pensando em soltar esse disco no segundo semestre deste ano, logo depois de encerrar a nossa última turnê do Inner Trauma, que será realizada aqui pelo Brasil nos meses de maio, junho e julho, que passará pelo Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Após o disco ser lançado, vamos novamente realizar uma turnê pela América do Sul. Só que dessa vez acrescentando alguns países e buscando melhores estruturas para podermos nos apresentar.


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