Bon Scott, o eterno Rocker...
Por Bento Araújo
Postado em 27 de dezembro de 2008
Rockstars gostam de exibir garotas, mansões, harleys, aeronaves, iates e sua coleção particular de guitarras. Ainda bem que nem todos os astros do rock pensam dessa forma. O ex-vocalista do AC/DC era o tipo de astro que descia do palco após o show e ia direto para o bar, onde conversava francamente com os fãs sem nenhum ataque de estrelismo.
Bon atendia cada um deles, trocava idéias, autografava álbuns e pagava drinks para as garotas. Para nossa sorte, um dos maiores ícones do rock era gente boa.
Ronald Belford ‘Bon’ Scott nasceu em Kirriemuir, na Escócia, no dia 9 de julho de 1946, bem na ressaca do pós-guerra.
Aos seis anos de idade, Bon seguiu de mudança com seus pais e seus irmãos para a casa de sua tia, em Sunshine, um subúrbio de Melborne, na Austrália. Graeme, um dos irmãos de Bon, sofria de asma e seu médico recomendou que a família se mudasse o mais breve possível para o oeste do país, uma área mais seca e quente. Foi assim que a famíla Scott se mandou para Fremantle, uma pequena cidade próxima a Perth.
Foi ali que Bon começou a se interessar por música, aprendendo a tocar gaita de fole. Aos 11 anos de idade ele já estava como membro oficial da banda de seu pai, por onde permaneceu por cinco anos. Sempre que sobrava um tempo, Bon sentava na bateria e ficava brincando. Não demorou muito para ele se tornar um baterista de verdade.
Em 1961, Bon abandonou a escola e passou a trabalhar de qualquer coisa que pintasse pela frente. Foi pescador, caminhoneiro, motorista de trator, balconista, bartender, carteiro e operário de uma indústria.
Sua primeira banda de rock, The Spektors, serviu para colocar o garoto em contato com suas primeiras groupies. Não é a toa que com apenas 16 anos de idade ele já era autuado por roubar galões de petróleo, fornecer dados pessoais falsos à polícia e importunar algumas garotas pela cidade. Durante dois anos, o garoto ficou sob custódia de uma repartição que cuidava de ‘crimes na infância’, chegando inclusive a cumprir pena numa cadeia especial para adolescentes.
Quem não gostava nada dessa farra eram os pais de Bon, nessa altura, bastante amargurados com os rumos tomados pelo adolescente. Tais episódios foram cruciais na trajetória do músico, que passou a criar uma determinação assustadora buscando arrumar um emprego e ganhar uma grana, enfim, fazer as coisas acontecerem e literalmente limpar a barra com seus coroas.
Após deixar a cadeia, Bon continuava praticando bateria nos fundos da casa de seus pais e tocava em pubs com os Espektors. Com Vince Lovegrove, Bon fundou o Valentines, onde dividia os vocais principais com o amigo. Além de emplacar o hit "My Old Man’s A Groovy Old Man", a banda lançou alguns compactos e rodou intensamente o circuito de clubes noturnos. Numa dessas apresentações serviram de banda de abertura para uma das principais bandas da cena australiana do período, os Easybeats. Foi quando Bon travou um primeiro contato com George Young, irmão mais velho de Malcolm e Angus, e metade do time Vanda & Young, o lendário duo de produtores da Albert Productions, responsável pelos clássicos álbuns do AC/DC.
A imagem pop dos Valentines acabou sendo abalada pelo envolvimento com drogas de seus integrantes, o que levou a banda a ruir rapidamente, em 1970. Bon não se intimidou, mudou para Adelaide e se juntou a um grupo local mais pesado e ousado, o Fraternity, apaixonados pelo hard rock e pelo progressivo que tomava conta do planeta. As revistas especializadas já publicavam matérias especiais com a banda, caracterizando Bon como o ‘cara selvagem’ do Fraternity.
Com a banda, Bon lançou dois álbuns: Livestock, de 1971 e Flaming Galah, de 1973 e também alguns compactos.
O grupo tentou alucinadamente descolar algum reconhecimento pela Inglaterra, inclusive fazendo algumas tours pela pátria mãe da cena roqueira da época, mas não conseguiram nada além de meia dúzia de seguidores. Chegaram a abrir shows do Status Quo, Black Sabbath e do Geordie, banda que tinha Brian Johnson nos vocais, o sujeito que substituiria Bon no AC/DC, em 1980!
Em 1973, o Fraternity mudou seu nome para Fang e lá pela metade do ano estavam encerrando as atividades de vez. Bon e mais alguns ex-integrantes fundaram o Mount Lofty Rangers que teve vida curta, pois o vocalista sofreu um grave acidente de moto no início de 1974, que o deixou em três dias de coma e o impossibilitou de continuar na estrada por algum tempo. No lugar de Bon, escalaram Jimmy Barnes, figura lendária na Austrália, que depois integraria as bandas Cold Chisel e Living Loud.
Bon continuava trabalhando como motorista em Adelaide. Cantava e tocava bateria nas horas vagas. Costumava também dirigir a Van de uma nova banda, o AC/DC, que contavam então com os ofícios do vocalista Dave Evans.
Os irmãos Young não estavam nada contentes com o direcionamento Glam que Evans estava dando para o AC/DC. Nessa mesma altura, Bon se ofereceu para ser baterista do grupo, no entanto, o que os irmãos Young precisavam era de um frontman que encarnasse todo o pique daquela banda. Bon topou o desafio e o resto é história.
Depois de vários álbuns de estúdio e um ao vivo fenomenal, o AC/DC perdeu seu eterno vocalista num verdadeiro golpe de má sorte.
A tragédia teve início numa tradicional noite de bebedeira, coisa que Bon estava realmente acostumado. Bon e um amigo seu, chamado Alistar Kinnear, foram tomar alguns drinks no Music Machine, um clube noturno localizado em Camden Town. Depois de muitas rodadas, a dupla se mandou para Ashby Court, onde Bon vivia naquela época. No caminho, Bon literalmente apagou no banco de trás do veículo. Kinnear não deu muita bola e seguiu adiante. Quando chegou na casa do vocalista do AC/DC, Kinnear tentou acordar Bon e levá-lo para a cama, porém não conseguiu acordar seu companheiro, que estava num avançado estado de embriaguez.
Kinnear desistiu da idéia e seguiu dirigindo para seu próprio apartamento. Chegando lá, nova tentativa frustrada de tirar o amigo bêbado do veículo. O jeito foi deixar Bon ‘dormindo’ no banco de trás do automóvel, um Renault 5.
Quando Kinnear voltou na manhã seguinte para ver seu amigo, já era tarde demais. Bon estava morto, praticamente congelado dentro do pequeno automóvel. O sujeito ainda levou o amigo às pressas para o Kings College Hospital, de Londres, que declarou que o músico já chegou sem vida nas dependências do pronto socorro.
O atestado de óbito informou que Bon Scott havia falecido em decorrência de envenenamento alcoólico agudo e ‘death by misadventure’ (morte por desventura, ou por desgraça).
Nos jornais da época foi também noticiado que o músico teria se sufocado com o próprio vômito e que a baixa temperatura da madrugada e suas constantes crises de asma colaboraram para a tragédia daquela fria manhã de 19 de fevereiro de 1980, um dos dias mais tristes do rock n’ roll.
Morte de Bon Scott
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



"Acordo toda manhã e penso: 'Meu Deus, isso ainda continua'", diz Roger Glover
Dave Mustaine cita seus guitarristas preferidos de todos os tempos
A melhor música já escrita em todos os tempos, segundo Bob Dylan e Billy Joel
5 músicas de heavy metal que todo tiozão brasileiro se lembra com carinho
Guitarrista não se arrepende de ter recusado proposta de voltar ao Megadeth
Deep Purple lança "Splat!", seu disco mais pesado em muitos anos
O hino clássico do Metallica que fala abertamente sobre vício em drogas
O hit de 1958 que Jimmy Page e Bob Dylan concordam ser obra-prima: "Fenomenal"
O pior disco do Iron Maiden, de acordo com o Ultimate Classic Rock (e não é "Virtual XI")
As bandas de metal que Hetfield não compreende; "Como diabos conseguem lembrar das músicas?"
As 5 melhores músicas do Black Sabbath de todos os tempos, segundo Geezer Butler
Geezer Butler exalta "o melhor jogo da Copa do Mundo" até agora
As 25 melhores músicas do Iron Maiden, segundo a Metal Hammer
Moonspell lança "Far from God", seu primeiro disco de estúdio em cinco anos
O guitarrista que se sentiu ofendido ao ser convidado para entrar no Deep Purple

Rock Life - ACDC: O dia em que a comunidade do Rock 'n Roll ficou abalada
Os guitarristas que para Angus Young fazem os melhores solos do rock com menos de três notas
O álbum favorito de Angus Young da fase do AC/DC com Bon Scott
Os 100 melhores álbuns da década de 1980, em lista da Classic Rock
O gigante do jazz que impressionou Angus Young; "um dos maiores músicos de todos os tempos"
A participação de Tina Turner na reviravolta que mudou o destino do AC/DC
As três bandas históricas que estariam no festival dos sonhos de Scott Ian do Anthrax
Os 10 momentos mais impactantes e fundamentais do metal nacional
O clássico de Bon Scott que Brian Johnson nunca quis cantar no AC/DC


