Shows não pagam as contas? "Vendemos camisetas para sobreviver", conta Gary Holt
Por Emanuel Seagal
Postado em 28 de dezembro de 2025
Gary Holt, guitarrista do Exodus e Slayer, falou no canal Sweeteater sobre as dificuldades dos músicos com os altos custos de uma turnê e como muitas bandas contam com as vendas de merchandise para pagarem suas contas.
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Na conversa com Nick Bowcott, o músico foi questionado sobre uma passagem do seu livro "A Fabulous Disaster: From The Garage To Madison Square Garden, The Hard Way", onde ele se autodenomina "um vendedor de roupas itinerante". "É só isso que qualquer um de nós é agora. Quer dizer, algumas bandas - o Metallica, tenho certeza, viveria muito bem sem vender uma única camiseta - mas para bandas como o Exodus, somos uma lojinha itinerante. Tocamos música para que vocês entrem e visitem nossa lojinha", afirmou.
Ele explicou que os altos custos de uma turnê às vezes consomem todo o cachê. "Temos sorte, eu ainda recebo alguns royalties e coisas do tipo. Mas, se o seu cachê cobrir todo o custo da turnê, você está em grande vantagem, porque aí o dinheiro da venda de merchandise é seu. Assim você consegue voltar para casa com algum dinheiro."
"Eu vendo camisetas do meu armário"
Gary Holt tem uma loja online, a Holt Awaits, e contou que, se você comprar um item dele, é provável que ele mesmo tenha empacotado e enviado. "São as minhas próprias camisetas, com todo o meu merch de mau gosto sobre serial killers, palhetas de celebridades e zoando tudo. Se você comprar isso, e eu estiver em casa, sou eu o cara empacotando. Não contrato ninguém pra fazer isso (…) Essas são as coisas que temos que fazer para nos manter à frente e manter as contas pagas."
O impacto da pandemia
Anteriormente, ao conversar com o Metal.de, ele explicou como os custos aumentaram após a pandemia, reforçando o comentário do baixista Jack Gibson sobre músicos serem "vendedores de camisetas". "As pessoas pensam: 'Ah, você é um astro do rock rico'. Não. Eu vendo camisetas, e as vendo direto da p**** do meu armário. (…) Vender camisetas é como ganhamos nosso dinheiro. (…) Tudo, especialmente desde a pandemia - ônibus de turnê custa muito mais dinheiro. Tudo custa mais. Passagens aéreas custam mais. É muito difícil."
Vale lembrar que, além de todas essas dificuldades, muitas casas de shows, inclusive aqui no Brasil, cobram das bandas um percentual das vendas de merchandise no local.
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