A faixa do Iron Maiden que ficou com 5 minutos a mais do que eles imaginaram
Por Bruce William
Postado em 28 de dezembro de 2025
Tem música longa que soa longa. E tem música longa que engana, porque o tempo passa e você jura que ainda está no "meio do caminho". No Iron Maiden, essa categoria ganhou nome e sobrenome quando a banda resolveu terminar "Powerslave" com uma faixa que parecia não acabar - e, ao mesmo tempo, não dava a impressão de estar sobrando nada.
A ideia foi do Steve Harris: transformar "The Rime of the Ancient Mariner", poema do Samuel Taylor Coleridge (1798), num roteiro em forma de heavy metal. A história é pesada, relembra a Louder: um marinheiro mata um albatroz sem motivo, o navio é "punido", a tripulação cai numa espécie de morte em vida e só depois de uma virada moral ele volta para terra, condenado a repetir a história para sempre.

Harris contou, anos depois, que nem lembra direito por que escolheu exatamente esse tema. Bruce Dickinson, por outro lado, tem uma teoria bem prática: em 1984, ele disse a uma revista francesa que o poema funcionava como um aviso, e que Harris já estava de saco cheio de ouvir que o Maiden era "banda de Satanás". "É um aviso para todos, que impõe respeito às ações de Deus." E completou: "Steve diz que, se ele ouvir de novo que a gente só faz histórias sobre Satanás e outras coisas, isso significa que as pessoas nunca vão entender o Iron Maiden."
A construção da música começou na pré-produção de "Powerslave", quando o grupo foi para Jersey tentar destravar ideias. Pelo relato do Adrian Smith, era o típico método dos anos 80: cada um levava seus pedaços e iam completando em conjunto - com uma exceção. "Eu lembro do sistema: cada um trazia as ideias e trabalhava com alguém para preencher. Eu, muitas vezes, trabalhava com o Bruce nas letras das minhas músicas, ou com o Davey nas harmonias e partes de guitarra. O Steve geralmente trabalha nas ideias sozinho e, quando elas estão uns 90% prontas, ele apresenta para a banda."
O esqueleto veio dessa forma. Harris disse que boa parte foi escrita nas Bahamas, no Compass Point Studios, onde o álbum foi gravado: "Eu escrevi a maior parte nas Bahamas, onde gravamos o disco. Eu tinha uma ideia em Jersey, mas foi no Compass Point que tudo se juntou." A partir daí, a faixa foi ganhando aquele formato que parece "cinematográfico": trechos de metal firme, passagens mais baixas, partes faladas, e depois a reconstrução até o final.
Quando a banda ouviu a versão já bem encaminhada, ninguém tratou como "ideia grande demais". Smith disse que, quando o Harris mostrou "Mariner", ele já sabia que tinham que fazer, porque não tinha ouvido nada igual; e lembrou que, na gravação, as letras eram tantas que precisaram ficar penduradas na parede, "do alto até o chão". O tipo de detalhe que só existe quando a música é longa de verdade.
Aí veio o dado que virou folclore: 13 minutos e 38 segundos. Segundo Harris, ninguém tinha percebido a duração real enquanto a música estava sendo montada. "O engraçado é que ninguém achava que tinha 13 minutos. A gente estava tão focado em fazer funcionar, e curtindo tanto, que pensava que tinha só oito ou nove, no máximo. Quando o nosso produtor, Martin Birch, cronometrava e deu 13 minutos, a gente ficou tipo: 'Caramba, 13 minutos?!'."
E essa é a parte mais "Maiden" da história: a faixa não saiu como single (claro), mas a banda levou para o palco na World Slavery Tour de 1984–85 e, de tempos em tempos, volta a ressuscitar "Mariner" como se fosse um evento dentro do show.
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