O músico que Ritchie Blackmore considera "entediante e muito difícil de tocar"
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de dezembro de 2025
Ao longo da história do rock, poucos guitarristas conseguiram construir uma identidade tão particular quanto Ritchie Blackmore. Em uma era marcada pela obsessão com velocidade e exibicionismo técnico, ele preferiu trilhar um caminho próprio, misturando blues, música clássica e escalas pouco usuais no vocabulário do rock. Essa inquietação artística fez dele um dos músicos mais influentes de sua geração, mas também alguém consciente de seus próprios limites.
Desde os primeiros passos do Deep Purple, Blackmore demonstrava interesse em expandir as fronteiras da guitarra elétrica. Enquanto muitos se contentavam em repetir fórmulas consagradas do blues, ele buscava sonoridades que dialogassem com outras tradições musicais. Essa postura ajudou a moldar o som da banda e abriu espaço para experimentações que se tornariam marcas registradas de sua carreira.

Mesmo quando deixou o Deep Purple para fundar o Rainbow, Blackmore manteve esse espírito exploratório. Faixas como "Stargazer" revelam o uso de escalas exóticas e estruturas pouco convencionais para o rock da época, reforçando sua fama de guitarrista inquieto e tecnicamente inventivo. Ainda assim, havia fronteiras que ele reconhecia como difíceis demais de transpor.
Um bom exemplo está na relação de Blackmore com a música clássica para violão. Embora nunca tenha escondido a influência erudita em solos como o de "Highway Star", inspirado em arpejos associados a Mozart, ele admitiu que o repertório do violonista Andrés Segovia estava além do que pretendia dominar. Em entrevista resgatada pela Far Out, o guitarrista foi direto: "Achei um pouco entediante. E também muito difícil de tocar. Tentei 'Gavotte' e, depois da primeira página, pensei: 'isso já chega… é difícil demais para mim'".
Quem foi Andrés Segovia?
Andrés Segovia foi um violonista espanhol nascido em 1893, amplamente reconhecido como o principal responsável por consolidar o violão como instrumento da música erudita. Em uma época em que a guitarra era vista sobretudo como instrumento popular ou folclórico, Segovia levou o violão às grandes salas de concerto e ajudou a construir um repertório clássico respeitado internacionalmente.
Sua influência foi decisiva tanto no repertório quanto na técnica do instrumento. Compositores como Villa-Lobos e Castelnuovo-Tedesco escreveram obras especialmente para ele, enquanto sua abordagem sonora - combinando unhas e polpa dos dedos - definiu um padrão seguido por gerações. Segovia morreu em 1987, deixando um legado que moldou definitivamente o violão clássico moderno.
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