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Al Atkins: lidando com os demônios do passado

Por Denis Augusto
Em 28/08/07

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Desconhecido por grande parte dos fãs de heavy metal, Al Atkins é, na verdade, peça-chave na disseminação deste estilo. Juntamente com KK Downing, Atkins fundou o Judas Priest em 69, contribuindo inclusive com algumas composições como "Victim Of Changes" e "Never Satisfied" – que são tocadas pela banda até hoje nos shows.

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Após quatro anos a frente deste pivô do metal (que, na época ainda não havia despontado), o vocalista resolveu deixar a banda, dizendo que eles "não iriam chegar a lugar algum". Quase 25 anos se passaram e a história provou que ele estava enganado em sua previsão, mas que também estava longe de pendurar o microfone.

Durante os primeiros 15 anos que sucederam sua saída do Judas Priest, Al Atkins fez parte de alguns conjuntos e obteve relativo sucesso. Destacam-se aí o Lion (que contava com o baixista original do Judas, Buno Stepenhill) e o super projeto The Denial (com o ex-Iron Maiden Dennis Stratton e Jess Cox, do Tygers Of Pan Tang). Mas Atkins viu que era hora de partir para uma carreira solo e é assim que tem sido nos últimos 20 anos.

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Com constantes mudanças na formação e lançando seu quinto álbum de estúdio intitulado "Demon Deceiver", as coisas parecem estar indo muito bem para o metalhead que está em meio a uma bem sucedida turnê mundial.

Direto de Birmingham, Inglaterra, Al Atkins concedeu esta entrevista exclusiva a Comando Rock, onde fala de sua fase atual ao lado do grupo The Holy Rage, além dos tempos com o Judas Priest.


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Comando Rock: O novo álbum Demon Deceiver tem uma sonoridade bem pesada, com aquela atmosfera dos anos 70, mas sem soar datado. Você está satisfeito com o resultado final?

Al Atkins: Sim, estou muito contente com o álbum. Esta foi exatamente minha intenção. Fazê-lo com um feeling bem anos 70, porém com uma sonoridade atual. Levei alguns anos para lançá-lo porque estava sempre a espera dos outros músicos, que estavam ocupados com suas respectivas bandas. São eles: Simon Lees (Budgie), com quem passei bastante tempo; Johnny Lokke (de Kansas/EUA); Brian Tatler (Diamond Head) e Mick Hales, na bateria, da banda britânica Dante Fox, só para citar alguns que fizeram um excelente trabalho.

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Novas versões para as músicas "Victim Of Changes" e "Dreamer Deceiver", do Judas Priest, encontram-se no novo CD. Por que escolheu regravar estas canções?

Al Atkins: Quando fui a procura de um novo contrato, as gravadoras queriam que pusesse algumas músicas do Judas no disco (aquelas em que sou co-autor) para ajudar nas vendas. Então as primeiras duas que mais ou menos gravei foram "Victim Of Changes" e "Dreamer Deceiver". Com o passar do tempo, decidi não levar isso adiante porque sabia que iria demorar muito mais do que as gravadoras queriam para a coisa se concretizar. Então decidi financiar eu mesmo o projeto, fazendo no meu ritmo, e usando apenas os serviços de uma distribuidora. A princípio iria deixar essas duas canções fora do álbum, mas elas estavam soando tão bem, com aquela levada anos 70, que acabei mantendo-as.

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Brian Tatler gravou algumas guitarras da música "Blood, Demons And Wiskey". Conte-nos sobre essas gravações.

Al Atkins: Já havia conversado com o Brian sobre entrar no Diamond Head quando eles estavam procurando por um novo vocalista, mas decidi continuar com meu projeto solo. Perguntei se ele queria tocar em alguma das músicas e ele concordou. Nos divertimos muito no estúdio e ele acabou gravando uma guitarra nervosa em "Blood, Demons And Wiskey".

Você ainda tem algumas datas marcadas como parte da turnê do novo álbum, iniciada no ano passado. Como tem sido a resposta do público até agora? Você toca alguma canção do Judas Priest nos shows?

Al Atkins: As reações a minha banda The Holy Rage têm sido ótimas até agora. Sim, temos músicas do Judas no nosso set. Tocamos "Never Satisfied" e, logicamente, "Victim Of Changes". A promoção do novo disco tem sido muito boa na Europa – especialmente na Alemanha –, além dos EUA (onde fizemos alguns shows em novembro passado).

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Em 2004 Dennis Stratton (ex-Iron Maiden) deixou sua banda Praying Mantis para aderir a um projeto que você estava montando na época, chamado The Denial. Conte-nos sobre isso.

Al Atkins: Dennis e eu nos unimos a Jess Cox (Tygers Of Pan Tang) para formar uma banda "de estrelas" em 2004 e excursionamos pela costa leste americana, de Tampa a Nova Jersey, e foi sensacional! Mike de Jager, da África Do Sul, também fazia parte do grupo e ainda toca comigo hoje em dia.

Aqui vai a pergunta inevitável: por que deixou o Judas Priest?

Al Atkins: O motivo principal foi o fato de eu ser o único integrante, na época, casado e ter uma filha para sustentar. E simplesmente não estávamos fazendo dinheiro o suficiente. Quanto mais conhecidos ficávamos, mais deixávamos que isso subisse as nossas cabeças. Então sempre acabávamos com pouca ou sem grana nenhuma. Decidi então pegar um "emprego normal" para pagar minhas contas.

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Há rumores que você tenha dito que "essa banda não vai a lugar algum" ao deixar o Judas. Você confirma isso?

Al Atkins: Realmente disse algo do tipo quando deixei a banda. Isso porque, após quatro anos de trabalho duro, ainda não conseguíamos um contrato com uma gravadora grande. A maioria das bandas com quem tocávamos, como Thin Lizzy e Slade, já havia despontado. Mesmo quando Rob Halford entrou no meu lugar demorou mais um ano para que assinassem com a Gull Records, e isso foi sob a condição de adicionar mais um guitarrista na banda (Glenn Tipton). Mas, depois de muito trabalho duro e um pouco de sorte, eles conseguiram o devido reconhecimento ao assinar com a CBS alguns anos depois.

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Juntamente com KK Downing você fundou o Judas Priest. Inclusive, o nome foi tirado de sua antiga banda, The Ballad Of Frankie Lee And Judas Priest (que é uma música de Bob Dylan). Vocês ainda são amigos?

Al Atkins: O Judas Priest, na verdade, começou em 69 com uma formação diferente. Era eu no vocal, Bruno Stapenhill no baixo e John Partridge na bateria. O Bruno é quem veio com a idéia tirada dessa canção do Bob Dylan. O KK fez uma audição para o posto de guitarrista após John Perry ter cometido suicídio aos 18 anos de idade, mas ele não conseguiu a vaga. Cheguei até Ernie Chataway, de Birmingham, que nos disse que ele havia acabado de fazer uma jam com uma banda chamada Black Sabbath. Gostamos do nome deles e Judas Priest seguia a mesma veia. Quando esta banda se dissipou um ano depois, formei a "versão oficial" com KK Downing e Ian Hill. Tocamos juntos até eu deixar a banda em 73 (mais informações poderão ser encontradas no meu livro "Dawn Of The Metal Gods", que sairá no ano que vem). Ainda falo com o Ian Hill uma vez ou outra.

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Você gosta do vocal do Rob Halford? O que acha do Ripper Owens?

Al Atkins: O Halford tem um alcance vocal único, além de uma ótima presença de palco. Gostei da voz do Ripper e acho que ele fez um ótimo trabalho no Judas até a volta de Rob. O Ripper teve muita coragem de assumir aquela posição e é um cara gente fina.

Você chegou a gravar algo ao lado do Judas Priest?

Al Atkins: Infelizmente gravei somente algumas demos com eles. Ainda tenho as fitas, de acetato de celulose, originais de algumas gravações, incluindo duas que escrevi: "Holy Is The Man" e "Mind Conception". Ouvi dizer que valem um bom dinheiro...

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Quem são seus cantores favoritos?

Al Atkins: Há tantos vocalistas que admiro... Não sei por onde começar. Mas imagino que os que me influenciaram mais são Paul Rogers (Free) e Robert Plant (Led Zeppelin). Outros que gosto são Bruce Dickinson, Rob Halford e Dio.

Em quais outras bandas você tocou apos deixar o Judas Priest? Tem alguma preferida?

Al Atkins: Após deixar o Judas formei uma banda chamada Lion, que foi uma das minhas bandas favoritas. Tinha o Bruno de novo no baixo, Harry Tonks na guitarra e Pete Boot, do Budgie, na bateria. Excursionamos constantemente de 74 a 78 até que decidimos nos separar. Também tínhamos uma ótima equipe e nosso engenheiro de som, na época, Mick "Zoom" Hughes, tem trabalhado com o Metallica nos últimos 18 anos.

O primeiro álbum de sua carreira solo, "Judment Day", foi lançado em 90. Como você vê o desenvolvimento da banda através dos anos?

Al Atkins: Desde meu primeiro álbum solo "Judment Day" acho que a música completou um ciclo. Após ouvir o disco "Angel Of Retribution", do Judas, tenho a mesma opinião sobre eles. Algumas das canções poderiam estar em "Sad Wings Of Destiny" tranqüilamente.

"Victim Of Changes" é, sem dúvida, uma das melhores canções do Judas Priest. Quem realmente escreveu essa música?

Al Atkins: "Victim Of Changes" originalmente era uma música que escrevi chamada "Wiskey Woman". Após sair do Judas, o Rob entrou na banda e trouxe algumas de suas composições. Um delas se chamava "Red Light Lady", que também falava sobre uma mulher "acabada". A banda resolveu unir as duas e assim nasceu "Victim Of Changes". Minha idéia inicial veio após ouvir "Black Dog", do Led Zeppelin, onde tem o vocal intercalado com cada riff. Ouvi dizer que o Led, por sua vez, tirou a idéia de uma música chamada "Oh Well", do Fleetwood Mac. Engraçado como as coisas se desenrolam...

Planeja lançar um álbum ao vivo no futuro?

Al Atkins: Na verdade, tenho conversado com uma gravadora na Alemanha sobre isso. Gravaremos pelo menos três canções ao vivo quando tudo estiver acertado.

Você conhece muita gente do NWOBHM. Gosta também das bandas atuais? O que acha da cena metal hoje em dia?

Al Atkins: Verdade. Tenho muitos amigos de bandas da NWOBHM. Mas sim, acho que algumas das bandas novas estão arrebentando! Qualquer coisa que leve a bandeira do metal está bom para mim.

Tem algum plano de vir tocar no Brasil?

Al Atkins: Ainda não temos nenhum plano de ir tocar no Brasil, mas gostaríamos muito de poder fazê-lo. Espero que algum promotor leia esta entrevista...Obrigado!


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