Tihuana: a dedicação supera as dificuldades
Postado em 08 de fevereiro de 2004
O grupo, que passou por alguns obstáculos no início de sua carreira, vem conquistando seu espaço no rock nacional e prepara seu quarto álbum
Por Lilian Vituzzo
Hoje, o pessoal que acompanha o rock nacional já está familiarizado com o som do Tihuana. Dono de vários hits e participações em festivais como o Rock in Rio, o conjunto vem conquistando seu espaço no cenário e lançando seus álbuns sempre por gravadoras multinacionais. Extensas turnês pelo País e aparições freqüentes em programas de tevê tornaram-se fatos comuns na carreira do grupo, que está preparando para este ano seu quarto trabalho. Mas nem sempre foi assim.
A falta de espaço para o rock na mídia fluminense mobilizou os quatro amigos e músicos – Paulo Guilherme (baterista), Román (baixista), Baía (percussionista e vocais) e Léo (guitarrista) – a se mudarem para São Paulo com a finalidade de divulgarem a antiga banda chamada Ostheobaldo e o sonho de viverem de música. Em 99, já na capital paulista, com o fim do grupo, surgiu uma outra dúvida entre os amigos: buscar o sonho ou a volta frustrante para o Rio de Janeiro. Nesse intervalo de tempo, os músicos conheceram o vocalista Egypcio, em uma feira de surfe em São Paulo.
Egypcio chamou a atenção de PG (Paulo Guilherme), que achou bacana o vocal e o jeito dele cantar. Entraram em contato com o vocalista e começaram a gravar músicas até formarem uma demo. Com apenas seis canções prontas, a banda batizada de Tihuana conquistou seu primeiro contrato pela gravadora multinacional Virgin, cujo álbum de estréia chamado Ilegal fora lançado.
"Tudo o que não tínhamos conseguido com nossas bandas anteriores, conseguimos com o Tihuana. Obtivemos ótima aceitação da galera, da gravadora, ganhamos Disco de Ouro, tocamos no festival Rock in Rio e no País todo. Foi uma surpresa tanta aceitação logo de primeira", exalta o baixista Román.
Em 2001, lançaram o segundo CD, A Vida nos Ensina, pela gravadora EMI. O sucesso se repetiu: hits do primeiro álbum como "Pula", "Ilegal", "Na Praia Nudista", "Clandestino", "Tropa de Elite" e "Eu Vi Gnomos" ainda tocavam incessantemente nas rádios e paradas da MTV juntamente com os novos sucessos da banda. Emendaram a turnê do primeiro trabalho no segundo, se apresentaram no Japão e, quando voltaram ao Brasil, já se preparavam para a produção do terceiro álbum, Aqui ou em Qualquer Lugar, produzido por Rick Bonadio e Rodrigo Castanho, lançado ano passado pela Sony Music.
A média da banda é de um CD produzido por ano e seqüenciais turnês. "Com apenas um ano de turnê desse disco já fomos para o Nordeste e lugares que nunca havíamos tocado no Brasil. São quase 300 shows realizados! Tocar ao vivo e divulgar nosso som são as duas coisas que mais gostamos de fazer!", relata o baterista PG. Sobre a sucessiva troca de gravadoras, Román explica: "Sair da Virgin foi alheio à nossa vontade. Aí, nos sentimos um peixe fora d’água e pedimos para sair da EMI. A gravadora nos liberou numa boa e ficamos uns sete meses sem gravadora até aceitarmos a proposta da Sony. Nesse intervalo, produzimos o nosso terceiro álbum. Já tínhamos o álbum pronto quando assinamos o contrato."
Já comentando o próximo CD, os músicos garantem que gostam de colocar tudo aquilo que estão fazendo e compondo naquele momento, motivo pelo qual finalizam um trabalho sempre diferente do outro.
"Cada um está em casa fazendo um pouco do disco, formando uma melodia, criando uma letra... Estamos tranqüilos, tudo está fluindo para esse novo trabalho", conta Román.
Logo após o quarto álbum ficar pronto, a banda entrará em turnê e divulgação novamente. Aliás, sobre divulgação, atualmente a tevê aberta está com um restrito espaço a programas musicais onde as bandas possam tocar ao vivo e divulgarem suas idéias.
"Antigamente, tínhamos vários programas legais que as bandas tocavam ao vivo e eram entrevistadas. Hoje esse número caiu em 90%", desabafa o percussionista Baía. "A pirataria está quebrando a todos. As gravadoras estão sem dinheiro justamente pela fraca vendagem e os artistas em geral têm sofrido com isso", afirma Román.
Nesse quesito pirataria, os meninos têm sido inteligentes e fazem a parte deles perante os fãs vendendo os CDs através do site da banda (www.tihuana.com.br) por um preço bem especial e entregues em todo o País. "Vendemos nossos discos em nosso site e nos shows por um preço bem acessível. É uma forma de passarmos por essa tempestade. O CD chega na casa da pessoa e , se ela pedir, enviamos autografados e com adesivos. É uma maneira de estreitarmos os laços com nossos fãs e combatermos a pirataria", resume Román.
Comando Rock
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