Lauren Harris: Filha De Peixe...

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Por Paula Fabri
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Filha de Steve Harris faz sua estréia no mundo da música com "Calm Before The Storm", mas focando no hard rock em vez do heavy metal que consagrou seu pai.

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O ditado "filho de peixe peixinho é" é bastante antigo, assim como o costume de se seguir a profissão dos pais. E o dito popular pode ser comprovado nos mais diversos casos, indiferente da carreira em si. Mas a vocação e os genes do filho são colocados à prova quando o trabalho de seu progenitor tem a ver com o público, fazendo com que a platéia que verá seu sucesso ou fracasso seja bem grande.

Esse é o caso da jovem Lauren Harris. Inglesa de nascimento, a cantora de 24 anos é filha de ninguém menos que Steve Harris, baixista e fundador de uma das maiores bandas do metal mundial, o Iron Maiden.

Faz cerca de quatro anos que Lauren decidiu seguir os passos de seu bem sucedido pai e encarar os genes musicais que lhe foram passados. Sem negar em momento algum suas raízes e contando com a ajuda do progenitor, a moça montou seu próprio conjunto composto por Richie Faulkner (guitarra), Randy Gregg (baixo) e Tom McWilliams (bateria). Agora, acaba de lançar seu debut, um disco diretamente influenciado pelo hard rock, "Calm Before The Storm".

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Sem pretensões de alcançar os mesmos resultados que o seu pai, a cantora diz querer apenas poder fazer o que a faz feliz, isto é, estar no palco. Nesses anos que vem se preparando para sua grande estréia, a vocalista vem aos poucos mostrando seu trabalho, mas sempre acompanhada de grandes nomes, tendo aberto shows para Alice Cooper, a banda holandesa Whitin Temptation e já ter excursionado com o Iron Maiden – inclusive abrindo as apresentações do conjunto inglês no Brasil no começo deste ano.

A seguir você confere a entrevista concedida por Lauren a Comando Rock, onde falou sobre seu primeiro álbum, como foi trabalhar com o pai (que, além de tocar, produziu o disco), os shows que abriu para o Iron, entre muitas outras coisas.

Comando Rock: "Calm Before The Storm" é seu primeiro disco. Como foi a experiência de criar esse trabalho?

Lauren Harris: Incrível. Foi algo totalmente novo para mim. Foi minha primeira experiência e eu tinha muitas expectativas. O disco foi gravado em duas partes e cada uma para mim representa um momento. A primeira parte gravei em Miami, onde estava me apresentando em pequenos clubes. A segunda, gravei em casa, em Londres, cerca de seis meses depois.

Quando resolveu gravar o disco, tinha alguma idéia de como queria que ele saísse?

Lauren Harris: Sim, queria basicamente um disco de rock. Algo direto que reflita as coisas que cresci ouvindo, como hard e classic rock.

Queria que falasse um pouco sobre as canções do disco.

Lauren Harris: Não compus todas as músicas do disco, mas escrevi algumas delas com a ajuda dos caras da banda, principalmente o Tommy, que também produziu o CD. Elas falam sobre as coisas pelas quais estava passando na época em que fiz o disco e a maioria delas é baseada em relacionamentos.

Você sempre escreveu ou isso também foi uma novidade? E como foi essa experiência?

Lauren Harris: Foi a primeira vez e foi algo bem assustador no início. Sempre escrevi coisas desde muito nova, mas nada com a intenção de fazer música. Eram idéias, coisas que achava bobas depois e nunca mostrei para ninguém. Tommy, que tem muita experiência com isso, foi como um guia durante todo o processo. Como não toco nada, me foquei, com a ajuda deles, na criação das melodias.

Como foi que chegou aos músicos que fazem parte da banda que te acompanha?

Lauren Harris: A idéia inicial quando montei essa banda era encontrar pessoas que já tivessem experiência para que me ajudassem no palco, já que sou nova nisso. Tommy co-produziu o disco e entrou na banda por acaso. O trabalho dele veria terminar com o álbum, mas ele gostou realmente de trabalhar com a gente, então acabou ficando na banda. Richie é amigo do meu pai há anos e sempre tocou classic rock, é muito influenciado por Hendrix e a entrada dele foi perfeita, assim como Randy!

Além de tocar baixo em algumas das faixas do disco, seu pai ainda co-produziu o disco. Como foi para você trabalhar com ele?

Lauren Harris: Incrível. Falando sobre o ponto de vista de artista, me senti muito honrada com a oportunidade de tê-lo trabalhando comigo. Ele não costuma trabalhar com muitos artistas e ter a aprovação dele em um trabalho meu é muito bom. Além de que foi muito divertido trabalharmos juntos.

Durante o tempo em que ficaram em estúdio ele chegou a dar dicas para você?

Lauren Harris: Sim, claro. Era minha primeira vez gravando e ele, além de ótimo músico, sabe muito bem o que faz quando se trata de trabalho, então essa experiência também foi muito educativa.

Pretende repetir essa parceria no futuro?

Lauren Harris: Talvez. Se ele quiser acho que seria ótimo. Ainda mais porque o novo disco provavelmente será mais pesado do que o primeiro.

Durante a criação do disco houve algo que você ouviu especificamente para esse álbum?

Lauren Harris: Não ouvi nada em especial além das coisas que estou acostumada a escutar. Gosto de bandas antigas como Def Leppard, Heart, Bad Company. Coisas bem old school como Aerosmith.

Li que antes de se lançar como cantora você era muito tímida. Como é hoje para você subir no palco e cantar na frente de grandes públicos?

Lauren Harris: Realmente, quando mais nova, era muito tímida. Quando estava na escola, fazia parte do coro e quando estava cantando em um concurso tive um branco e não consegui lembrar da letra. Morri de vergonha e isso me marcou muito. Me sinto mais nervosa em tocar em lugares pequenos do que em grandes, porque nos grandes você não consegue ver as pessoas direito (risos).

Como foi que superou esse problema?

Lauren Harris: Não sei realmente. Acho que é algo que se perde com o tempo, fazendo e ganhando experiência. Por isso que montei uma banda com músicos experientes, assim podia contar com profissionais para me ajudar nesse momento. Mas, com o passar do tempo, a confiança vai aumentando naturalmente.

O que seu pai achou da idéia de você seguir os passos dele? Ele te apoiou desde o início?

Lauren Harris: Gostou muito e tanto ele quanto a minha família toda tem me apoiado desde que tomei essa decisão.

A maioria das vezes, filhos de artistas quando resolvem seguir a mesma carreira dos pais acabam entrando no mundo da música muito cedo. Tentar algo na música era algo que você buscava há muito tempo?

Lauren Harris: Por conta da minha timidez era algo que não pensava até pouco tempo atrás, mas fui percebendo que era o que realmente queria fazer e tive de superar isso. E tenho certeza de que as coisas estão dando certo, porque estou fazendo com vontade e me senti preparada para dar um passo como esses.

Creio que quando se tem como pai uma figura tão importante no mundo musical seja algo intimidante quando se decide trabalhar no mesmo meio. Você sente algum tipo de pressão pelo fato de ser filha do Steve Harris e por conta do sucesso que ele alcançou com o Iron?

Lauren Harris: Um pouco, por isso tento não pensar nisso. Ele está trabalhando há mais de 25 anos e o tamanho do sucesso que o Iron Maiden conseguiu é absurdo. Estou começando agora e nunca pensei em competir com isso de alguma forma.

Li que seu primeiro grande show ocorreu no mesmo lugar onde você, quando bebê, deu seus primeiros passos. É verdade? Aonde foi isso e qual a sensação?

Lauren Harris: Sim, meu primeiro grande show foi quando abri para o Alice Cooper e foi em Budokan, em Tókio, no Japão. Foi lá, quando o Iron estava fazendo seus primeiros shows no Japão, que dei meus primeiros passos no backstage. É um lugar que marcou a minha vida quando pequena e novamente agora adulta, então com certeza foi algo muito importante para mim.

Já excursionou com grandes bandas e por um período foi a atração de abertura para o Iron Maiden. Qual a sensação de abrir para eles?

Lauren Harris: Inacreditável. Não por ser a banda do meu pai, mas por ser um dos maiores grupos de rock de todos os tempos. Entendo muito bem o privilégio que tenho de poder me apresentar no mesmo palco que eles e sei que tem muita gente que sonha com isso e não tem a oportunidade de fazer. Sei que tenho sorte por ter o pai que tenho, mas ao mesmo tempo sei que é só até aí que a influência dele pode me levar. O restante tenho de fazer sozinha.

Durante parte da turnê que você abriu para o Iron, a banda passou por aqui. Como foram os shows que você fez aqui no Brasil?

Lauren Harris: O público brasileiro de fato é muito passional e, mesmo não sendo a atração principal, as pessoas responderam muito bem a minha música. É definitivamente um lugar onde adoraria poder voltar.

O mundo do rock ainda é considerado um mundo dos homens, onde poucas mulheres têm seu trabalho realmente levado a sério. Como vê isso?

Lauren Harris: Realmente os homens são maioria, mas acredito que hoje em dia estejam mais receptivos ao trabalho de mulheres nos meios deles. Posso ver isso após ter excursionado com o Whiting Temptation, que tem Sharon nos vocais e é muito respeitada pelo trabalho que faz no grupo.

A partir do momento em que começou a cantar, as pessoas passaram a te ver de forma diferente?

Lauren Harris: Sim. Faz pouco tempo que comecei a cantar profissionalmente, montei minha banda e saí fazendo shows, mas as pessoas já reconhecem o meu trabalho e tem me chamado pelo meu nome e não apenas como filha do Steve Harris (risos). Sei que isso sempre irá acontecer, afinal de contas é um vinculo que nunca será desfeito, mas é bom ver que as pessoas te vêem mais do que um título.

Vi na Internet algumas matérias falando de uma foto tirada em um show onde seu peito aparecia acidentalmente. Imagino que seja algo bastante constrangedor, ainda mais para uma pessoa tímida. Como você lidou com isso?

Lauren Harris: Isso foi realmente um momento embaraçoso e foi algo que nem percebi acontecendo. Depois disso deixei de usar blusinhas daquele tipo e acho que é mais uma coisa que você acaba aprendendo, mas não deixei que esse episódio em si se tornasse maior do que foi. Caso contrário não teria nunca mais coragem de subir em um palco novamente. Simplesmente esqueço o assunto e faço o que tenho de fazer, que é cantar.

Que você de certa forma conseguiu coisas por ser filha de quem é, é um fato, mas tem um lado negativo para essa mesma situação?

Lauren Harris: Claro. Da mesma forma que consegui ser a atração que abria os shows do Iron Maiden, vejo que há pessoas que não querem me ouvir por saber quem é meu pai e acha que as coisas ficam por aí. Por isso trabalho duro para provar para essas pessoas que estou aqui para fazer música de verdade.

E quais são os seus planos para o futuro? Algo sobre um novo lançamento?

Lauren Harris: A turnê acabou em agosto, então terei um tempinho para descansar. Mas creio que voltarei a tocar em breve quando iremos a Europa no final do ano. Na verdade, já começamos a pensar nas coisas do novo disco. Temos passado muito tempo na estrada e temos usado isso para ir conversando sobre como as coisas irão ser. Ainda não temos nada marcado, mas provavelmente entraremos em estúdio no início do ano que vem.


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