Gloria: trabalho em que o peso vai de encontro à melodia

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Por Paula Fabri
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Conjunto deixa o underground, estréia no mainstream com seu terceiro disco, "Gloria", trabalho no qual o peso vai de encontro com a melodia.

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Democratização de informação é o que mais se fala da Internet nos dias de hoje. Se mostrando o meio mais completo de comunicação, a rede mundial de computadores é um nicho perfeito para ver e mostrar o que quer que seja. Mas é a área musical que parece mais afetada com cada novo site ou forma de troca de arquivo. Por um lado temos as gravadoras que sofrem com a queda na venda de discos e buscam soluções alternativas para diminuir o estrago que o download ilegal faz neste mercado. Por outro vemos novos artistas e bandas disponibilizando músicas de graça como forma de divulgação de seus trabalhos e redes sociais para angariar admiradores e fã clubes.

No final das contas, estas pequenas ações têm feito com que a relação entre artista e fã fique cada vez mais próxima e a popularidade de nomes que nunca teriam uma chance sem a web.

Como muitas bandas novas foi assim que o Gloria foi conquistando seu espaço. Sem apoio de uma multinacional, o conjunto, formando em 2002, usou sites como MySpace, Okut e Fotolog como link para conhecer e ser conhecido por fãs do Brasil inteiro. E a estratégia deu certo, fazendo com que, seis anos após ser formada, a banda assinasse com a Arsenal. Integrado por Mi (vocal), Elliot (guitarra), Peres (guitarra), Fil (bateria) e Johnny (baixo), o conjunto lança agora seu terceiro disco, primeiro por uma gravadora, "Gloria".

O grupo tem como principais influências nomes como Pantera, Lamb of God e Slipknot e, muitas vezes, tem seu som descrito como screamo ou pós-hardcore, por conta da mistura que faz entre o peso (metalcore), os vocais gritados (hardcore) e a melodia (emocore).

A seguir leia a entrevista que a banda concedeu a Comando Rock, na qual falou sobre o lançamento de "Gloria", as gravações do disco, as participações especiais, como é não ser mais independente e muito mais.

Esta matéria foi publicada na edição 58 da revista Comando Rock
Esta matéria foi publicada na edição 58 da revista Comando Rock

Comando Rock: Antes de "Gloria", vocês já haviam lançado dois álbuns de forma independente. Queria que contassem como foi a experiência de fazer e gravar este álbum e comparassem ambas experiências em estúdio.

Gloria: Todo o processo de criação desse novo CD foi legal. Antes mesmo de assinar o contrato este material já estava pronto, só não tínhamos gravado. Se rolou alguma mudança pós-contrato em qualquer uma das músicas foi muito sutil. Tivemos muito tempo para compor e finalizar tudo. Quando entramos em estúdio a coisa fluiu muito bem. A bateria foi gravada em um dia e o baixo também. Tudo estava muito bem definido. Já comparar as gravações é algo muito complicado. São fases diferentes, cabeças diferentes, estúdios diferentes, estruturas diferentes... Mas cada um teve sua importância, é claro!

Apesar de dizerem que o som continua sendo o mesmo, há sempre alguns aspectos nos quais as diferenças entre ser independente e ter uma grande estrutura na hora de gravar se destacam. Quais as maiores diferenças entre este disco e os dois passados?

Gloria: A maior diferença começa pela formação do grupo, que mudou bastante, já que três dos cinco integrantes são "novos" no "Gloria". Outro ponto forte foram as influências, que mudaram bastante desde o primeiro álbum. A estrutura de uma grande gravadora com certeza assusta quando o trabalho começa, mas, na realidade, só vem a somar. Toda a equipe tanto na gravação do CD quanto a que trabalha no escritório está ali para ajudar e conseguir o melhor que podemos oferecer.

Queria que falassem um pouco sobre cada faixa que compõe o repertório do álbum.

Gloria: O CD começa com "Anemia", uma música forte, pesada que uma boa parte dos fãs já conhecia. "Minha Paz" é o primeiro single do CD e a primeira canção que foi composta com essa formação. Mistura peso e melodia. "Tudo Outra Vez", com certeza, é a faixa mais diferente do "Gloria", onde tentamos misturar elementos do rock, blues e sua a letra foi feita pelo nosso amigo Marlos Vinicius. "Asas Fracas", a única regravação desse disco, já é conhecida pelos fãs e não poderia ficar de fora do repertório. "Agora É Minha Vez" é uma das mais agressivas do álbum, com berros do começo ao fim, uma letra forte e direta. "É Só Você Lembrar" foi composta em parceria com Gee Rocha do NX Zero e isso trouxe uma cara mais pop para música. "Me Tira Daqui" foi composta por um grande amigo nosso e também traz uma mistura de elementos novos. "Tirar Você De Mim" é uma canção mais rock'n'roll, com influências hard rock. "Inimigo Do Tempo" entrou de última hora, tendo sido a última música composta para esse CD. A letra ficou por conta do nosso amigo Koala do Hateen. "Vai Pagar Caro Por Me Conhecer" mistura elementos agressivos e melodias marcantes. "Diferente De Você" é outra faixa agressiva, com letra bem política. "Sua Canção" teve a letra e música escritas pelo nosso amigo Tavares (do Fresno) e é uma balada rock! "Quando Tudo Terminar" é bem rápida e direta, com uma pegada mais hardcore. "No Dia Em Que Deixei Você Vencer", música com influência de metal melódico, explora um lado novo para o Gloria e a letra foi escrita pelo Lucas e Tavares do Fresno.

E qual o critério para escolher as faixas que entraram no disco? Como vocês disseram algumas dessas canções foram escritas por outros músicos. As faixas que não foram escritas por vocês foram "encomendadas" ou presentes dos amigos?

Gloria: Sentamos com o Rick Bonadio e escolhemos as melhores faixas. No caso de "Quando Tudo Terminar", "Diferente De Você" e "Inimigo Do Tempo" já tínhamos a música pronta, mas sem nenhuma letra, por isso escolhemos o Koala para fazer esse papel. A mesma coisa aconteceu com "Vai Pagar Caro Por Me Conhecer" e "No Dia Em Que Deixei Você Vencer", dessa vez os encarregados pela composição foram Lucas e Tavares do Fresno. "Sua Canção" foi um presente do Tavares. Já "Tudo Outra Vez" e "Me Tira Daqui" são do nosso amigo Marlos Vinicius.

Como funciona o processo de composição? Tem alguém que fica encarregado de dar início a uma música?

Gloria: Não, é uma coisa bem natural. Nós cinco nos reunimos e compartilhamos idéias, criando e estruturando cada uma das músicas.

As letras do Gloria são baseadas em sentimentos. São composições que parecem muitas vezes desabafos. Desde que o "emo" alcançou o grande público, muita gente torce o nariz para esse tipo de letra. Como acabar com esse tipo de preconceito que as pessoas criaram?

Gloria: Soa clichê, mas nossas composições são como um reflexo do nosso dia-a-dia, do que vivemos. Cabe a cada um interpretar isto da maneira que quiser.

O disco conta com algumas participações especiais, como Tavares do Fresno tocando piano e fazendo as programações de algumas faixas. Além de ter os produtores do disco, Rick Bonadio e Paulo Anhaia, também tocando alguns instrumentos. Como foi que surgiu a idéia de chamar pessoas de fora da banda para participar das gravações?

Gloria: Todas essas parcerias surgiram de forma casual, pois sempre estávamos juntos e assim as idéias foram surgindo.

Antes de tocar no NX Zero, o guitarrista Gee Rocha fez parte do Gloria durante um certo tempo. Como é a relação dele com o grupo hoje e qual foi o peso dele na contratação do grupo pela Arsenal Music?

Gloria: O Gee é amigo da banda toda faz tempo e a gente sempre está junto nos rolês! Ele sempre mostrou nosso trabalho para o Rick, assim como o Lucas do Fresno que indicou o Gloria para abrir um show dando início a essa história.

Assim como no CD do NX Zero, Gee ficou responsável pelo projeto gráfico e direção de arte deste álbum. É bom contar com alguém que conhece a banda há muito tempo nada hora de dar uma cara ao disco?

Gloria: É ótimo, até porque ele não cobrou nada (risos)! Brincadeira! Mas é ótimo mesmo, pois ele já conhecia a gente há muito tempo e sabia o que queríamos.

Normalmente músicos não gostam de ter seu trabalho rotulado, mas isso acontece até porque é sempre bom se ter uma referência quando se trata de uma banda nova. E pensar em um nome no qual o Gloria se encaixe perfeitamente é complicado por conta das diversas referências musicais. Se tivessem de simplificar o som que fazem, qual seria esse "título"?

Gloria: Emo from Hell da quebrada (risos)!

Antes de assinar com a Arsenal, o Gloria já vinha construindo um nome no meio independente e conquistou um bom público. Nesse mesmo cenário acontece um certo preconceito com grupos que ultrapassam a barreira da independência e assinam contrato com uma gravadora. Vocês acham que os fãs continuarão apoiando a banda da mesma forma?

Gloria: Fã que é fã sempre vai gostar, entender a proposta, ver a evolução do conjunto.

Cada vez que a Arsenal pega um artista de renome no meio independente e lança no mainstream acontecem comparações. Isso aconteceu com o CPM22, NX Zero, Fresno. Esse tipo de relação entre vocês e estas bandas é feito apesar da diferença sonora? Se sim, como lidar com isso?

Gloria: Com o Gloria acontece muita comparação, mas não pelo som que tocamos, mas pelo nosso circulo de amizades. Todo mundo sabe que somos amigos da galera do NX Zero e Fresno. Com o CPM 22 a comparação é um pouco diferente, na época o CPM foi uma novidade, não existia uma banda igual a eles no mainstream, o mesmo acontece hoje com o Gloria. A gente lida com isso na boa, sem problema algum.

Ainda falando sobre a gravadora, os artistas que assinam com a Arsenal parecem passar por algumas etapas similares durante a criação de um disco, como se fosse um processo de adaptação a um novo esquema de trabalho. Como sessões de fonodiologia, que aconteceu no caso de vocês, assim como no do NX Zero e Fresno. Além de contar com o envolvimento dos mesmos profissionais, como produtores, em diferentes projetos. Vocês acham que a maneira deles trabalharem as bandas, essa estrutura pode de alguma forma acabar padronizando o produto final? A lapidação em excesso pode fazer com que as coisas acabem soando parecidas de mais, apesar das diferenças de cada conjunto?

Gloria: Acho que não. A única coisa que acredito que eles façam de forma "padrão" é extrair o melhor de cada artista ou banda, porque de resto não acredito que sejam coisas para padronizar e sim para ajudar. Afinal as bandas saem de um cenário onde é cada um por si, "do it yourself" total e entram em uma cena profissional, então o tratamento passa a ser profissional também.

Hoje, por conta da "democratização" da informação que a Internet proporciona, podemos ver artistas de diferentes vertentes trilhando o caminho inverso do costumeiro. Isto é, fazendo sucesso primeiro no mundo "virtual" para depois assinar com uma gravadora. Isso aconteceu com o Gloria... Vocês seguiam alguma fórmula na hora de divulgar a música ou entravam em todos os sites que viam pela frente? Qual o passo mais importante para fazer com que sua música seja escutada?

Gloria: Tem de saber usar a Internet, porque da mesma forma que ela ajuda também pode atrapalhar bastante. Isto é, tem de saber usar sem ser chato, sem forçar as pessoas. O segredo é divulgar em todos os lugares possíveis, sites, Orkut, MySpace, Fotolog, mas também unir isso ao trampo fora da Internet, que é tocando. Hoje em dia existem conjuntos que não tem uma música gravada, mas já tem fã-clube. Isso aí é passageiro, acaba não dando em nada. Por isso tem de trabalhar mesmo, muita gente acha que música é moleza. Até é moleza se você não tem a pretensão de crescer.

Faz apenas cinco anos desde o primeiro lançamento do Gloria, "O Fim É Uma Certeza". Hoje, tendo assinado com uma grande gravadora, as coisas parecem mais encaminhadas. Vocês imaginavam que estariam onde estão naquela época?

Gloria: Acreditar a gente sempre acreditou, mas imaginar que assinaríamos um contrato com o maior produtor do Brasil, na maior gravadora, isso não! Acho que ninguém imaginava, não só a gente, como todas as pessoas que conhecem o Gloria.

Durante esses anos de estrada a banda passou por muita coisa, como diferentes formações, viagens por boa parte do País fazendo shows. Nesse período quais foram os momentos (um bom e um ruim) que mais marcaram o conjunto?

Gloria: Daria para contar muitos aqui, bons e ruins. Ruins são as dificuldades que os conjuntos passam quando fazem parte da cena underground, sem comida, sem lugar para dormir, contratante caloteiro etc. Momentos bons, diria que ver o álbum na loja, ouvir a música nas rádios, gravar um clipe, tocar em casas de shows que a gente sempre foi assistir outros conjuntos e nos ver tocando naquele mesmo palco.


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