Matérias Mais Lidas

imagemA bizarra exigência de Ace Frehley para participar da última turnê do Kiss

imagemMax Cavalera revela como "selou a paz" com Tom Araya, vocalista do Slayer

imagemMax Cavalera diz quais foram os dois discos mais difíceis que já gravou

imagemO álbum do The Who que Roger Daltrey achou "uma m*rda completa

imagemVital, o ex-Paralamas que virou nome de música e depois foi pro Heavy Metal

imagemEngenheiros do Hawaii e as tretas com Titãs, Lulu Santos, Lobão e outros

imagemPink Floyd: Gilmour nega alegação de Waters sobre "A Momentary Lapse of Reason"

imagemLobão explica porquê todo sertanejo gostaria, no fundo, de ser roqueiro

imagemO grave problema do refrão de "Eagle Fly Free", segundo Fabio Lione

imagemAndreas Kisser conta quais os dez álbuns que mudaram a sua vida

imagemRegis Tadeu explica porque Ximbinha é um dos melhores guitarristas do Brasil

imagem"Stranger Things" traz cena com "Master of Puppets", do Metallica

imagemAlice Cooper diz que em sua equipe "todo mundo é tratado como a banda"

imagemPink Floyd: Suas 10 músicas mais subvalorizadas, segundo a What Culture

imagemHalford relembra o dia que caiu em pegadinha armada por Tony Iommi e Geezer Butler


Stamp

On The Road: Pancadão Hendrixniano

Por Cláudio Vigo
Em 04/07/01

Você sabe o que é um pancadão? Pois é, podia ficar aqui por páginas e páginas explicando, mas com certeza será desnecessário. Os sintomas físicos são a boca aberta, o olho esbugalhado naquele estado de "quequeisso mermão" onde só se consegue dizer: "É isso, é isso aí". Tomar um pancadão é ter a certeza da descoberta de um dos umbigos do mundo. Você pode chegar por aí em vários atalhos. Tomei um esta semana (tinha tempo que não rolava) que tenho que compartilhar. Vamos nessa?

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Chegou por aqui esta semana um pacotinho vindo da distante Zurich, que trazia três cds enviados por um amigo naquela de "ouça e alopre". Não conhecia nenhum deles mas um me chamou especial atenção, era uma homenagem a Jimi Hendrix feita por uma banda tecno inglesa chamada "Beautiful People". O nome da bolachinha prateada era sintomaticamente: If 60's were 90's e coloquei para ouvir imediatamente.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Estava neste dia num tremendo mau humor e transbordando de tédio e já na primeira faixa bateu legal! Caramba, os caras pegaram o próprio som do Mestre dos mestres e samplearam, modificaram, acrescentaram e colocaram um molho que ficou sensacional. Antes que os puristas saiam me chamando de gagá e herege, acrescento e explico: Não é Hendrix, que é inimitável e perfeito, mas não deixa de ser. Sei lá, ficou bom demais.

Du Kane e Luke Baldry (os responsáveis pela aventura) tiveram acesso através do detentor dos direitos na época (1992) Alan Douglas a todo o material (inclusive inédito) deixado por Hendrix e armados de samplers e toda a tecnologia disponível na época levaram 18 meses retrabalhando as bases e enxertando um vocal aqui, um solo acolá em uma cama eletrônica altamente viajante - lisergia perde. Os dois antes de virarem músicos eram figura de proa da cena rave londrina do inicio dos 90 e devotos da memória dos acid tests de Ken Kesey: "Os acid Tests foram as primeiras raves da história" mandou Du Kane em uma entrevista.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Daí em diante o pancadão foi iminente. Conheço inúmeros discos homenagens a Hendrix, tenho vários, mas na maioria das vezes ou se fica com uma vontade insuportável de ouvir o original ou a clonagem é escandalosa. Ficar vendo quem toca mais parecido é decepcionante e por que não dizer um pouco ridículo. Parece aquele sósia de Elvis, dá muita tristeza. Alguns destes clones são irritantes (Frank Marino) outros bem legais (Robin Trower), mas ao ouvir o próprio Jimi reciclado de maneira genial só nos resta abrir a boca, esbugalhar os olhos e dizer: É isso aí, É isso aí...

Ouvir este disco trás aquela interminável conversa fiada de o que estaria fazendo Hendrix se estivesse vivo. Muitos já disseram que estaria fazendo Jazz, outros que estaria caminhando na época para o Progressivo, a discussão é bocó e estéril, pois qualquer bobagem ganha clima de premonição nestes casos. Não é nada disso que falo quando elogio este disco, apenas achei muito legal a experiência dos caras. Ao invés de ficar no baticum eletrônico pegaram um dos grandes, se não o maior músico do século e ousaram homenagear mantendo o clima e não clonando.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal


Miles Davis (outro gigante) adorava Jimi Hendrix. Dividiu uma namorada com ele num triângulo amoroso cheio de ciumeiras e barracos típicos deste tipo de situação. O nome da diva era Betty Marble e pode ser vista na capa de "Filles on Kilimanjaro" de Miles. Inventor de mais da metade da sonoridade do século e grande vetor de novidades, Miles também tomou o famoso pancadão quando ouviu a música de Jimi pela primeira vez apresentado por Betty.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Jimi também adorava a música dele, principalmente "Kind of blue" que era um de seus discos preferidos. Trocaram umas figurinhas em alguns ensaios e reza a lenda que estavam se preparando para gravar juntos um pouco antes de Jimi morrer. Sua opinião sobre a musica de Hendrix é um tanto quanto original:

"Jimi era ligado a musica caipira country, tocada pelos montanheses brancos. Por isso tinha aqueles caros ingleses no conjunto, porque muitos brancos gostavam de musica caipira americana. O melhor som dele para mim foi quando teve Buddy Miles na bateria e Billy Cox no baixo. Jimi tocava aquela coisa indiana, ou aquelas musiquinhas engraçadas, que duplicava na guitarra. Eu adorava quando ele duplicava na guitarra as coisas daquele jeito. Costumava tocar um 6/8 o tempo todo, quando estavam os tais brancos ingleses, e era isso que, pra mim, o fazia parecer caipira. Só esse conceito, que aplicava nessa coisa. Quando começou a tocar com Buddy e Billy no Band of Gypsys, creio que botou tudo que estava fazendo pra fora. Mas as empresas de discos e os brancos o preferiam com os caras brancos do conjunto. Mas Jimi vinha do blues, como eu. Nos entendemos imediatamente por causa disso. Ele era um grande guitarrista de blues, ele e Sly (Stone) eram grandes músicos naturais: tocavam de ouvido".

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

E sobre o mítico disco conjunto: "Ele e eu devíamos nos encontrar em Londres depois do Concerto (Ilha de Wight), pra discutir um disco que finalmente decidiríamos fazer juntos. Quase fizemos uma certa vez, com o produtor Alan Douglas, mas ou não pagavam bastante ou estávamos ocupados demais para fazê-lo juntos. Tínhamos tocado muito juntos na minha casa, apenas fazendo 'jam'. E achávamos que talvez tivesse chegado a hora de fazermos alguma coisa juntos num disco. Mas as estradas estavam tão engarrafadas na volta a Londres, após este concerto, que não consegui chegar a tempo, e quando cheguei a Londres Jimi não estava mais lá. Eu ia pra França, acho, fazer mais algumas apresentações e depois voltaria à Nova York. Gil Evans me ligou e disse que ia se encontrar com Jimi e queria que eu participasse do encontro. Respondi que iria. Esperávamos a chegada de Jimi quando soubemos que ele tinha morrido em Londres".

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Só de imaginar o que daria este encontro chego a ter arrepios. As gravações de Miles Davis com Gil Evans são para mim o auge da perfeição; com Jimi Hendrix seria uma covardia total. O que iriam tocar? Vai ver pelo fato de nunca ter acontecido fica este espectro de absoluto.

Gil Evans tempos depois gravou um disco muito doido com orquestra recriando alguns clássicos como "Voodoo Chile" (com um inacreditável solo de tuba) e "Little Wing" que ficou belíssima num clima meio free, mas bastante interessante, tenho em um vinil combalido e nunca vi em cd. Outra releitura muito interessante é os dois discos do Lonnie Smith Trio ("Purple Haze" e "Foxy Lady") onde o rei do Hammond Organ manda ver em versões alucinantes acompanhado do soberbo John Abercrombie na guitarra que não imita um só solo, mas mantém o clima hendrixiano sem deixar a peteca cair. São releituras onde o espírito da coisa permanece sem imitação, recriação não é cover.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Tenho também por aqui a homenagem "In From the Storm" onde Sting, Santana, John Mclaughlin, Robben Ford e muitos outros reeditam alguns clássicos com auxílio de orquestra. Não é ruim, mas fica muito abaixo dos outros anteriores. Sei que é questão de gosto, mas acho a versão de Steve Ray Vaughan para "Voodoo Chile" uma tremenda bobagem. Se for pra tocar igual prefiro ouvir o original que é exatamente o que estou fazendo agora com "Eletric Ladyland" explodindo nas caixas.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal


Igual ao sutiã e outras "cositas, mas", o primeiro Hendrix a gente nunca esquece. O meu foi numa sessão vespertina de "Monterey Pop" no velho cinema 1 de Icaraí. Eu, no auge dos meus quatorze anos, já tinha ouvido falar do guitarrista genial que havia morrido levado pelos "horrores do vício". Até por isso estava doido para conhecer. Quando apareceu na tela aquele festim dionisíaco e selvagem em "Wild Thing" com direito a fogaréu na guitarra e tudo mais, meus olhos brilhavam no escuro refletindo tanta intensidade. Saí do cinema e imediatamente comprei um exemplar do "Band of Gypsys" que tinha na loja ao lado do cinema. Cheguei em casa deitei, aumentei o volume no máximo e começaram os sintomas aos primeiros acordes de "Who Knows": Boca seca e aberta, olho esbugalhado e dizendo baixinho, "É isso ai, É isso aí". Pois é, tremendo pancadão cara, tremendo pancadão!


On The Road

On The Road: Jimmy Page, Led Zeppelin & The Black Crowes

imagemOn The Road: John Paul Jones, o menos amado, talvez o mais subestimado

On The Road: Um dos livros mais comentados e menos lidos da história

On The Road: O mundo girou ao redor de Andy Warhol por quase vinte anos

On The Road: Para Joe Jackson como seria o Céu e o Inferno?

On The Road: Jim Morrison, uma ode a L.A.

On The Road: Jerry Garcia - O Anti-Super-Star

On The Road: The 70's - E um pouco sobre Gregg Allman

On The Road: Allman Brothers Band - ainda The 70s

On The Road: The 80's - e um pouco sobre Ian Curtis

On The Road: Jorge Mautner

On The Road: Tommy Bolin; sua morte prematura foi uma perda incalculável

On The Road: Chuva de Guitarras; domínio do instrumento e feeling absurdo

On The Road: John Mayall e o restaurante Indonésio

On The Road: Camel, uma noite das Arábias

On The Road: Glam Rock; A vanguarda era ditada com muito cílio postiço

On The Road: Papo Lynyrd

On The Road: A criatividade não está restrita a uma época especifica

On The Road: Four de Ases

On The Road: Num muro dos anos 70

On The Road: Steely Dan - Pop Perfeito

On The Road: Os quatro CDs do Apocalipse

On The Road: Joni Mitchell e Charlie Mingus

On The Road: Gigantes do Soul Jazz

On The Road: Mais gigantes do Soul Jazz

On The Road: Quem lembra dos Supergrupos?

On The Road: Mick Jagger, Graham Bond e Geração Bendita

On The Road: Colin Hodgkinson, biscoito fino no baixo

On The Road: Alguns atalhos para muitas viagens

imagemOn The Road: John Paul Jones - herói do Olimpo

On The Road: The Shadows, a sombra de Hank Marvin

On The Road: Coldplay e a franja do Fernando

On The Road: Funky Friends

On The Road: Elogio do Ócio

On The Road: Confissões Paulistas

On The Road: Velhas Novidades

On The Road: Mahavishnu Orchestra e a Yoga

Air - Moon Safari

Colecionadores de discos e de calcinhas

Hell's Angels, Punks, Verve

Para onde vão Robert Fripp e os amestradores de focas?

On The Road: Rimbaud e Morrison

On The Road: Dr. John, melancolia e insensatez durante o Tim Festival

On The Road: Mais do Mesmo

On The Road: Jorge Mautner e as Memórias do filho do KAOS

On The Road: Soulive, usina groove em forma de power trio de jazz funky

On The Road: Exile..., obra prima feita de arestas, atos falhos e balbucios

On The Road: Menos é Mais

On The Road: Os 1001 discos para se ouvir antes de morrer

On The Road: Jeff Beck, economia e bom gosto, eis a conseqüência

On The Road: O velho feiticeiro do piano e o Zappa do Funk

On The Road: Allman Brothers Band, um sonho de priscas eras

On The Road: "Jeff Beck é Jeff Beck"

On The Road: "It's a long time gone, bicho!" - CSN no RJ

On The Road: Água Brava, Bacamarte e Celso Blues Boy

On The Road: biografia de Ron Wood é bem humorada e informativa

Todas as matérias sobre "On The Road"

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Airbourne 2022
publicidade
Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva
Siga Whiplash.Net pelo WhatsApp



Garimpeiro das Galáxias: Beldades globais e sua paixão pelo rock


Sobre Cláudio Vigo

Da safra de 62 , Claudio Vigo ganha a vida com a poesia, o jazz e o rock n roll. Paga as contas como arquiteto.

Mais matérias de Cláudio Vigo.