O clássico do rock que Jimi Hendrix provavelmente iria refazer em algum momento
Por Bruce William
Postado em 11 de dezembro de 2025
Hoje a gente olha para a discografia do Jimi Hendrix com aquela impressão de perfeição, como se tudo tivesse saído certo de primeira. Só que, no meio da correria real dos anos 60, nem ele via as coisas desse jeito. Em uma daquelas confissões bem práticas, Hendrix apontou um arrependimento técnico que, se tivesse tido tempo, provavelmente tentaria corrigir.
O contexto ajuda a entender o incômodo. Ele estava vivendo a intensidade da fama em tempo real, com agenda lotada e uma pressão enorme para conciliar estrada e estúdio. Em entrevista à Hullabaloo, ele resumiu esse conflito ao dizer: "É muito difícil se concentrar nos dois", conforme transcrição da Far Out.

A fala deixa claro que o problema não era falta de ambição artística, mas o caos logístico típico de uma banda que estava no olho do furacão. E é justamente nesse cenário que nasce a frustração com um álbum duplo lançado em 1968, gravado em sessões longas e complexas, e que hoje é tratado como um dos pontos altos da sua carreira: o "Electric Ladyland", lançado nos EUA em 16 de outubro de 1968.
Segundo o próprio Hendrix, parte da mixagem acabou ficando aquém do que ele queria. Ele explicou: "Então algumas partes da mix saíram meio emboladas - não exatamente emboladas, mas com excesso de baixo." E completou reclamando do processo de prensagem: "Nós mixamos, produzimos e toda aquela bagunça, mas quando chegou a hora de prensar, naturalmente eles estragaram tudo, porque não sabiam o que a gente queria."
Ele também sugeriu que havia detalhes de espacialidade sonora que não foram bem compreendidos por quem finalizou o corte do disco. A ideia, pelo relato, é que o trabalho não chegou ao público com a mesma intenção de som que ele tinha desenhado no estúdio. E a ironia é que o disco virou referência justamente pela ambição sonora, pela liberdade criativa e pelo risco artístico que ele assumiu ali.
Com base nessas falas sobre a dificuldade de conciliar turnês e estúdio, e na reclamação direta sobre o resultado da mixagem e do processo de prensagem, a Far Out concluiu que esse incômodo não seria passageiro. Para a revista, se não tivesse falecido de forma tão precoce, Hendrix certamente voltaria a "Electric Ladyland" em algum momento, nem que fosse para ajustar o que ele considerava fora do ponto e deixar o álbum mais próximo do som que tinha imaginado no estúdio.
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