Saca aquelas tardes em que deitado no sofá você fica pensando que a primeira coisa que fizesse ia ser genial e se transformar em um absoluto sucesso? Guardadas as devidas proporções, Orson Welles passou por isso ao realizar sua obra prima (Cidadão Kane) aos 26 anos, Rimbaud, Radiguet e muitos outros também fizeram o melhor de suas obras no início. Parece que o duo francês Air vai pelo mesmo caminho e tenta desesperadamente se livrar do fantasma de seu primeiro disco, o genial "Moon Safari".


Com muito interesse corri atrás do disco seguinte (lançado em 2000) que era uma trilha sonora de um interessante filme da mais difamada estreante do cinema de todos os tempos - Sophia Coppola, que surpreendeu todos os maledicentes com o intrigante Virgens Suicidas. Como trilha nota 10, mas como continuação do "Moon Safari" ficou bastante a desejar. Os sucessivos climas se prestavam com precisão ao astral reflexivo e down da película, mas se ouvidos a exaustão baixavam a pressão como um banho de banheira quente. Não era ruim (longe disso), mas dava um sono... Ouvi bastante, mas não chegou a entusiasmar.

Muitos sussurros sem gritos, uma depressão contida em vários becos com poucas saídas. O disco é bom? É ótimo, adorei e tal, mas não escutei nem um décimo das vezes que escutei o "Moon Safari". Que sina, não é mesmo?

Antes que algum agoniado venha com intriga logo esclareço - Odeio new age e coisas como Kitaro, Yanni, etc, costumam me tirar o sono de tanto mau humor. Não é nada disso. Assim como gosto muito do minimalismo de um Philip Glass e as viagens de um Eno ou Sakamoto não suporto Jean Michel Jarre, Vangelis e tantos outros amansadores de molares avariados.

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Da safra de 62 , Claudio Vigo ganha a vida com a poesia, o jazz e o rock n roll. Paga as contas como arquiteto.
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