Marilyn Manson: "Sou ainda pior fora do palco"
Por Mariana Lico
Fonte: Blabbermouth
Postado em 27 de janeiro de 2008
Michael Hamersly, do site MiamiHerald.com, entrevistou MARILYN MANSON em janeiro de 2008. O anticristo falou, dentre outras coisas, sobre sua relação com o personagem que criou.
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MiamiHerald.com: Quando você estava no colegial, você tinha grandes esperanças artísticas?
Manson: "Eu comecei em Miami. Eu escrevia para uma revista chamada 25th Parallel - eu tinha 17 anos e menti pra conseguir o emprego. Eu abandonei a faculdade Broward Community College depois de duas semanas estudando jornalismo porque eu realmente queria estar perto da música. Depois de entrevistar várias pessoas importantes da época, eu senti que as respostas que me davam não eram o suficiente e eu tinha que fazer o que eu queria".
"Levou um tempo pra achar alguém que fosse comigo até o fim, a pessoa que não ia ter medo de chegar ao fundo do poço, e foi o Twiggy (Ramirez, baixo). Nós acabamos cada um no seu caminho, mas quando nos vimos recentemente, sabíamos que não faríamos nada melhor estando separados".
MiamiHerald.com: Quem originalmente te trouxe até o sul da Flórida?
Manson: "Meus pais se mudaram pra lá - isto me inspirou a fazer esse tipo de música e ter a personalidade que eu tenho. Todo o sol e turismo e o negócio de ser o lugar mais feliz da Terra só podia criar o Marilyn Manson. 'Vamos ver se conseguimos fazer a pessoa mais malvada possível. Jogue um pouco de drogas, raiva, facas, mulheres nuas e fogo e diga a ele que todos querem matá-lo e vamos ver o que acontece, e aí você cria o 'Anticristo Superstar''."
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MiamiHerald.com: Você tornou a feiúra e o horror em forma de arte, no que alguns dizem que na verdade representa a beleza. Isso é algum comentário sobre os valores da maioria?
Manson: "É, e é também, provavelmente, o jeito que alguém que não é aceito convencionalmente lida com isso. Eu não senti que eu poderia me encaixar como 'o cara lindo' ou 'o cara legal' ou como nada. E ao invés de colocar esses sentimentos de isolamento em alguma coisa violenta, eu coloquei na música".
MiamiHerald.com: Você é tão niilista como seu personagem?
Manson: "Eu acho que as pessoas sempre interpretaram mal que minha natureza auto-destrutiva é niilismo, porque se você não liga para o mundo, você não pode criar arte. Eu posso não gostar dos humanos, e ter aversão a mim mesmo, mas não sou niilista. E acho que sou muito pior fora do palco do que nele".
MiamiHerald.com: Com qual freqüencia você está no personagem, vestido como Marilyn Manson? Você usa maquiagem quando está sentado no sofá assistindo TV?
Manson: "Eu sou um personagem, então esse é o problema. Existem muitos níveis de comportamento pra mim. As pessoas podem associar ser o Marilyn Manson como usar batom, mas eu não tenho outro estilo de vida. Às vezes não tenho energia pra colocar roupas ou trocar minhas cuecas. Mas existe uma diferença entre estar ou não no palco que não é a mesma coisa do que ser o Marilyn Manson. Eu não posso desligar o jeito que eu penso, e é essencialmente quem eu sou, quem qualquer um é".
MiamiHerald.com: Comumente você é taxado de malvado e uma má influência nos EUA. Mas aqueles que dizem isso parecem não ver a ironia de suas ditas chocantes declarações.
Manson: "Sempre foi parte da situação. O Marilyn Manson foi feito pra confundir alguns, irritar alguns e fazer alguns se sentirem confortáveis. Não há como não entender o que faço - mas todos podem entender de jeitos diferentes. Esse é o único jeito que eu aprendi a compreender a arte - tem que ser um ponto de interrogação, não uma resposta".
MiamiHerald.com: Toda a atenção que os tablóides deram ao seu relacionamento com Evan Rachel Wood te incomoda?
Manson: "Não me incomoda. Incomodaria se fosse uma coisa negativa na carreira dela, e eu disse pra ela desde o começo que seu talento é muito maior do que qualquer coisa que eu possa fazer para manchá-lo. E não há nada mais de novo que possa ser dito sobre mim: Eu sobrevivi quando todos falaram que o tiroteio em Columbine foi minha culpa. Podem vir".
MiamiHerald.com: Você disse que o drama no seu relacionamento o inspirou a escrever o disco "Eat Me Drink Me". O que o título significa pra você?
Manson: "Na época, o que estava passando pela minha cabeça era... eu confuso com a idéia de que eu era um produto sendo consumido e que romance é consumismo total. Isso é o que o romance deveria ser, ser totalmente consumido por alguma coisa. Você vê isso na mitologia dos vampiros, na comunhão, Cristo - é o que nós queremos. Então foi uma época boa e ruim".
Leia a entrevista completa no www.miamiherald.com.
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