O poderoso power trio "resposta ao Cream" que tinha Clapton na plateia, mas implodiu cedo
Por Bruce William
Postado em 17 de março de 2026
Taste começou como um trio de Cork, no fim de 1966, e em 1967 já tinha virado assunto em Belfast, com residência no Club Rado e uma reputação de show barulhento, rápido e bem "na cara". A matéria da Louder descreve um Rory Gallagher de 19 anos tocando como se estivesse tentando arrancar som da Stratocaster na unha, misturando blues, composições próprias e aquela pressa de banda jovem que quer sair do lugar.

O grupo cresceu em cima de palco: Belfast primeiro, depois Londres (Marquee), e logo vieram turnês maiores. Antes mesmo de terem contrato, músicos importantes já falavam deles e, quando a coisa engrenou, Taste chegou a tocar como atração de abertura na despedida do Cream no Royal Albert Hall e ainda saiu em turnê pelos EUA abrindo para o Blind Faith.
Por fora, parecia o roteiro perfeito para "a resposta irlandesa ao Cream". Por dentro, a história foi ficando torta rápido. A banda tinha um empresário, Eddie Kennedy, que, segundo o relato do Donal Gallagher (irmão do Rory), passou a segurar dinheiro e a controlar tudo, enquanto o clima interno piorava: o Rory era o compositor e o rosto óbvio, e os outros dois começaram a engolir essa ideia com má vontade.
Donal diz que, quando o Cream terminou, o Rory chegou a ser sondado para entrar numa "nova versão" da banda ao lado de Jack Bruce e Ginger Baker. A proposta teria sido colocada na mesa pelo próprio empresário, e a resposta do Rory foi um não sem conversa. "Quando o Cream finalmente acabou, o Rory foi abordado pelo Eddie Kennedy com a sugestão de que ele se juntasse ao Jack e ao Ginger numa nova versão do Cream. (…) O Rory não quis nem saber disso."
A fase de estúdio também reforça o quão rápido tudo aconteceu. O primeiro álbum, "Taste" (1969), foi gravado em um dia e mixado no dia seguinte; o segundo, "On The Boards" (lançado em 1º de janeiro de 1970), já mostra o Rory puxando mais a corda, misturando blues com jazz, rock e umas viagens mais "abertas", justamente quando a banda, na prática, já estava se rachando.
O relato do Donal sobre a turnê americana com Blind Faith é pesado: ele diz que o giro foi mal organizado, caótico, e que o Rory foi ficando deprimido. Clapton teria percebido que tinha algo errado e chegou a perguntar, diretamente, o que estava acontecendo com os caras.
No auge, o trio ainda fez um set marcante no Isle of Wight em agosto de 1970, só que a banda já estava no limite. Donal conta que havia roubo de grana, contrato atravessado, ressentimento por "Rory, Rory, Rory" e a seção rítmica tomando o lado do empresário. O resultado é aquele tipo de fim que ninguém gosta de lembrar: grande por fora, miserável por dentro.
O encerramento tem um simbolismo bizarro: o último show aconteceu em Belfast, na virada de 1970 para 1971, enquanto a cidade vivia uma noite de bombas. Donal descreve a contagem regressiva de Ano Novo como uma espera pela "próxima explosão", não pelo Big Ben. E, depois disso, Rory saiu fora e foi direto construir a carreira solo.
Taste foi um power-trio que tinha nome grande olhando, tinha aplauso de gente grande e tinha músicas que seguram a bronca até hoje - mas se desmontou cedo por um combo clássico de estrada: empresário, dinheiro, ego, ciúme e uma banda que já não estava olhando para o mesmo lado.
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