A banda que morreu, renasceu com outro nome e mudou a história do rock duas vezes
Por Gustavo Maiato
Postado em 16 de março de 2026
A história do rock britânico é cheia de bandas que implodiram por ego ou conflitos internos. Mas poucas trajetórias são tão dramáticas quanto a da banda que primeiro marcou época como Joy Division e depois renasceu como New Order.
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Em vídeo publicado em seu canal, o jornalista e pesquisador Julio Ettore relembrou como o grupo atravessou tragédia, reinvenção musical e até polêmicas envolvendo o próprio nome. Logo no início do vídeo, ele lembra que conflitos entre músicos britânicos não são raros. "Os músicos ingleses têm um sério problema com ego. Como se acham esses caras… acaba todo mundo brigando e falando muitas vezes por meio de advogados."
Para Ettore, a história de Joy Division e New Order é uma das mais impressionantes do rock porque envolve morte precoce, silêncio entre os integrantes e uma transformação artística radical. "Essa história é muito louca porque envolve uma morte trágica, um pacto de silêncio e um renascimento sonoro radical."
New Order e Joy Division
A origem da banda remonta a 1976, em Manchester. Inspirados por um show do Sex Pistols, os músicos Peter Hook e Bernard Sumner decidiram formar um grupo e recrutaram o vocalista Ian Curtis. Pouco depois, a banda adotaria o nome Joy Division.
O nome rapidamente gerou polêmica. Ele vinha de uma expressão usada para designar bordéis criados pelos nazistas em campos de concentração. Segundo Ettore, a escolha do nome acabou trazendo problemas para o grupo - mesmo sem intenção política por trás.
Apesar disso, o Joy Division se tornou um dos pilares do pós-punk. O álbum Unknown Pleasures (1979) redefiniu o gênero com sua atmosfera fria e angustiante.
Mas a ascensão da banda durou pouco. Em maio de 1980, poucos dias antes da primeira turnê pela América do Norte, Ian Curtis tirou a própria vida aos 23 anos. O segundo álbum, Closer, seria lançado pouco depois.
Segundo Ettore, havia um acordo informal entre os integrantes. "Eles tinham jurado que se alguém saísse, o nome Joy Division morreria também." Assim, após um período de luto, os músicos decidiram seguir em frente com um novo projeto. Surgia o New Order.
Mas a tentativa de deixar o passado para trás trouxe outra polêmica inesperada. "Eles queriam um nome neutro… mas pegaram no pé deles de novo." Isso porque a expressão "New Order" também já havia sido usada em contextos ligados ao nazismo. Com o tempo, porém, a controvérsia perdeu força e a banda conseguiu se reinventar artisticamente.
Se o Joy Division representava o lado mais sombrio e industrial de Manchester, o New Order passou a olhar para pistas de dança e sintetizadores. A virada definitiva veio em 1983 com o single Blue Monday.
A música, construída sobre batidas eletrônicas e sintetizadores, tornou-se o single de 12 polegadas mais vendido da história e mostrou que uma banda de rock poderia dominar a música dance.
Segundo Ettore, esse momento marcou uma transformação definitiva. "Eles haviam unido dois mundos: o underground das jaquetas de couro e o mainstream iluminado pelo neon."
Décadas depois, as duas fases da banda continuam influentes. O Joy Division permanece como um dos pilares do pós-punk, enquanto o New Order ajudou a moldar a música eletrônica e o indie dance.
Para Ettore, a trajetória do grupo prova algo raro na história do rock: uma banda que, mesmo depois de uma tragédia devastadora, conseguiu mudar de identidade - e ainda assim transformar a música duas vezes.
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