A lenda da banda que foi batizada por suas músicas durarem menos do que 1 minuto
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de março de 2026
Punk rock sempre foi conectado com a velocidade, mas poucas histórias se espalharam com tanta facilidade quanto a que envolve o nome do Minutemen. Durante anos, repetiu-se que o trio californiano teria adotado o nome porque suas músicas não ultrapassavam um minuto. A explicação parecia perfeita: direta, provocativa e alinhada ao espírito hardcore do fim dos anos 70.

Em vídeo publicado em seu canal, o jornalista e crítico musical André Barcinski recupera essa lenda urbana e trata de contextualizá-la. "Existe uma lenda urbana muito forte sobre o nome Minutemen, que quer dizer algo como 'homens de um minuto'. Muita gente diz que a banda se chamou assim porque todas as músicas tinham menos de um minuto. E, de fato, nos primeiros discos, as faixas são curtíssimas mesmo, algumas parecem ideias condensadas em 40 ou 50 segundos", comenta.
Na sequência, ele faz a ressalva: "Mas o próprio Mike Watt já explicou que isso não é verdade. O nome não surgiu por causa da duração das músicas. A ideia original era outra. Eles queriam se contrapor ao rock de arena, às grandes bandas de estádio, aos 'big men'. Então pensaram em algo como 'The Minute Men', os homens diminutos, quase uma ironia diante da grandiosidade do mainstream. Só que a lenda das músicas de um minuto era boa demais - e acabou ficando".
Formado em San Pedro, no sul de Los Angeles, o Minutemen reuniu o guitarrista e vocalista D. Boon, o baixista Mike Watt e o baterista George Hurley. Amigos desde a adolescência, os três cresceram longe do glamour da cena punk mais famosa da cidade e construíram sua trajetória de maneira independente, tocando em festas, escolas e pequenos espaços até ganharem projeção.
O salto veio quando passaram a integrar o catálogo da SST Records, selo criado por Greg Ginn, do Black Flag. A partir daí, o Minutemen lançou discos que ampliaram os limites do hardcore. As músicas podiam ser rápidas, mas traziam elementos de funk, jazz e poesia falada, além de letras pessoais que fugiam do padrão político mais direto de parte da cena.
O ponto alto dessa fase é o álbum duplo Double Nickels on the Dime, de 1984. O disco consolidou a reputação da banda como uma das mais inventivas do punk americano. "Se alguém quer começar a ouvir Minutemen, tem que ir direto no 'Double Nickels on the Dime'. É um disco duplo irretocável, um dos grandes álbuns da história do punk. Ele mostra que a banda era muito mais do que a caricatura das músicas curtinhas. Eles tinham ambição artística, tinham senso de humor e uma criatividade fora do comum", afirma Barcinski.
A trajetória, no entanto, foi interrompida de forma trágica. Em 22 de dezembro de 1985, D. Boon morreu em um acidente de carro, encerrando abruptamente a história do grupo. "A banda durou muito pouco, basicamente seis ou sete anos, e terminou de forma trágica. Talvez isso também tenha ajudado a transformar o Minutemen numa lenda cult. Mas o que mantém a banda viva é a música, não o mito", diz o jornalista.
Para quem quiser se aprofundar, Barcinski recomenda ainda o documentário We Jam Econo, lançado em 2005, que reúne imagens de arquivo e depoimentos de músicos influenciados pelo trio. "É um filme simples, mas fundamental para entender a importância deles. E mostra que, mais do que tocar rápido, o Minutemen tinha uma filosofia: fazer muito com pouco, tocar de maneira econômica e manter total independência artística."
Confira o vídeo abaixo.
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