Resenha - Master Of Puppets - Metallica
Por Marcos A. M. Cruz
Postado em 08 de janeiro de 2000
No final da década de 70/início de 80 o metal passava por uma forte crise, pois embora alguns poucos heróis carregassem "nas costas" o estilo, parecia que ele estava fadado à ficar restrito à apenas alguns guetos. Mas mesmo esses heróis já começavam à denotar um certo cansaço, haja visto a grande maioria já estar na estrada há um bom tempo e seus trabalhos não apresentarem o frescor da juventude, apenas reciclar velhos conceitos musicais/estéticos.
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Eis que de repente começam à surgir algumas bandas inovadoras, a mais notória delas o Iron Maiden, que se tornou o símbolo-mor da NWOBH (sigla de New Wave Of British Heavy Metal - termo usado para designar as bandas inglesas que fizeram o "renascimento" do metal). Porém haviam muitos que não se identificavam totalmente com elas, pois embora muitas dessas bandas emergentes tivessem inegáveis qualidades, estavam de certa forma distantes da realidade vivida no dia-a-dia por muitos jovens - enquanto suas letras versavam sobre temas fantásticos ou bobagens adolescentes, no palco criavam um verdadeiro teatro, com músicos enfiados em calças de lycra coloridas, palcos cheios de cenografias estranhas etc. Com isso a tão propalada atitude contestatória e proximidade músicos x fãs disseminada pelo vendaval punk ocorrido há poucos anos atrás ficava um tanto comprometida.
Como conciliar esta postura "pé-no-chão" com o metal?
A resposta veio da costa oeste americana, com algumas bandas que começaram à levar ao extremo a agressividade sonora de algumas bandas surgidas no final da década de 70, ao mesmo tempo em que se vestiam como garotos normais - sem "frescuras" nem "boiolices", e as letras procuravam manter uma preocupação social, denotando uma certa "atitude". Em seus shows os fãs participavam de forma mais intensa, passando à adotar o mosh e o stage-dive, herança direta do punk-rock.
Sem dúvida o nome mais representativo desta leva foi o Metallica. Já em seu primeiro e clássico disco ("Kill 'Em' All", 1983) forjaram uma sonoridade única, acelerando as batidas e destacando ainda mais o trabalho das guitarras, fazendo um som sem concessões, era "pau" do começo ao fim. Com este e o próximo disco ("Ride The Lighning", 1984) ajudam à consolidar o "Thrash Metal", que nesta época apenas engatinhava.
Contudo atingem o ápice em 1986 com o "Master Of Puppets". Embora já fossem considerados uma grande banda e tivessem uma legião de fãs, causaram um verdadeiro assombro aos bangers da época, que ficaram maravilhados com a incrível massa sonora criada pelas guitarras - que se tornam ainda mais pesadas, com um timbre ligeiramente grave, porém limpas. As letras estão mais profundas, e são ácidas e contundentes, enquanto as músicas vinham de forma extremamente trabalhadas, cheias de "quebradas", paradoxalmente pesadas e melódicas ao mesmo tempo! Conseguem a proeza de agradar à todos, fossem fãs de metal "tradicional" ou o pessoal que só ouvia "podreiras", tanto que vendem mais de 500.000 cópias sem contar com nenhum grande esquema de divulgação em rádio ou TV, apenas propaganda boca-a-boca!
Na turnê deste disco vêm a tragédia: a morte de Cliff Burton num acidente na Suécia em setembro de 1986. Porém a banda prosseguiu, chamando Jason Newstead para o lugar de Cliff, formação que se mantém até hoje.
Muitas pessoas criticam o Metallica pois afirmam que desde 1991 tornaram seu som "comercial" e renegaram seu passado glorioso... mas é justamente por causa dele e de trabalhos como o Kill' Em' All" e o Master of Puppets que hoje eles têm direito de fazerem o que quiserem... pois seu nome já está marcado à ferro e fogo na história do Metal... e conseqüentemente do Rock!
Track List:
Battery
Master Of Puppets
The Thing That Should Not Be
Welcome Home (Sanitarium)
Disposable Heroes
Leper Messiah
Orion
Damage, inc.
Lars Ulrich (bateria)
James Hetfield (vocais, guitarra)
Kirk Hammett (guitarra)
Cliff Burton (baixo)
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