Geddy e Lifeson contam o momento em que quase desistiram de Anika Nilles para o Rush
Por Bruce William
Postado em 03 de março de 2026
Quando Rush decidiu voltar a ensaiar com uma nova baterista, Geddy Lee e Alex Lifeson sabiam que a parte mais delicada não era contratar alguém "boa". Era achar alguém que entendesse a gramática do Neil Peart sem virar imitação barata, e sem parecer uma banda cover de luxo.
Numa entrevista ao The Guardian (repercutida pelo Ultimate Guitar), Geddy contou que, quando Anika Nilles chegou, eles nem tinham certeza do que estavam esperando. Mas rapidamente perceberam que algo estava fora do lugar. E o detalhe mais curioso: os trechos "impossíveis" não eram o problema dela. O problema era um tipo de encaixe mais sutil, que quem toca bateria entende na hora.

Geddy descreveu a dificuldade assim, com uma imagem bem específica: "Aquelas viradas aparentemente impossíveis não eram problema nenhum pra ela. O difícil era entender uma relação entre caixa, bumbo e chimbal que é diferente da formação dela."
Ele diz que os primeiros dias foram um sobe-e-desce. Anika estava nervosa, com jet lag, e os dois ficaram na dúvida se aquilo ia funcionar mesmo. Em certo momento, Geddy chega a pensar "isso não vai dar certo". Só que eles também viam o outro lado: ética de trabalho, simpatia, conhecimento, técnica de sobra. A decisão foi não tomar atitude no impulso e dar mais um dia.
E aí veio o ensaio final daquele primeiro bloco. Geddy resume sem rodeio: ela "cravou" tudo. Foi o tipo de dia que apaga uma semana de insegurança e faz a banda olhar um pro outro com aquela cara de "ok, agora sim".
Lifeson complementou dizendo que foi nesse último dia que a coisa realmente encaixou na cabeça dela. E, de novo, o ponto não era tocar certo. Era entender o que estava entre as notas e as viradas: "Ela de repente entendeu o que a gente vinha falando a semana inteira. Não sobre o aspecto técnico, mas sobre as coisas entre as coisas grandes, aquilo em que o Neil era tão incrível... e aquilo clicou nela."
A fala do Alex é boa porque coloca em palavras o que muita gente sente quando ouve Rush: dá pra perceber a complexidade, mas o que segura tudo é o detalhe interno, a dinâmica, o jeito como as peças se conversam. É isso que separa "tocar a música" de "soar como Rush".
Eles também deixam claro que a expectativa do fã pesa. As partes precisam ser fiéis aos arranjos porque é assim que o público conhece essas músicas. Ao mesmo tempo, a banda não parece tratar a Anika como alguém algemada ao passado: quando ela estiver confortável e confiante, ela pode colocar o próprio espírito em cima daquilo.
O que essa história entrega, no fundo, é uma coisa simples: a volta do Rush não dependeu de "achar uma baterista". Dependeu de achar alguém que entendesse o que fazia Neil Peart ser Neil Peart - e de dar tempo para isso acontecer. E, pelo relato deles, esse tempo teve um marco bem claro: o dia em que a chave virou e a bateria parou de soar "correta" e começou a soar "certa".
Rush retorna aos palcos em 2026
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