Produtor de "Master of Puppets" diz que Kirk não gravou base no disco; "Tudo era o James"
Por Bruce William
Postado em 03 de março de 2026
Se você já ouviu "Master of Puppets" (1986) e ficou com a sensação de que as guitarras estão "no trilho" de um jeito quase mecânico, a explicação passa menos por milagre e mais por trabalho de estúdio - e por uma obsessão bem específica de James Hetfield com a base. Quem contou isso foi Flemming Rasmussen, produtor do disco, lembrando como a banda gravava na era da fita, sem computador "salvando" nada no pós.
Metallica - Mais Novidades
Rasmussen reforça que o álbum foi registrado em 24 canais analógicos e que não havia aquela vida fácil de hoje, com recorte e cola a torto e a direito. A ordem também importava: bateria primeiro, depois as bases de guitarra, e só então o baixo. Ele diz que, em metal, faz sentido o baixo "seguir" o riff da guitarra, não o contrário - e que isso, no caso do Cliff Burton, funcionava ainda melhor, porque o Cliff tocava muito reagindo ao que estava ouvindo.
A parte que mais chama atenção, porém, é o detalhe sobre as guitarras rítmicas. Rasmussen afirma que, nos discos que fez com o Metallica, quem gravava as bases era sempre o Hetfield, e que em "Master of Puppets" isso foi total. A explicação dele, publicada na Ultimate Guitar é longa, mas vale a íntegra porque mostra como isso funcionava na prática, com troca de equipamento e dobra de timbre:
"Nos álbuns que eu fiz, o James tocou todas as guitarras rítmicas. O Kirk não toca uma única guitarra base em 'Master Of Puppets'. A gente montava o equipamento do James e o equipamento do Kirk, e o James alternava entre os stacks para fazer as partes. A maioria das guitarras principais começou na Firebird do James e depois a gente trocava guitarras o tempo todo. Na maior parte das vezes, a gente começava com a base do James, com duas trilhas em estéreo, para ter a guitarra principal. Depois a gente dobrava isso em uma trilha tocando no equipamento do Kirk, que às vezes era um power amp e um pré Marshall. Então a gente tinha duas bases duplas fazendo a parte do James, e aí ele tocava a parte do Kirk no equipamento do Kirk."
Ou seja: mesmo quando você escuta "duas guitarras" na base, Rasmussen descreve o Hetfield como o cara executando tudo, inclusive "no personagem" do outro lado, usando a estrutura do Kirk para chegar naquele recorte de timbre. É uma forma bem direta de manter unidade de palhetada e de tempo, mas ainda assim variar a cor.
E aí vem a opinião sem freio do produtor sobre o Hetfield como guitarrista rítmico. Em vez de falar em "bom para metal" ou "bom para banda", Rasmussen coloca o cara no topo do planeta, e do jeito que ele fala, dá pra imaginar a segurança com que o James gravava aquelas bases: "O James consegue tocar por cima de qualquer coisa. Ele é o mestre do ritmo. Ele é preciso pra caramba. Isso nunca foi um problema. Eu considero o James o melhor guitarrista de base do planeta. Ele é inacreditável."
Essa história ajuda a tirar um pouco do "mistério" e colocar "Master of Puppets" no lugar certo: um disco gigante, mas feito com método. O som não caiu do céu. Foi fita, sequência de gravação, execução repetida até ficar redondo, e um cara que, segundo o próprio produtor, não largava a base da mão nem quando estava "tocando como o outro guitarrista" para fechar o quebra-cabeça.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Regis Tadeu aponta problema no show do Iron Maiden e explica atitude do atual baterista
Regis Tadeu aponta o grande erro que Tony Iommi cometeu em seu novo álbum solo
U2 anuncia quarto e último show no Brasil da Tour The Greatest Show On Earth 2027
Ex-guitarrista do Scorpions, Uli Jon Roth se apresentará em São Paulo em janeiro
Nicko McBrain critica voz atual de Axl Rose e revela tentativa frustrada de reconciliação
A música do Led que parece fantasia, mas nasceu de uma bronca de Robert Plant com a polícia
Jorn Lande explica por que prefere Black Sabbath com Dio
Ida de John Bush para o Anthrax foi como uma "bomba atômica", diz guitarrista do Armored Saint
Cinco músicas que mostram o lado mais sombrio e arrastado de Ronnie James Dio
O sucesso de 1977 que Paul McCartney reconheceu como praticamente cópia de uma música dos Beatles
A faixa de "Reign in Blood" que Tom Araya não é muito fã
Motionless in White se apresentará no Brasil em março de 2027
A pergunta estranha que Clive Burr teria feito a Nicko McBrain
Metallica divulga performance ao vivo de "Fade to Black"
Pete Townshend (The Who) admite que só foi gostar de Led Zeppelin recentemente

Sete músicas inesperadas em álbuns de metal que deram muito certo, segundo a Ultimate Guitar
O disco mais odiado do Metallica que Jimmy Page e Jack White adoraram
A notícia traumática sobre o Metallica que Cliff Burton deu a Scott Ian do Anthrax
O álbum do Metallica que tem Kirk Hammett como ponto mais fraco, segundo Gastão
A música do Metallica que desencadeou a batalha contra o Napster
Por que Metallica precisou ser polêmico após o "Black Album", segundo Scott Ian do Anthrax
Como Jason Newsted criou o riff de "Blackened" do Metallica e a reação de James e Lars
Metallica divulga versão ao vivo de "Welcome Home (Sanitarium)"
A música do Iron Maiden que influenciou o Big Four do thrash metal, segundo o Ultimate Guitar
James Hetfield e o fantástico álbum dos anos setenta "para o qual ele sempre retorna"
O motivo pelo qual James Hetfield nunca fez carreira solo


