A banda chamada de "novo Led Zeppelin" que tinha Metallica no bolso, e mesmo assim não estourou
Por Bruce William
Postado em 11 de março de 2026
No começo dos anos 80, enquanto a NWOBHM explodia com Iron Maiden e Def Leppard, havia uma banda que a imprensa britânica empurrou como "o próximo passo": Diamond Head. Um crítico chegou a chamá-los de "sucessores naturais" do Led Zeppelin, e Geoff Barton foi além com uma frase que parecia exagero de propósito: disse que havia "mais riffs bons numa música média do Diamond Head do que nos quatro primeiros discos do Black Sabbath".
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O problema é que o hype não virou máquina. Brian Tatler, guitarrista e principal compositor, relembra: "A gente foi rotulado de 'o novo Led Zeppelin'. Quer dizer… uau! Mas foi uma bênção e uma maldição. Nunca poderia existir outro Led Zeppelin, do mesmo jeito que nunca poderia existir outro Beatles. (…) Não são muitas as bandas que chegam ao topo. Talento não basta. Você precisa do que o Lars tinha: aquela vontade de vencer. A gente não teve isso o suficiente no Diamond Head."
Ao mesmo tempo, eles estavam no lugar certo musicalmente. Tatler e Sean Harris escreveram cedo "Am I Evil?", e ele conta que a meta era ter um riff ainda mais pesado do que "Symptom of the Universe", do Sabbath. A banda gravou por conta própria "Lightning to the Nations" e, ali, deixou uma das heranças mais objetivas do metal: quatro músicas desse álbum foram regravadas pelo Metallica, e isso virou uma linha direta entre Birmingham/West Midlands e a Califórnia.
O próprio Lars Ulrich descreve essa influência. Segundo ele, o Diamond Head foi metade do que o Metallica acabou sendo - pelo jeito de pensar riffs e estrutura - e a outra metade veio do Motörhead. Com o Metallica tocando várias covers deles nos primeiros shows, a lógica parecia simples: era questão de tempo até o Diamond Head atravessar de vez.
Só que a banda perdeu o bonde onde ele passa: gestão e timing. O texto do MusicRadar lembra que, enquanto Maiden e Leppard tinham "mão pesada" de empresários e selo, o Diamond Head era gerido de um jeito caseiro (a mãe do vocalista e o parceiro que bancava a banda), e o grupo ficou patinando até assinar com uma major. Quando enfim entrou no jogo grande, já estava correndo atrás.
A virada mais cruel veio com o terceiro álbum. "Canterbury" chegou com ambição de "empurrar limites", custou caro e saiu com uma falha industrial que sabotou o lançamento: as primeiras 20 mil cópias em vinil teriam problema de prensagem e "pulavam" durante a execução, travando a vida do disco logo na largada. Mesmo com o Diamond Head tocando para multidões em festivais grandes, a banda acabou descartada pela gravadora pouco depois.
O resto vira aquele roteiro que muita banda conhece: mudanças de formação, tentativas de retomada, discos sólidos que não "pegam", e o peso de ver o aluno (Metallica) virar colosso. Décadas depois, quando o Diamond Head voltou a tocar em palcos gigantes com o Metallica, a história já tinha mudado de gênero: não era mais "a próxima grande banda", e sim "a banda que ajudou a criar outras".
Eles tinham o Metallica "no bolso" no sentido de influência, de repertório, de amizade inicial, e mesmo assim não estouraram. O Diamond Head acabou virando uma dessas bandas que você não mede por platina nem por estádio próprio: você mede pelo tanto de gente grande que ainda fala deles como se estivesse contando uma dívida antiga.

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