O músico brasileiro que quase substituiu James Hetfield em alguns shows do Metallica
Por Bruce William
Postado em 22 de agosto de 2025
No início dos anos 1990, o Metallica vivia talvez o auge da carreira. O "Black Album", lançado em 1991, havia transformado a banda de thrash metal em fenômeno global, levando o quarteto para arenas lotadas ao redor do mundo. Músicas como "Enter Sandman", "The Unforgiven" e "Nothing Else Matters" estavam em todas as rádios e televisões, tornando James Hetfield e companhia nomes conhecidos até fora do universo do metal.
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Mas a grandiosidade da turnê veio acompanhada de um susto. Durante um show, James Hetfield sofreu graves queimaduras no braço ao ser atingido por efeitos pirotécnicos. O vocalista continuou cantando, mas ficou impedido de assumir sua tradicional função na guitarra rítmica. A solução? Encontrar alguém à altura para segurar as bases do Metallica, tarefa nada simples diante da complexidade e do peso das músicas da banda.
Foi aí que entrou em cena um brasileiro. Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, recebeu um convite inesperado de Jason Newsted, então baixista do Metallica. "Jason me ligou: 'Ei, estamos em Denver, Colorado. Temos a arena pronta e estamos testando todo mundo'. Eu simplesmente aceitei, peguei um avião sozinho com minha guitarra, e quando cheguei lá havia até uma limusine me esperando com meu nome. Fui direto para a sala de ensaio. A primeira pessoa que vi foi o Kirk Hammett, que disse: 'Ei, você veio do Brasil. Você está bem, cara?'", relembrou Andreas.
O teste não foi nada leve. Em vez de tocarem clássicos mais simples como "Seek & Destroy", os músicos escolheram faixas desafiadoras, entre elas "The Shortest Straw", "One" e "Enter Sandman". "Foi surreal. Estava acostumado a tocar essas músicas com meus amigos no ensaio, mas ali, na frente do Lars, do Jason e do Kirk, era outra história. Aquilo me deu arrepios. Mas eles me fizeram sentir em casa", contou.
O brasileiro se saiu tão bem que chegou à fase final da seleção. A disputa ficou entre ele e John Marshall, guitarrista do Metal Church, que já havia substituído Hetfield em outra ocasião. "Fiquei entre os dois últimos. Isso já foi uma vitória pra mim. Mas as músicas do 'Black Album' ainda eram muito novas e cheias de detalhes que eu não dominava. 'The Unforgiven', por exemplo, tinha partes que eu não sabia tocar. O John estava mais preparado", admitiu Andreas.
No fim, a vaga ficou mesmo com Marshall. Mas Andreas nunca encarou aquilo como uma derrota. Pelo contrário: ele guarda o episódio como uma das experiências mais marcantes de sua vida. "Passei muito perto. Por pouco não fiz parte de uma turnê com Metallica, Guns N' Roses e Faith No More. Seria incrível, mas mesmo assim foi uma das melhores coisas que já vivi. Até hoje sou amigo dos caras do Metallica, e isso é fantástico."
A história, que poderia ter mudado radicalmente os rumos do Sepultura e do próprio Andreas, mostra não apenas a dimensão do talento brasileiro no cenário mundial, mas também como as conexões do rock podem gerar episódios improváveis. Por pouco, o menino do Tatuapé que cresceu ouvindo Black Sabbath, Deep Purple e Queen não se tornou, mesmo que temporariamente, guitarrista do maior gigante do metal do planeta.
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