On The Road: "Jeff Beck é Jeff Beck"

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Por Cláudio Vigo
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Dizem que atrás de todo arco íris tem um pote de ouro e dizem também que tem sempre um dia na sua vida que é o dia. Nem estava pensando nisso quando com grande ansiedade saí do excelente show de Allen Toussaint no NEW ORLEANS JAZZ & HERITAGE FESTIVAL para o palco onde tocaria o inventor da guitarra elétrica: o monstro sagrado JEFF BECK.

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Já escrevi por aqui minha obsessão pelo homem, mas fazia exatos 11 anos da última vez que o tinha visto no palco, quando larguei meu filho de 15 dias de nascido e fui pro show no Rio. Minha mulher indignada me ridicularizou, mas eu disse o pleonasmo como se fosse uma oração beata: “Tenho que ir - Jeff Beck é Jeff Beck”. Isso virou uma piada familiar que é usada até hoje contra mim.

Caminhando para lá pude perceber que estava no contra fluxo, pois a multidão ululante e ignara caminhava solene para o set do PEARL JAM. Eu uniformizado com minha camiseta de excursão de 75 customizada ia abrindo caminho desta vez com minha mulher ao lado pra ver a fera de perto. Tinha uma boa multidão lá e quando entrei na área reservada fui abordado pelo guitarrista local Darren Murphy, que tinha conhecido num boteco da Bourbon Street choramingando e dizendo que este era o sonho de sua vida e que tinha assistido moleque um show dele com FLEETWOOD MAC em 77 em que, por problemas técnicos, ele havia abandonado o palco depois de quatro músicas: “comecei a tocar guitarra depois disso” gemeu o bom guitarrista (mais um, pensei comigo).

A platéia estava um capitulo a parte; texanos de chapelão e charuto, peruas, uns rastafaris e uma senhora de vestido florido e chapelão que perguntava se alguém tinha “some marijuana”. Meu companheiro de viagem (no sentido amplo), o oráculo de Campo Largo – Ruy Dikran soltou um "barbaridade” característico e vaticinou: "Hoje vais ser a day in our lifes”. Os roadies espalhavam flores no palco quando sobre grande estrondo adentrou a lenda acompanhado de Jason Rabello (teclados), Ronda Smith (baixo) e Narada Michael Walden (bateria) com uma matadora versão de "Stratus". O mestre está bastante envelhecido, muito magro com uma tintura de cabelo próxima do acaju nervoso e uma ropicha que deve ter saído do guarda roupa do Serguei. Vários braceletes e um anelão completavam o visu.

Ruy (bela camiseta!), Vigo e Zema
Ruy (bela camiseta!), Vigo e Zema

O domínio que o homem tem do instrumento é total e ele sabe disso. Cem por cento do que sai daquela fender Branca é pensado e processado aproveitando o máximo das possibilidades e efeitos. O troço acaba ficando de uma simplicidade total. Cada música traz uma usina de idéias e detalhes impressionantes. O uso da alavanca, microfonia e volume é perfeito. As idéias são muito ricas e vão se sucedendo em avalanche. Meu velho amigo e tecladista Zemalord estava extático e perplexo e Ruy Dikran clamava aos céus algum outro vaticínio entre as densas nuvens.

"People get ready" apareceu numa versão impressionante, "A day in the life" sucedeu assim como uma surpreendente “I Wanna take you higher” do seminal Sly Stone. Ronda Smith é uma coisa muito séria no baixo e estava arrasadora. Narada Michael Walden manteve o altíssimo nível habitual. A cada momento a coisa ia ficando mais absurda e quando a versão de “Over the Rainbow" apareceu se ouviam gritos, sussurros e pranto convulso geral.

No bis ele veio mostrar uma velha Les Paul onde tocou sobre base pré gravada de vozes e terminou em absoluto pandemônio visivelmente emocionado e feliz pois o enorme público estava em delírio absoluto. Narada Michael walden jogou as baquetas ali na primeira fila onde estávamos e o inacreditável aconteceu de novo. Marmanjos de todos os tamanhos pularam com desespero mas a dita cuja veio cair na mão de minha mulher que estava agora no chão pisoteada. Nem acreditei depois da palheta do Warren Haynes outra relíquia, a baqueta do grande Narada Michael Walden pra entregarmos pro nosso filho que ficou em casa. Ruy Dikran em êxtase extático tinha mirações e balbuciava algo sobre um pote de ouro over the rainbow e de como isso marcava nossas days in the life. Dizia isso com olhar de beato.

Fiquei preocupado e perguntei pra Paula se ela estava machucada, ela guardando a baqueta sorriu e me respondeu piscando: “Jeff Beck é Jeff Beck”. Ganhei o dia, O dia na vida.

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Da safra de 62 , Claudio Vigo ganha a vida com a poesia, o jazz e o rock n roll. Paga as contas como arquiteto.

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