On The Road - "Jeff Beck é Jeff Beck"
Por Cláudio Vigo
Postado em 02 de maio de 2010
Dizem que atrás de todo arco íris tem um pote de ouro e dizem também que tem sempre um dia na sua vida que é o dia. Nem estava pensando nisso quando com grande ansiedade saí do excelente show de Allen Toussaint no NEW ORLEANS JAZZ & HERITAGE FESTIVAL para o palco onde tocaria o inventor da guitarra elétrica: o monstro sagrado JEFF BECK.
Já escrevi por aqui minha obsessão pelo homem, mas fazia exatos 11 anos da última vez que o tinha visto no palco, quando larguei meu filho de 15 dias de nascido e fui pro show no Rio. Minha mulher indignada me ridicularizou, mas eu disse o pleonasmo como se fosse uma oração beata: "Tenho que ir - Jeff Beck é Jeff Beck". Isso virou uma piada familiar que é usada até hoje contra mim.
Caminhando para lá pude perceber que estava no contra fluxo, pois a multidão ululante e ignara caminhava solene para o set do PEARL JAM. Eu uniformizado com minha camiseta de excursão de 75 customizada ia abrindo caminho desta vez com minha mulher ao lado pra ver a fera de perto. Tinha uma boa multidão lá e quando entrei na área reservada fui abordado pelo guitarrista local Darren Murphy, que tinha conhecido num boteco da Bourbon Street choramingando e dizendo que este era o sonho de sua vida e que tinha assistido moleque um show dele com FLEETWOOD MAC em 77 em que, por problemas técnicos, ele havia abandonado o palco depois de quatro músicas: "comecei a tocar guitarra depois disso" gemeu o bom guitarrista (mais um, pensei comigo).
A platéia estava um capitulo a parte; texanos de chapelão e charuto, peruas, uns rastafaris e uma senhora de vestido florido e chapelão que perguntava se alguém tinha "some marijuana". Meu companheiro de viagem (no sentido amplo), o oráculo de Campo Largo – Ruy Dikran soltou um "barbaridade" característico e vaticinou: "Hoje vais ser a day in our lifes". Os roadies espalhavam flores no palco quando sobre grande estrondo adentrou a lenda acompanhado de Jason Rabello (teclados), Ronda Smith (baixo) e Narada Michael Walden (bateria) com uma matadora versão de "Stratus". O mestre está bastante envelhecido, muito magro com uma tintura de cabelo próxima do acaju nervoso e uma ropicha que deve ter saído do guarda roupa do Serguei. Vários braceletes e um anelão completavam o visu.
O domínio que o homem tem do instrumento é total e ele sabe disso. Cem por cento do que sai daquela fender Branca é pensado e processado aproveitando o máximo das possibilidades e efeitos. O troço acaba ficando de uma simplicidade total. Cada música traz uma usina de idéias e detalhes impressionantes. O uso da alavanca, microfonia e volume é perfeito. As idéias são muito ricas e vão se sucedendo em avalanche. Meu velho amigo e tecladista Zemalord estava extático e perplexo e Ruy Dikran clamava aos céus algum outro vaticínio entre as densas nuvens.
"People get ready" apareceu numa versão impressionante, "A day in the life" sucedeu assim como uma surpreendente "I Wanna take you higher" do seminal Sly Stone. Ronda Smith é uma coisa muito séria no baixo e estava arrasadora. Narada Michael Walden manteve o altíssimo nível habitual. A cada momento a coisa ia ficando mais absurda e quando a versão de "Over the Rainbow" apareceu se ouviam gritos, sussurros e pranto convulso geral.
No bis ele veio mostrar uma velha Les Paul onde tocou sobre base pré gravada de vozes e terminou em absoluto pandemônio visivelmente emocionado e feliz pois o enorme público estava em delírio absoluto. Narada Michael walden jogou as baquetas ali na primeira fila onde estávamos e o inacreditável aconteceu de novo. Marmanjos de todos os tamanhos pularam com desespero mas a dita cuja veio cair na mão de minha mulher que estava agora no chão pisoteada. Nem acreditei depois da palheta do Warren Haynes outra relíquia, a baqueta do grande Narada Michael Walden pra entregarmos pro nosso filho que ficou em casa. Ruy Dikran em êxtase extático tinha mirações e balbuciava algo sobre um pote de ouro over the rainbow e de como isso marcava nossas days in the life. Dizia isso com olhar de beato.
Fiquei preocupado e perguntei pra Paula se ela estava machucada, ela guardando a baqueta sorriu e me respondeu piscando: "Jeff Beck é Jeff Beck". Ganhei o dia, O dia na vida.
On The Road
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A banda mais singular da história do rock, na opinião de Steve Vai
O guitarrista preferido de Justin Hawkins, do The Darkness; "É um Deus"
De Sepultura a Madonna, os melhores discos lançados em 1986, segundo Scott Ian
Bruce Dickinson lista os vocalistas que fazem ele pensar "Jamais serei tão bom quanto eles!"
Com membros do Cannibal Corpse e Deicide, Umbilicus anuncia novo EP
Sepultura fará show sem "Roots", "Arise" e "Ratamahatta" no Rock in Rio
Scorpions suspende atividades de 2026 devido a "circunstâncias imprevistas"
Os três astros de Hollywood por quem Roger Waters não tinha o menor interesse
Iron Maiden anuncia box-set com os 9 primeiros discos em LPs coloridos
O álbum do Sepultura que influenciou o lendário Glenn Tipton do Judas Priest
Baterista original do Black Sabbath, Bill Ward está finalizando novo álbum solo
A banda famosa que Kurt Cobain dizia ter uma música que "era uma porcaria"
Steve Vai considera Brian May um gênio que está em um patamar superior
A gravação inédita da Legião Urbana que ainda pode ver a luz do dia
Classic Rock ranqueia discografia dos Rolling Stones do pior ao melhor álbum

O álbum mais bem-sucedido de Jeff Beck que o próprio guitarrista gostaria de apagar
10 rockstars que fizeram mais sucesso depois de serem demitidos da banda, segundo a Loudwire
O guitarrista que Tony Iommi considera "incopiável"; "diferente e único"
Geddy Lee responde se o Rush vai gravar novas músicas com a baterista Anika Nilles
David Gilmour aponta o maior guitarrista britânico de todos os tempos


