Os cinco bateristas favoritos de Charlie Watts, dos Rolling Stones
Por Bruce William
Postado em 29 de janeiro de 2026
Quando Charlie Watts falava de bateria, ele quase sempre voltava ao mesmo ponto: tempo. Como é de se imaginar, ele nunca ligou para a coisa do solo interminável que desanda em um show circense, pra ele o que importava era ter a mão que segura tudo no lugar, deixa a banda respirar e, justamente por isso, vira o tipo de baterista que músico gosta de ter do lado.
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Os cinco nomes que ele escolheu, em lista compilada pela Far Out, dizem bastante sobre isso. A maioria vem do jazz (o território onde Watts se sentia em casa), e mesmo quando ele olha para o rock mais antigo, a justificativa continua parecida: tocar com gosto, com dinâmica, com "clima", sem tentar aparecer mais do que a canção.
Max Roach aparece primeiro, e o motivo fica claro quando Watts conta a lembrança mais concreta: ver o cara ao vivo no Carnegie Hall. Ele diz que Roach tocava "de um jeito que eu não imaginava" e descreve a abertura como uma espécie de valsa. O ponto, pra ele, era o tempo. A cena que ficou na cabeça é simples e didática ao mesmo tempo: Roach começava no básico - tum-tchá, tum-tchá - e aos poucos ia enchendo aquilo de variações, sem perder o tempo. Watts ainda faz questão de citar a fase com Clifford Brown como um daqueles momentos em que dá pra entender por que Roach era tão respeitado.
O primeiro é Max Roach, e dá pra sentir o encantamento do Watts quando ele lembra de vê-lo ao vivo no Carnegie Hall, quando ele descreveu Roach como alguém "incrível", falou da forma como ele começou num clima de valsa e, sobretudo, como tudo era "tempo": "Foi tudo 'time'. Foi lindo", ele disse, contando também como Roach começava simples ("boom dit, boom dit") e ia construindo por cima, além de destacar a fase com Clifford Brown.
O segundo é Elvin Jones, outro gigante do jazz e um cara com quem Watts chegou a ser comparado, e a admiração era tão grande que ele gravou um tributo a Jones ao lado de Jim Keltner, o que já diz muito sobre o tamanho dessa referência na cabeça dele.
A escolha mais "rock and roll raiz" é Jerry Allison, do Buddy Holly & The Crickets. Watts chamou o Allison de "brilhante" e explicou por quê: "Ele provavelmente é o melhor 'song' player que eu conheço... ele não toca a bateria, ele toca as músicas." E ele ainda completou a ideia do jeito que baterista de banda entende na hora: quando você está servindo a música, isso vale mais do que ter "toda a técnica do mundo" embora, segundo Watts, o Allison também tivesse técnica de sobra.
A quarta menção é Joe Morello, do Dave Brubeck Quartet. Aqui o Watts não está dizendo que toca parecido; é outra coisa. Ele fala do impacto de ver o cara tocar: "Joe Morello é o primeiro cara que eu vi que era o 'player' mais bonito que eu já tinha visto na vida", e conta que ficava olhando só pra entender a mão do sujeito, porque o estilo visual dele era "outra coisa", além de ser "brilhante".
E tem Buddy Rich, que ele trata com aquele respeito de quem sabe que está diante de um fenômeno. Watts comenta a "história" do Rich, cita gravações com Charlie Parker e se espanta com a maneira como ele arrancava introduções absurdas usando, às vezes, só dois tambores. O detalhe que mais pega nele é bem Watts: "A colocação das notas... o tempo disso era impressionante." E ele fecha com uma sinceridade boa: não era algo que ele pretendesse copiar, mas sim coisa de ouvir e assistir pra curtir mesmo.
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