O guitarrista que ninguém conseguia decifrar, conforme Roger Waters; "coisas meio mágicas"
Por Bruce William
Postado em 03 de janeiro de 2026
Roger Waters sempre tratou seus discos como viagens guiadas por conceito e clima, e isso fica ainda mais evidente quando ele passa a montar bandas e convidados para levar essas ideias para o estúdio e para o palco. Depois do período no Pink Floyd, ele manteve essa lógica de "obra com elenco", mas sem ter David Gilmour ao lado para resolver as guitarras com aquela assinatura que todo mundo reconhece.
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Na virada de "The Wall" para os projetos solo, Waters foi cercando esse espaço com gente experiente. Snowy White, por exemplo, já tinha estado com o grupo na turnê de "The Wall" e acabou entrando no radar dele para outras formações, inclusive quando Waters transformou "The Wall" em espetáculo no show de Berlim, em 1990.
Só que o salto de vitrine mesmo aparece quando ele chama Eric Clapton para tocar em "The Pros and Cons of Hitchhiking". Era uma escolha "óbvia" para quem queria um guitarrista de nome grande, com personalidade própria e mão firme para gravar rápido - e, a partir dali, Waters deixa claro que a guitarra nos discos dele não seria um detalhe: seria parte do argumento.
Quando chega em "Amused to Death", a lista de participações fica ainda mais chamativa, e o disco ganha um peso especial por causa de Jeff Beck. Waters fala do álbum como trabalho dele, mas é difícil ignorar o quanto Beck ocupa espaço ali - não como "convidado de luxo", e sim como alguém que empurra as faixas para outro lugar, com frases e timbres que viram a cena sem pedir licença.
Foi nesse ponto que Waters descreveu o jeito de Beck de um modo bem concreto, sem romantização. Ele contou que gravaram em poucos dias e que o guitarrista fazia as coisas acontecerem de forma quase automática, como se já soubesse exatamente o que procurar assim que ouvia a base. Nas palavras de Waters, resgatadas pela Far Out:
"Acho que trabalhamos com ele por uns três ou quatro dias para fazer as coisas que ele faz no álbum. E foi impressionante. Ele chegava ao estúdio com uma guitarra novinha, tirava ela da caixa, você rodava a faixa e ele começava a fazer essas coisas meio mágicas. Você diz o que quer, e ele faz isso também, como se fosse fácil. O que eu acho extraordinário é que, mesmo se você ficar olhando bem de perto os dedos dele, você ainda não consegue entender como ele está fazendo aquilo."
A história é uma lembrança prática de estúdio. Waters estava descrevendo um cara que chegava, ouvia, tocava - e entregava exatamente o que o arranjo pedia, sem transformar isso num evento ou numa aula. Para quem estava tentando montar discos com ambição sonora e narrativa, ter alguém assim ao lado era meio caminho andado.
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