A canção que tem dois dos maiores solos de guitarra de todos os tempos, conforme Tom Morello
Por Bruce William
Postado em 27 de janeiro de 2026
Em geral, rock clássico segue um roteiro conhecido: refrão, verso, e em algum ponto entra o solo. Só que algumas músicas bagunçam a regra de propósito, e "Mr. Crowley", do Ozzy Osbourne, é uma dessas. Ela não tem "um" solo marcante. Tem dois, e os dois aparecem como se fossem capítulos diferentes da mesma conversa.
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Ao menos é o que diz Tom Morello (Rage Against The Machine), conforme fala publicada na Far Out onde ele diz que, se alguém quer entender como um bom solo funciona, dá pra olhar pra "Mr. Crowley" como manual prático, pois pra ele os dois solos do Randy Rhoads nessa música são o pacote completo.
"[Meus solos favoritos são] o número 1A e o número 1B, que são os solos em 'Mr. Crowley', do Randy Rhoads. Você pode ensinar isso num curso universitário de musicologia ou bater cabeça ao som de Metal antes do show, do lado de fora do palco!", disse Tom, apontando uma dupla utilidade: dá pra curtir feliz na simplicidade ou destrinchar nota por nota.
A própria história do Rhoads ajuda a entender por que isso chama tanta atenção. Ele entra na carreira solo do Ozzy vindo de outra formação e outro vocabulário musical, e a guitarra dele traz um tipo de organização e "desenho" que não depende de velocidade por si só. Em "Mr. Crowley", isso fica bem evidente porque a música pede mais do que um riff simples e um solo curto de passagem.
A faixa já começa com aquela atmosfera meio "cerimônia da meia-noite", e aí desaba no riff. A letra cita Aleister Crowley, e o clima combina com isso. A partir dali, o Rhoads vai alternando fraseado, tensão e resolução como quem está contando uma história, e o fato de existir um segundo solo, depois, dá a chance de ele mudar o tom sem perder a identidade.
E tem também o detalhe triste que sempre volta quando se fala do Randy Rhoads: ele morreu cedo, num acidente de avião em 1982, depois de gravar só dois álbuns de estúdio com o Ozzy. Fica aquela impressão de "e se tivesse continuado?". Pra Morello, pelo menos, o que ficou em "Mr. Crowley" já é material suficiente pra ele apontar e dizer: dá pra aprender, dá pra se divertir - e dá pra fazer as duas coisas na mesma música.
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