Os 6 álbuns favoritos de todos os tempos do saudoso guitarrista Jeff Beck
Por Gustavo Maiato
Postado em 06 de dezembro de 2025
Quando Jeff Beck morreu em 2023, o mundo da música mergulhou em luto. Considerado um dos guitarristas mais originais e revolucionários que o rock já produziu, Beck dedicou sua vida inteira à arte - e chegou a se apresentar em turnê mundial poucos meses antes de falecer. Sua habilidade transcendia técnica: Keith Richards, que raramente elogia alguém, certa vez declarou, "Esse é um cara que eu admiro muito. Ele é um grande músico." Já Ritchie Blackmore resumia com precisão o impacto de Beck: "Ele era tão diferente de qualquer um." As entrevistas foram resgatadas pela Far Out.

Apesar de ter passado pelos Yardbirds, assim como Jimmy Page e Eric Clapton, Beck nunca foi um músico facilmente domesticável. Seu espírito livre falava mais alto do que qualquer ambição por fama ou estabilidade. Sua carreira solo - mais de uma dezena de álbuns, incluindo o clássico "Blow By Blow" (1975) - reflete essa busca incessante por sons novos, texturas incomuns e caminhos pouco explorados. Não por acaso, foi procurado por artistas como Roger Waters, Kate Bush, Stevie Wonder, Rod Stewart e até Johnny Depp.
Jimmy Page, amigo de longa data de Beck, descreveu-o no documentário Still On The Run (2018) de forma desarmante: "Todos respeitam Jeff. Ele desenvolveu uma técnica tão complexa que é um prazer ver, ouvir e sentir. Quando toca, ele está conversando com você - só não está cantando."
Como qualquer apaixonado por música, Jeff Beck também tinha seus heróis. Pouco antes de falecer, ele listou ao Daily Express seus seis álbuns favoritos de todos os tempos, revelando um panorama íntimo de suas referências - dominadas, como era de se esperar, pelo blues.
Os álbuns favoritos de Jeff Beck
1. B.B. King – Live at the Regal (1965)
O primeiro lugar da lista é um clássico absoluto: "Live at the Regal", gravado em Chicago, é um dos registros ao vivo mais influentes da história do blues. Para Beck, esse disco foi revelador:
"Eu estava ouvindo blues por volta de 1963 quando tropecei nesse álbum. É uma performance eletrizante de guitarra blues, e o B.B. é um mestre da técnica de microfone. Ele baixa tudo até um sussurro e depois explode em solos incríveis."
Décadas depois, Beck gravaria seu próprio álbum ao vivo no B.B. King Blues Club, em Nova York - um círculo que se fechava com elegância.
2. Gene Vincent – Gene Vincent & His Bluecaps (1957)
Beck volta aos primórdios do rockabilly para seu segundo disco favorito. Gene Vincent influenciou profundamente músicos britânicos dos anos 1960, inclusive os Beatles e os Kinks.
"Quando 'Be-Bop-A-Lula' saiu, eu fiquei fisgado. Minha irmã deixou esse álbum jogado por aí e eu o toquei o dia inteiro. Nenhuma outra banda capturou um rockabilly tão refinado. Quando minha mãe mandou eu tirar o disco, percebi que aquela era a minha música."
3. Jan Hammer – The First Seven Days (1975)
Parceiro frequente de Beck, Jan Hammer é mais lembrado pelo tema de Miami Vice, mas sua obra instrumental vai muito além. Curiosamente, o álbum favorito de Beck não tem guitarras - tudo é feito com sintetizadores, violinos elétricos, piano e percussão.
"A música aqui é tão gráfica. O Jan virou meu herói quando tocava no Mahavishnu Orchestra. Ele fazia notas com o teclado soarem como guitarra, e eu fiquei obcecado com isso."
4. The Jimi Hendrix Experience – Are You Experienced? (1967)
Era impossível que a lista de Jeff Beck não incluísse Jimi Hendrix. Sua estreia mudou a história do rock e redefiniu o papel da guitarra elétrica.
Beck lembra nitidamente da primeira vez em que viu Hendrix ao vivo, antes mesmo do lançamento do álbum:
"Eu o vi num clube underground. Aquelas garotas de Biba provavelmente esperavam um cantor folk, mas ele entrou no palco e destruiu tudo. Isso abalou todos nós - eu, Eric Clapton, Jimmy Page. Ele era tão bom que nos fez pensar no que faríamos da vida."
5. Miles Davis – A Tribute to Jack Johnson (1971)
Mais uma escolha improvável e intensa: esse álbum híbrido de jazz, improvisação e groove profundo marcou Beck durante um momento sombrio de sua vida, logo após sua ruptura profissional com Rod Stewart.
"Esse disco me tirou do fundo do poço. Eu mexia num carro na porta de casa quando ouvi esse shuffle livre no rádio. A trompete do Miles entra aleatoriamente com a melodia - essa liberdade me conquistou. O McLaughlin toca aqui também, e isso me mostrou o rumo da minha próxima fase."
6. Muddy Waters – At Newport 1960 (Soul Jam) (1960)
Beck sempre foi um defensor da força do blues ao vivo, e At Newport é um dos maiores momentos de Muddy Waters.
"Muddy Waters podia cantar com o pior guitarrista do mundo e ainda soar incrível. A voz dele é profunda, grossa, com aquela gramática imperfeita dos cantores de blues. É ao vivo - e ele toca como um furacão."
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