O que Titãs e Camisa de Vênus têm que outras do rock não têm, segundo Raul Seixas
Por Gustavo Maiato
Postado em 29 de janeiro de 2026
Em meio aos anos 1980, o Brasil vivia a febre do rock nacional. A geração que trouxe às rádios bandas como Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e Legião Urbana transformou o gênero em fenômeno de massa. Mas, entre tantos nomes, uma banda em especial chamou a atenção de Raul Seixas, o eterno maluco beleza - os Titãs.
A revelação aparece no livro "A Vida Até Parece Uma Festa", biografia oficial da banda. Em um perfil publicado na revista IstoÉ, à época do lançamento do álbum "Jesus não tem dentes no país dos banguelas" (1987), a matéria destacava o "furor adolescente da titãmania" e reuniu depoimentos de artistas e personalidades sobre o grupo. Entre eles, Caetano Veloso, Raul Seixas e o presidente da Warner, André Midani.

Caetano foi direto ao ponto: "Atualmente o que de melhor se tem na música brasileira é os Titãs". Raul concordou - mas foi além. Para ele, havia algo nos Titãs que as outras bandas simplesmente não possuíam: metafísica. "Dos conjuntos modernos, os melhores são o Camisa de Vênus e os Titãs, porque os outros não têm metafísica", afirmou Raul.
Titãs e Raul Seixas
A declaração chama atenção, sobretudo por vir de um artista que raramente elogiava o rock brasileiro daquela geração. Conhecido por sua língua afiada e por sua exigência artística, Raul Seixas não costumava poupar críticas às bandas que, em sua visão, reduziam o rock a fórmulas repetitivas.
Em entrevistas daquele período, ele ironizava o som de grupos populares - chegou a apelidar os Paralamas do Sucesso de "Para-choques do Fracasso" - e dizia que muitos músicos "pegavam o baixo e ficavam dando numa nota só". Para ele, o verdadeiro rock'n'roll havia morrido em 1959, quando perdeu seu caráter comportamental e transgressor. "O rock regrediu. Musicalmente e letristicamente. Está faltando muito Mutantes na jogada", disse Raul em 1989, em entrevista à Rádio Cidade.
Nesse contexto, o elogio aos Titãs ganha peso. Quando Raul fala em "metafísica", ele não está se referindo apenas à filosofia - termo que, na tradição ocidental, remete ao estudo do ser, da existência e da natureza das coisas. A explicação é do Brasil Escola. Ele se refere a algo mais profundo: uma dimensão intelectual e simbólica que ele enxergava na música dos Titãs e que, para ele, faltava às demais bandas da época.
Os Titãs, especialmente nos discos "Cabeça Dinossauro" (1986) e "Jesus não tem dentes no país dos banguelas" (1987), mostravam um olhar ácido sobre a sociedade brasileira, misturando ironia, crítica política, humor e existencialismo. Canções como "Comida", "Polícia" e "O Que" expunham contradições sociais e morais de um país em transição - e talvez fosse justamente esse mergulho no comportamento humano que Raul identificava como "metafísico".
André Midani, então presidente da Warner, concordava com a visão de que os Titãs representavam algo novo e essencial na música brasileira: "Os Titãs são o fato musical mais importante depois da Tropicália", afirmou o executivo.
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