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Problemas

Por Ari Santa Lucia Jr | Em 13/08/04
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Saudações! E aí, beleza? Tá chateado porque não teve coluna semana passada? Eu sei que sim, mas qual o motivo de tanto de tanto furo, você deve estar pensando, não? Problemas, muitos problemas...

Pra ser rápido e direto, tem muita gente que não gosta realmente deste espaço, e não estou falando de leitores comuns (saca?). Nos últimos meses a coisa piorou, só que bem ou mal a coluna vai seguindo em frente e com novidades.

Não é de hoje que recebo e-mails perguntando quando é que farei um blog para Na Hora do Rock. No final de todo texto, lá embaixo, tem um link em que os leitores podem deixar suas mensagens, numa espécie de fórum, mas mesmo assim o pessoal quer mais. Como eu não tenho a menor condição de criar um, estou abrindo espaço pra quem quiser fazer um blog da coluna. É sério, sem alguém se oferecer, rola.

Quem tiver condições de fazer um bem legal é só mandar um e-mail para nahoradorock@hotmail.com que a gente combina, ok?


Hoobastank no Brasil

Se alguém falasse em dezembro passado, quando fiz a resenha de “The Reason”, que o Hoobastank viria ao Brasil apenas alguns meses depois para uma promo tour, eu cairia na gargalhada.

Mas o sucesso da balada “The Reason” continua tão grande que é isso mesmo que vai acontecer: a banda desembarca no final do mês aqui no Brazilzão para dar entrevistas e fazer um show privado no próximo dia 25 na 89 FM de São Paulo. Vai encarar?


Alter Bridge

Sei que tem gente que abomina Creed, e até entendo o motivo, então se você é uma dessas pessoas, pode pular este texto.

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Caiu nas lojas americanas esta semana o debut do Alter Bridge, projeto dos remanescentes do Creed (na verdade é a banda com vocalista novo).

Só a atitude dos caras de continuar na música sob um novo nome é mais que louvável. Se por um lado não estraga o nome do Creed, também não fica parecendo banda caça-níquel. Além disso, até hoje só conheço uma banda que trocou de vocalista no auge sem trocar de nome e continuou com o mesmo sucesso: Van Halen.

Mas voltando ao Alter Bridge, a novidade fica por conta do vocalista Myles Kennedy. O cara tem o mesmo estilo de Eddie Vedder e seu timbre de voz chega a cansar em muitos momentos, o que já era de se esperar. Só que ele se encaixa perfeitamente no som da banda e não compromete em nada.

“One Day Remains” traz aquelas letras “profundas”, de cunho religioso muito duvidoso e algumas passagens fortes sempre dizendo que eles estão vivos, numa clara resposta ao que passaram nos últimos dois anos. O que realmente chama a atenção é o peso do cd que em muitas vezes chega a lembrar o Disturbed, tamanho bom gosto do guitarrista Mark Tremonti.

“Find The Real” traz riff e refrão cadenciados, além de vários solos de guitarra, o que não acontecia com muita freqüência no Creed. Em seguida vem a porrada da faixa-título com outro riff animal e rapidíssimo, só que dessa vez mais animado.

“Metalingus” é metal, você não leu errado, com um baita refrão estilo anos 80 e de longe é uma das melhores composições de Mark. Realmente empolga, além de ser uma bela surpresa vinda de uma banda grunge.

É lógico que nem tudo são flores. “Burn It Down”, por exemplo, é tão ruim que chega a embrulhar o estômago, mas ainda bem que é um caso isolado.
E há os hits, lógico, e como há hits nesse trabalho. “Open Your Eyes” foi a escolha perfeita para ser o primeiro single, pois é melhor música do cd.

Se você gosta de baladas não pode reclamar, pois têm várias. A melhor delas é “Broken Wings”, uma espécie de nova “With Arms Wide Open”, do jeito que esses caras sabem fazer muito bem.

“One Day Remains” é um disco que acerta no alvo, e embora não seja nada fora do comum, tem lá sua importância em tempos bicudos, em que pouca coisa nova de qualidade está sendo feita.


Bandas novas

A coluna hoje apresenta duas bandas novas bem legais. Uma é alternativa na linha do maravilhoso The Stills (você deu uma chance para o delicioso “Logic Will Break Your Heart”?), e a outra é metal moderno europeu de primeira linha.

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The Jealous Sound foi formado no final dos anos 90 em Los Angeles pelo ex-Knapsack, Blair Sheshan. Ele pretendia um som calmo, leve, na linha alternativa, mas que também fosse potente, com influências de Foo Fighters da época do baladeiro “There Is Nothing Left To Loose” e do pop britânico inglês dos anos 80.

Em 2000 o grupo lançou um EP auto-intitulado e saiu em turnê ao lado do At The Drive In, que rendeu bons frutos, já que a Spin rasgou a seda para os caras. Por causa disso não demorou muito para sair o debut “Kill Then With Kindness”, de 2003, que apesar do título, é álbum muito gostoso de ouvir.

A banda faz um rock alternativo rasgado com vocais calmos, sendo a perfeita combinação de The Stills, Foo Fighters e Smiths.

O single “The Fold Out” entrou na programação das principais rádios universitárias dos Estados Unidos e rendeu à banda um convite para cair na estrada ao lado do Foo Fighters no ano passado.

O vocal sussurrado e angustiante de Blair em “Hope For Us” ou a agressividade de “Naive” faz deste cd um prato cheio pra quem está enjoado dessas pragas alternativas de quinta categoria que entopem a MTV. Site www.jealoussound.com.


Lordi

Já o Lordi eu descobri através de uma dica de um leitor, aliás, se você acha uma banda legal que está começando a despontar, não pense duas vezes e me mande o nome por e-mail.

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Tá vendo a foto estilo Gwar, digamos assim, ridícula, aí do lado? Sim é a banda, mas não se deixe levar pela aparência. Sei que é difícil acreditar que o som deles é legal, mas é verdade.

Pra variar, os caras vêm da Finlândia e fazem um heavy metal comum, mas com influências modernas, então vez por outra ouve-se um teclado aqui, uma referências de Rammstein ali...

Com vocal bem surrado, até meio podre, e guitarras bem arranjadas, o Lordi não pode de maneira alguma ser avaliado pelo seu visual, pois seu som tem melodia e muitas canções são realmente bacanas.

Eles estão numa grande gravadora (BMG), vendem muitos discos, principalmente na Alemanha, e estão dando o que falar lá fora. Seu novo álbum “The Monsterican Dream” saiu no mês passado na Europa e conseguiu firmar a reputação da banda como o sucesso do single “My Heaven Is Your Hell”.

Mas o disco não fica só nisso. “Bring It On” e “Blood Red Sandman” são duas pauladas de tirar o fôlego. Repito mais uma vez: esqueça o visual deles e vá atrás desse disco que vale a pena. Site: www.lordi.org.


Aerosmith liberado

Corra para www.aerosmith.com porque a banda resolveu liberar vários vídeos bacanas de seu novo álbum que antes só podiam ser vistos no site. Agora qualquer um pode fazer o download deles, principalmente o EPK de “Honkin´ On Bobo”.


MTV sem música

Não é novidade, mas a coisa piorou ainda mais. A MTV Latino que sempre foi um canal de música pelo menos razoável e se destacava por apresentar lançamentos com mais de um mês de antecedência da concorrente brasileira, literalmente acabou com a música em sua programação. Os poucos programas legais foram para o saco e hoje, como a matriz norte-americana, limita-se a passar aqueles mesmos vídeos “mais pedidos” de sempre.

Já há até abaixo-assinado aqui no Brasil para ser enviado à operadora que transmite o canal para que seja tomada uma providência, pois a maioria do público que gosta de música trabalha de dia e quando chega à noite quer assistir TV. Só que a emissora não passa um mísero clipe nesse horário...

E pra completar, a vinda da VH-1 ao Brasil tornou-se quase impossível...


Obrigatório
The Clash – London Calling

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Se tem um estilo de música que pode-se dizer que mudou alguma coisa no mundo (embora muito pouco ou quase nada), é o punk rock. De repente, no final da década de 70 apareceram uns garotos comuns e totalmente revoltados contra o sistema que viraram ídolos da juventude com seu som barulhento, de apenas três acordes e letras mais do que ácidas. Embora a banda mais comentada do estilo até hoje seja o Sex Pistols, foi com o The Clash que a coisa pegou pra valer, já que nenhum outro grupo punk conseguiu o sucesso e a influência desses ingleses. Além disso, o Clash era muito mais que uma banda punk, já que seu som tinha pitadas de ska, rockabilly e até reggae, sendo, sem dúvida, o pioneiro nessa mistura. Foram os responsáveis pelo estouro do estilo e nesse álbum a banda mostra bem à que veio. Logo de cara, o primeiro clássico: a faixa título. Cadenciada, porém pesada, mostra bem o clima do álbum. Seu maior sucesso, a pegajosa “Should I Stay or Should I Go” não é desse disco, mas é em “London Calling” que o Clash ensinou ao mundo como fazer punk de atitude. Indispensável.

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Sobre Ari Santa Lucia Jr

É jornalista, especializado em música, já tendo trabalhado para a Agência Reuters, Som Livre.com e DGolpe.com.

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