Pink Floyd: 30 anos de "The Division Bell"
Resenha - Division Bell - Pink Floyd ]
Por Isaias Freire
Postado em 30 de abril de 2024
Ouço Pink Floyd desde sempre. Lembro-me de um episódio na minha juventude durante um carnaval, logo no início dos anos 80, que fui passar em Rio das Ostras, no litoral do Rio de Janeiro. O local ainda era um balneário interessante e sem a mega procissão que a região enfrenta nos dias de hoje. Em meio a uma semana que só se ouvia samba, em frente a um bar, tinha um carro com o som na maior altura e pasmem, tocava "Wish You Were Here". Foi um alento aos meus ouvidos, tanto que me lembro da passagem até hoje.
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Vejo a carreira da banda dividida em 4 períodos bem distintos: o primeiro vai do disco inicial até o "Obscure by Clouds", são 7 discos; a segunda fase engloba 3 discos, "Dark Side", "Wish You Were Here" e "Animals"; a posterior, "The Wall" e "Final Cut", e a quarta e última, os discos sem Roger Waters. Pois bem, sem entrar no mérito de cada fase, assumo que escuto todas sem preconceitos.
"The Division Bell" neste ano está completando 30 anos, é o décimo segundo disco da banda e não conta com Roger Waters, porém, conta com a participação do saxofonista Dick Parry que volta a colaborar com o Pink Floyd depois de quase 20 anos, participando da faixa "Wearing the Inside Out". No lançamento, a crítica especializada desceu o malho no disco, mas ele foi sucesso absoluto de público, chegando a alcançar o primeiro lugar em vários países. O termo "Division Bell" foi inspirado no Sino da Divisão do Parlamento Inglês, que é tocado quando ocorre uma divisão de opiniões entre os parlamentares, o que indica o momento de haver uma votação.
O disco é longo, 11 músicas, tem mais de uma hora e é extremamente irregular. Possui ótimas músicas, passagens questionáveis e algumas músicas até chatas. No grupo das ótimas músicas estão as duas instrumentais; a abertura do disco "Cluster One" e a "Marooned" -- que chegou a ganhar um Grammy Award na categoria de "Melhor Performance de Rock Instrumental" em 1995. Tem também "A Great Day for Freedom", onde a letra justapõe a euforia da queda do Muro de Berlim com a limpeza étnica e o genocídio que se seguiu na Iugoslávia; "Wearing the Inside Out" onde os vocais ficam com Richard Wright e o super sucesso "High Hopes", uma canção sobre a infância e adolescência de Gilmour em Cambridge. O resto não merece comentários.
O disco deixa duas coisas bem claras, a primeira é a sensibilidade e genialidade de David Gilmour portando uma guitarra, sempre poucas notas colocadas na hora certa, e a segunda, a fragilidade que ele tem em escrever letras, evidenciado pela participação de Samson (sua esposa) em quase todas as letras do disco. Particularmente, não levo muito em consideração as opiniões arrogantes de Roger Waters, porém acho que ele estava certo em declarar que "The Division Bell" não é um álbum Pink Floyd, dado ao excesso de participações de outros autores nas letras do disco. Ficaria melhor como um disco de David Gimour.
A capa é um ícone do rock, as esculturas só perdem em popularidade para o prisma de "Dark Side", ganhando até do falo do "Presence" do Led Zeppelin.
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