O hit do Sepultura que elogiado trecho final foi sugerido por e-mail por cantora brasileira
Por Gustavo Maiato
Postado em 12 de março de 2026
Durante a pandemia, quando shows estavam parados e músicos buscavam novas formas de se conectar com o público, o Sepultura criou um dos projetos online mais comentados do metal: o SepulQuarta. A série de transmissões reuniu artistas do mundo inteiro em colaborações virtuais e acabou gerando momentos curiosos e inesperados.
Um deles envolveu a vocalista do Torture Squad, Mayara Puertas, que participou de uma versão especial da música Hatred Aside ao lado de duas grandes vozes do metal nacional: Angélica Burns, então na banda Hatefulmurder, e Fernanda Lira, da Crypta.

Em entrevista ao jornalista Gustavo Maiato, do Whiplash.Net, Mayara relembrou como o convite surgiu em um período particularmente difícil para músicos. Segundo ela, o isolamento trouxe incertezas e frustração para quem vive da música, com turnês canceladas, discos sem previsão de lançamento e pouca perspectiva para a retomada da carreira. "Foi um período muito triste porque a gente estava isolado. Discos sem poder ser lançados, sem perspectiva de seguir a carreira musical", recordou.
Foi justamente nesse cenário que projetos colaborativos começaram a ganhar força. Para Mayara, participar do SepulQuarta representou uma espécie de respiro em meio às dificuldades daquele período. A cantora explicou que as parcerias feitas naquele ano acabaram aproximando músicos que antes eram apenas referências distantes. "Essas colaborações foram um respiro. Foi um ano em que eu trabalhei com o Sepultura, com o Luís Mariutti, com o Aquiles. Ídolos que acabaram virando parceiros de trabalho", contou.
A versão de "Hatred Aside" reuniu três vocalistas com estilos diferentes e identidades vocais marcantes, algo que, segundo Mayara, tornou a experiência ainda mais especial. Ela também destacou que já acompanhava a trajetória das colegas muito antes de dividir um projeto com elas. "Eu lembro de estar no ensino médio e já ouvir falar da Angélica Burns, quando ela tinha a banda Diva. A Fernanda tocava no HellArise e já era muito comentada no underground", relembrou.
Para Mayara, tanto Angélica Burns quanto Fernanda Lira são figuras fundamentais na cena do metal brasileiro e influenciaram toda uma nova geração de vocalistas. Ao comentar sobre as duas, a cantora preferiu não fazer comparações diretas, destacando o respeito que tem por ambas. "Eu nem tenho como avaliá-las vocalmente, porque estamos falando de gigantes da cena brasileira", afirmou.
Ainda assim, ela explicou que cada uma possui características muito próprias, o que torna suas vozes facilmente reconhecíveis. Enquanto Angélica traz influências de estilos mais modernos, como new metal e metalcore - lembrando bandas como Lamb of God e Slipknot - Fernanda carrega referências do death metal clássico. Entre elas está o estilo de Chuck Schuldiner, líder da banda Death. "Você sabe quando é a Fernanda cantando, você sabe quando é a Angélica", resumiu.
A versão de Hatred Aside do Sepulquarta
Um dos momentos mais curiosos da colaboração aconteceu quando Mayara decidiu improvisar um arranjo vocal durante as gravações. Sem saber se a ideia seria bem recebida, ela resolveu gravar duas versões da música - uma delas com vocalizações adicionais no final - e enviou ambas para o guitarrista Andreas Kisser.
No e-mail, a cantora quase pediu desculpas pela ousadia. "Eu falei: 'Andreas, eu gravei duas versões aqui. Uma tem uma vocalização no final com o Derrick. Se vocês acharem legal usar… desculpa mexer na sua música'", contou. A resposta foi melhor do que ela imaginava. Os músicos do Sepultura aprovaram a ideia e decidiram manter o arranjo na versão final. Para Mayara, ver aquela sugestão espontânea sendo incorporada à gravação foi motivo de orgulho. "Eu fiquei muito lisonjeada de ter um arranjo vocal aprovado pelo Andreas, pelo Derrick e pelo Paulo", disse.
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