Regis Tadeu explica o que está acontecendo com a voz de Brian Johnson
Por Bruce William
Postado em 12 de março de 2026
Regis Tadeu voltou ao tema da voz de Brian Johnson e tentou separar duas coisas que muita gente mistura quando fala de cantor veterano: uma é a mudança natural que o tempo impõe; outra é quando a limitação vira o centro do show. Para ele, ninguém em sã consciência espera que um vocalista de 78 anos cante como em 1980, na época do "Back in Black". O problema, do jeito que ele coloca, é outro.
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O ponto central da crítica é a extensão vocal. Regis diz que entende o "arrefecimento" da voz e a queda de potência como algo biológico, inevitável. Só que, na avaliação dele, o que se ouve hoje seria um esforço grande demais para alcançar notas que "já não existem" mais dentro do alcance do cantor.
"Vamos começar pelo óbvio? Brian Johnson. Eu entendo perfeitamente e qualquer pessoa com pelo menos dois neurônios funcionando ali perfeitamente entende que o tempo é implacável para vocalistas", diz o jornalista em vídeo publicado online. "Ninguém espera que um homem de 78 anos cante como se ele estivesse gravando o 'Back in Black' em 1980, não é isso. Porque o arrefecimento da voz dele, a queda da voz dele é natural, é biológico. O que não é natural, e eu não aceito - pra mim, né? - é a quase total falta de extensão vocal do Brian Johnson. O que a gente ouve dele hoje é um esforço hercúleo pra entregar notas que simplesmente não existem mais dentro dele."
Esse tipo de leitura é importante porque mexe no que faz o AC/DC funcionar ao vivo. O repertório da banda depende de ataque vocal, de fraseado "rasgado" e de agressividade constante e, quando o cantor passa a "brigar" com a própria linha melódica, a sensação muda. Não é só "cantar mais baixo" ou "ajustar o tom": é o ouvinte perceber o esforço antes de perceber a música.
Regis também insiste que isso não é "falta de respeito" com envelhecimento, nem uma exigência de que artistas virem estátua do auge. A crítica dele é que, num show grande, você não tem como ignorar quando o limite virou a regra, e não a exceção. Aí a experiência deixa de ser catarse e vira outra coisa - mais próxima de constrangimento do que de celebração.
Esse trecho dialoga com a discussão publicada no Whiplash.net sobre o mesmo assunto, no contexto dos shows recentes da banda em São Paulo.
O que Regis diz é bem objetivo: tempo passa para todo mundo, e ninguém cobra "1980 eterno". Só que, na visão dele, o Brian Johnson chegou num ponto em que a extensão vocal se tornou o gargalo do show e isso, para ele, é o que pesa na decisão de não ir e de não romantizar o que está ouvindo hoje.
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