O disco do Deep Purple que a banda não queria lançar, mas virou o cartão de visitas definitivo
Por Bruce William
Postado em 12 de março de 2026
O Deep Purple passou um bom tempo resistindo a uma coisa que, ironicamente, hoje parece ter nascido junto com o rock: álbum ao vivo "oficial". A banda tinha reputação forte de palco, mas achava que registrar aquilo direito era outra história. O saudoso Jon Lord resumiu essa birra lembrando a época em que eles evitavam esse tipo de lançamento: "A gente odiava a ideia de álbuns ao vivo para uma banda que era tão boa ao vivo."
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Enquanto isso, bootlegs iam aparecendo, e aí entra a parte prática: quando o mercado paralelo começa a vender a "versão torta" do que você faz, a gravadora passa a enxergar dinheiro em cima do problema. Foi nesse clima que veio o empurrão para gravar os shows do Japão em agosto de 1972 - três noites, Osaka e Tóquio - com a banda impondo condições: escolher equipamento, usar engenheiro de confiança e ter palavra final sobre as fitas.
O engenheiro era Martin Birch, e o disco que saiu disso foi "Made in Japan". A banda gravou pensando em algo bem mais "controlado", quase como um documento para um público específico. Só que a história saiu do trilho: o álbum acabou lançado também nos Estados Unidos em 30 de março de 1973, apesar do grupo preferir que ele ficasse restrito ao Japão naquele primeiro momento.
A virada é que, quando eles ouviram o resultado com calma, perceberam que tinham capturado exatamente o tipo de coisa que diziam ser impossível capturar. Lord contou que a audição das fitas mudou a percepção deles sobre o material gravado. "A gente acabou ouvindo e percebeu que tinha algo bem maravilhoso."
Tem um detalhe de timing que ajuda a entender por que isso foi tão decisivo. A Far Out lembra que "Smoke on the Water" ainda não tinha virado o ímã que puxou o público americano de vez - o single só saiu em 1973. Ou seja: o Deep Purple estava tentando consolidar a imagem pesada nos EUA enquanto parte do público ainda associava a banda ao período mais "Hush" e companhia. Um álbum ao vivo, bem gravado e sem maquiagem, acabava servindo como argumento de palco e de som.
No papel, era um lançamento relutante. Na prática, virou o tipo de disco que muita gente aponta como "a medida" de como o Deep Purple soava quando a coisa pegava fogo de verdade. O que começou como concessão para resolver ruído de mercado acabou virando o registro que fixou a banda, fora do estúdio, no lugar em que ela já tinha fama de dominar.
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