A viagem do Ramones que mudou a história da música para sempre; "A gente não sabe tocar"
Por Bruce William
Postado em 12 de março de 2026
O primeiro disco do Ramones saiu em abril de 1976 e já vinha com a banda parecendo um projeto pronto: curto, rápido, repetível, com música em sequência e sem "parte chata". Poucas semanas depois, veio a primeira viagem para fora dos Estados Unidos: dois shows em Londres no fim de semana de 4 de julho, no Roundhouse e no Dingwalls. Era a primeira vez que eles tocavam fora de casa.
Danny Fields, empresário da banda, lembra que eles chegaram a Camden e já tinha gente esperando do lado de fora do hotel. Ele diz que a imprensa inglesa já vinha alimentando o mito do que estava acontecendo no CBGB, então a expectativa estava montada antes do Ramones plugar a guitarra.

Na leitura de Fields, o efeito principal daqueles shows não foi "ensinar a tocar", e sim o contrário: mostrar que você podia fazer uma banda acontecer mesmo sem virtuosismo, desde que tivesse energia e ideia clara. "O Ramones libertou tantos grandes músicos da tirania de ter que ser bons músicos. (…) Eu acho que essa foi a coisa mais importante que eles fizeram em Londres."
Dois detalhes de bastidor ajudam a dar cor ao que aconteceu no palco, relembra a Far Out. O Ramones era atração de apoio para o Flamin' Groovies, e Johnny Ramone diz que combinaram alternar quem fechava as noites. Só que os Groovies quiseram encerrar os dois shows e, segundo ele, a banda nem ligou, porque todo mundo estava ali para ver o Ramones.
O Fields descreve as apresentações como uma "aula de adrenalina", com o nível de energia subindo tão rápido que, quando a banda saía, não tinha "pra onde ir" depois. Ele diz que muita gente já estava drenada e saía antes mesmo do Groovies começar.
E aí entra o que interessa para a mitologia do punk inglês: membros do Clash e do Sex Pistols estavam na plateia. Fields lembra de um papo do Johnny com Paul Simonon, do Clash, quando o Simonon se impressionou com o tamanho do público. O Johnny teria respondido do jeito mais Ramones possível: "A gente não sabe tocar, a gente é péssimo músico. Mas a molecada não liga pra isso; eles querem um show. Então a gente dá um show, alto e rápido."
Joe Strummer também deixou uma imagem boa para explicar o impacto: "Era como calor branco, por causa do bombardeio constante de músicas. Uma acabava, a próxima começava. Não dava pra enfiar nem um papel de cigarro entre elas."
Esses dois dias não "criaram" o punk do nada, mas ajudaram a tirar a ideia do circuito de Nova York e colocar diante de uma cena inglesa que já estava procurando uma forma. Quando o Ramones mostrou que dava pra chegar, tocar rápido, soar grande e mover a sala inteira, um monte de banda saiu dali entendendo que o jogo não dependia de solo perfeito: dependia de atitude, ritmo e impacto.
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