As músicas em que Slash mandou indiretas para Axl Rose, na época seu parceiro no Guns N' Roses
Por Bruce William
Postado em 12 de março de 2026
No meio da bagunça interna do Guns N' Roses nos anos 90, Slash fez o que muita gente faz quando a banda trava: montou um plano B com cara de plano A. O resultado foi "It's Five O'Clock Somewhere" (1995), estreia do Slash's Snakepit, gravada enquanto o Guns patinava em brigas de direção musical e comunicação.
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O disco não nasceu como "projeto conceitual" nem como manifesto público. Ele saiu como um álbum de banda de verdade, com riff, groove e aquele rock mais direto que o Slash sempre puxou, e ainda teve gente do próprio universo do Guns participando nas sessões.
A treta é que, anos depois, o Slash deixou claro que ali tinha recado endereçado. E não era pouco. Ele escreveu na autobiografia que várias músicas dele no álbum eram direcionadas a alguém, e que na época quase ninguém pescou. "Todas as minhas músicas são direcionadas a uma pessoa, embora ninguém tenha percebido isso na época. Eu usei aquele disco como uma oportunidade de colocar pra fora um monte de merda que eu precisava tirar do peito."
A Far Out cita "Beggars & Hangers-On" e "What Do You Want To Be" como exemplos porque as duas carregam esse tom de recado interno: a primeira com a ideia de gente que se encosta e se alimenta da estrutura em volta, e a segunda com cobrança e ironia sobre "o que você quer ser", como quem está falando de ambição, controle e rumo. Não é que o Slash tenha deixado o nome do Axl carimbado na letra, mas ele mesmo disse depois que estava despejando ali coisa que precisava tirar do peito e, no contexto daquela fase, pouca gente duvida de quem ele tinha em mente.
E o disco não passou batido. Ele chegou a entrar na Billboard 200 e, segundo registros de catálogo, vendeu mais de um milhão de cópias ao longo do tempo, o suficiente pra virar aquele tipo de resposta silenciosa quando alguém diz que "não ia dar em nada".
A história toda, ao fim das contas, é menos "dossiê anti-Axl" e mais um retrato de banda rachando: quando a conversa interna vira telefone sem fio e as decisões começam a emperrar, o músico vai lá e faz um disco pra não enlouquecer. Só que, nesse caso, ele mesmo admitiu depois que a válvula de escape tinha nome e sobrenome na cabeça.
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