Aos 80, B.B. King era mais nerd do que Joe Bonamassa; "Toma, filho, é assim que faz"
Por Bruce William
Postado em 13 de março de 2026
Joe Bonamassa contou uma dessas cenas que parecem roteiro de comédia: ele, ainda na casa dos 20 e poucos, apanhando de tecnologia, enquanto B.B. King, já com 80 anos, resolvia o assunto em dois minutos. Não foi aula de guitarra nem lição de palco. Foi iPod mesmo - e o detalhe virou uma forma divertida de mostrar o tipo de cabeça que King tinha.
Segundo Bonamassa, o B.B. King ensinou como usar o iPod com a maior naturalidade do mundo: "Ele me mostrou como arrastar músicas de um computador para um iPod quando ele tinha 80 anos! Eu não sabia fazer isso e ele ficou tipo: 'Toma, filho, é assim que faz'. Que tristeza é essa? Eu tinha 28 ou algo assim e ele tinha 80."

A história aparece no meio de um papo maior repercutido na Music Radar sobre por que Bonamassa coloca King no topo do blues elétrico. Ele chama o B.B. de "arquétipo" e diz que poucas coisas, na música, são tão marcantes quanto o jeito dele se identificar com uma nota: aquele vibrato e aquele fraseado que entregam o nome do cara antes de qualquer "corrida" na escala.
Bonamassa também lembra que a relação dos dois vem de longe: eles se conheceram em 1990, quando a banda do Bonamassa abria um show do B.B. King num festival em Rochester, Nova York. Ele era um garoto prodígio de 13 anos, e o B.B. teria sido do tipo que encoraja sem tentar moldar ninguém, com conselho simples: seguir fazendo o que já fazia e não virar outra pessoa pra agradar.
A parte tecnológica é só um tempero, porque a lição maior que ele tira do B.B. King é profissionalismo de estrada. Bonamassa descreve o cara como um "road dog" no sentido mais literal: alguém que não cancelava show por quase nada, e conta um caso em que a pressão veio até do governo.
"Ele era um profissional consumado. Eu lembro de uma vez em Charleston, na Virgínia Ocidental, que teve uma nevasca grande, e o governador do estado ligou especificamente pedindo pro B.B. King adiar o show e ele não quis. Ele falou: 'Eu disse que ia estar aqui em março e eu estou aqui'. Eles: 'Mas, Sr. King, não é seguro'. E ele: 'Bom, eu cheguei!'"
Ao relembrar como B.B. King, mesmo já idoso, parecia curioso e prático e, ao mesmo tempo, era rígido com o compromisso de subir no palco, Bonamassa usa essas duas lembranças pra desenhar o mesmo retrato: um cara que sabia exatamente quem era, tocava com economia e identidade, e ainda tinha cabeça ativa pra aprender qualquer coisa nova que precisasse.
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