As bandas que mais venderam discos no stand dentro do Rock in Rio 1985, segundo varejista
Por Gustavo Maiato
Postado em 13 de março de 2026
Quando o primeiro Rock in Rio foi realizado, em 1985, o evento não apenas marcou a história dos grandes shows no Brasil, mas também movimentou o mercado fonográfico de uma forma inédita. Um dos personagens que testemunhou isso de perto foi o empresário Maurício Valente, ex-varejista que chegou a ter mais de 30 lojas de discos no Rio de Janeiro e conseguiu montar um ponto de venda dentro da Cidade do Rock.

Em entrevista ao canal Corredor 5, Valente relembrou que trabalhar no festival foi decisivo até para sua própria relação com a música. "Foi ali que eu acho que comecei a gostar de música", contou. Segundo ele, durante os dez dias de evento conseguiu assistir praticamente todos os shows. "Eu trabalhava lá dentro. Quando começava o show eu ia ver, e quando o artista entrava no bis eu voltava para a loja."
A presença de uma loja de discos dentro do festival surgiu por uma situação curiosa. As gravadoras tinham um espaço oficial na Cidade do Rock por meio da associação da indústria fonográfica, mas não estavam autorizadas a vender diretamente. "Eles tinham o espaço, mas não podiam comercializar. Aí ofereceram para a gente montar a loja", explicou.
As vendas de álbuns no Rock in Rio 1985
O início, no entanto, foi difícil. Nos primeiros dias praticamente ninguém comprava. "Nos dois primeiros dias a gente não vendia nada. Ninguém queria comprar disco para ficar andando com aquilo o festival inteiro." A solução veio com uma ideia simples: vender os discos durante o evento e entregar apenas na saída. "A gente colocou um cartaz: 'Compre seu disco e retire na saída'. Guardávamos o recibo e o disco em escaninhos. Aí começamos a vender para caramba."
Segundo Valente, o estoque vinha diretamente das gravadoras, que disponibilizaram discos à vontade dos artistas que se apresentavam no festival. "A gente só pagava pelo que vendia. O que sobrava devolvia. Então tinha disco de todos os artistas que estavam tocando."
Alguns nomes se destacaram claramente nas vendas. O varejista lembra que o rock brasileiro teve um impacto imediato após os shows. "O Os Paralamas do Sucesso explodiu lá dentro. O rock nacional, na minha visão, explodiu no Rock in Rio. Paralamas e Barão Vermelho já eram conhecidos, mas depois do festival estouraram de vez."
Entre os internacionais, outros artistas também tiveram forte procura. "O Yes vendeu muito também", recorda. Mas, segundo ele, houve um nome que superou todos os outros nas vendas dentro da Cidade do Rock. "Mas o que arrebentou mesmo foi o Queen", afirmou.
Valente ainda recorda que alguns artistas ganharam novo impulso comercial após o festival. Um exemplo citado por ele foi James Taylor, cujo catálogo passou a vender mais após a apresentação no evento.
Para quem viveu a experiência de dentro da Cidade do Rock, o impacto do festival foi claro não apenas no público, mas também no mercado musical. "Ali o rock brasileiro ganhou uma força enorme", resumiu o ex-varejista.
Confira a entrevista completa abaixo.
Rock In Rio 1985
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