Black Sabbath: depois de 20 anos, uma segunda primeira vez

Resenha - 13 - Black Sabbath

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Por Marcelo Rosalen Cucatti
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A primeira vez em que realmente escutei BLACK SABBATH foi há vinte anos. Havia acabado de voltar de um passeio no shopping com meus pais e tinha em mãos o álbum Paranoid, presente de meu pai. Um disco que eu conhecia pelas famosas canções Iron Man, Paranoid e War Pigs, mas que nunca tinha detalhadamente apreciado. Eu tinha 12 anos.
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Lembro-me do cheiro do disco até hoje, e, claro daquela capa estranha, a qual eu não entendia – e até hoje não entendo – com um mané empunhando uma espada e um escudo, protegido por um capacete high tech – que lembra o capacete dos pilotos dos X-Wing na saga Star Wars – e que se movimentava feito o The Flash.

O ouvir da obra proporcionou, imediatamente, a imersão num mundo criado por aquela apaixonante música soturna, cantada na voz da loucura, impulsionada pela melodia da noite e recheada de toques tribais.

Tudo parecia fazer sentido. A simplicidade da música, a potência dos riffs, o desespero da voz, a ousadia das críticas letras.

Apaixonante. Viciante. Sem dúvida, um marco para a história do rock no mundo, goste dele ou não. E não refiro-me aqui ao álbum Paranoid, mas sim à banda.

Vinte anos depois, cá estou eu, ouvindo novamente, pela primeira vez – ainda que desafiando a lógica, essa é a sensação – BLACK SABBATH.

A potência dos riffs está lá. A loucura da voz está lá, a ousadia das letras não é mais a mesma e o toque tribal praticamente desapareceu, mas, objetivamente, tais mudanças não chegam a distanciar a nova obra dos feitos setentistas.

Entretanto, algo parece fora do lugar. A sensação não é mais a mesma e, ainda que o clima esteja bem representado e que a fórmula seja a mesma – música sem refrão, riffs pesados e inspirados, transformando uma música em duas, por vezes em três – a mecânica do todo faz com que as partes transmitam aquele sentimento de "quase lá", como se faltasse alguma coisa.

Não digo que seja um disco ruim. Ao contrário. Mas a tentativa de resgatar as raízes se reflete em um soar condicionado, como se a melodia tivesse sido forçosamente direcionada, sem a naturalidade que existe no original.

As duas primeiras e a sétima canções são ótimas – ainda que a segunda seja uma repetição da primeira – têm tudo de um autêntico BLACK SABBATH e, ainda que aquém dos clássicos de outrora, captam muito bem tudo o que a banda sempre representou. Por um momento, quase que reproduzem, no velho, as sensações experimentadas pelo novo.

A quarta música é interessante, pois, ainda que seja descaradamente uma tentativa de reproduzir a clássica Planet Caravan, traz elementos modernos, como o timbre e a pegada do violão, enquanto que a sexta faixa chama atenção por combinar o que o vocalista desenvolveu com a própria banda durante a década de 70, e o que o mesmo desenvolveu em sua carreira solo.

No fim, os elementos que sempre caracterizaram o BLACK SABBATH estão lá, mas sentimento não é algo que se reproduza por razões matemáticas e, definitivamente, a empolgação do velho ouvinte não é a mesma.

É um bom disco, ainda que não seja comparável às seis primeiras obras dessa formidável banda de rock.

Em resumo, eu estou velho, e o BLACK SABBATH também.

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