Black Sabbath: o ciclo de Ozzy na banda foi fechado em 1979

Resenha - 13 - Black Sabbath

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Por Marcos Garcia
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Não há mais nada o que ser dito sobre o BLACK SABBATH, pois o nome do grupo é lendário e fala por si. E o pai do Heavy Metal está de volta com seu novo CD, '13', um disco que foi esperando ansiosamente por fãs e imprensa, na esperança que a reunião de Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Terry "Geezer" Butler, ou seja, 3 dos quatro integrantes originais da banda (o batera é Brad Wilk, conhecido por seu trabalho com RAGE AGAINST THE MACHINE e AUDIOSLAVE) pudesse ser relevante ao cenário do Metal atual, como se ressurgindo das cinzas como uma fênix. Mas acreditem, se forem ansiosos demais, a decepção será na mesma intensidade.

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Mesmo tendo a voz esganiçada e aguda de Ozzy (que lembra muito o que ele faz na carreira solo, e em quase nada a época em que era membro do quarteto antes de sua saída em 1979. Mas relevemos isso em favor de sua idade), a guitarra de Tony, o baixo de Gezzer e a bateria do esforçado Brad, '13' é um disco bem aquém do que o BLACK SABBATH pode fazer, e isso sem comparar o disco com qualquer outro trabalho da banda, nem mesmo com os que possuem o velho "Madman" nos vocais.

As músicas estão muito cadenciadas, o que em tese, não seria um problema, já que o SABBATH é célebre por ter clássicos assim, mas a energia bruta da banda está contida, e sua sonoridade, por sua vez, enlatada e bem descaracterizada. O som polido e pesado da velha Gibson SG de Tony está estranho, com timbres longe do que este mestre da seis cordas pode fazer. O baixo de Geezer vai pelo mesmo caminho, mesmo com sua técnica peculiar. A bateria e voz, em compensação, estão muito bem gravadas, em que pese que Ozzy nunca foi um vocalista grandioso, ou que a bateria faça algo de mirabolante. Realmente, Rick Rubin (que há tempos anda sendo contestado por seus trabalhos com outras bandas) não acertou a mão em produzir uma banda deste porte.

Ainda falando da produção sonora, '13' teve, como já mencionado, as mãos do criticado Rick Rubin, que até soube deixar tudo bem equalizado, inclusive a bateria está perfeita (os pratos estão com uma clareza e perfeição absurdas), os vocais de Ozzy estão bem claros e a dicção é perfeita. Já guitarra e baixo, como citados acima, apesar de sonoramente bem postados e audíveis, estão descaracterizados do que a banda sempre apresentou em termos de sonoridade. Sente-se que é o velho SABBATH tocando (as técnicas de Tony, Geezer e Ozzy são bem conhecidas), mas que algo está diferente demais. Está soando preso, esteticamente perfeito para uma geração de fãs acostumadas com "sonoridades modernas".

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Musicalmente, a sensação de decepção se torna ainda mais amarga, pois as músicas do CD, o mais importante de tudo, não convencem. '13' soa como aqueles famosos disco que saem "na marra", ou seja, onde o processo de composição está distante da espontaneidade necessária para se criar algo bom, logo, suas músicas são um excelente remédio para insônia.

'The End of the Beginning' começa promissora, azeda e cadenciada na linha da clássica 'Black Sabbath', mas quando ganha um pouco mais de velocidade, começa a remeter à carreira solo de Ozzy, especialmente a momentos do 'Blizzard of Ozz', mas sem empolgação alguma, e isso é ainda mais grave devido a sua longa duração (mais de 8 minutos); outra longa faixa é 'God is Dead?', disponibilizada há algum tempo na internet, e não é tão ruim assim, mas sinceramente, falta energia e tem um clima bem "down", lembrando novamente a carreira solo de Ozzy, agora a fase 'Ozzmosis'; já 'Loner' é uma canção mais simples, com belas combinações de guitarras limpas com riffs mais secos e puxados para o Rock'n'Roll modernoso; 'Zeitgeist' é uma baladinha bem feita, com boa percussão, baixo macio e guitarras limpas, mas os efeitos na voz de Ozzy puseram tudo a perder. Se a ideia era uma nova 'Changes', o tiro saiu pela culatra; batidas semi-tribais manjadas iniciam 'Age of Reason', onde o grupo mostra nuances de som mais modernas e atualizadas, sem empolgar o ouvinte em momento algum; um ótimo riff de guitarra dá início à 'Live Forever', que logo ganha um andamento um pouco mais empolgante, sendo uma das melhores faixas do disco, ajudada pela forma na qual é cantada; 'Damage Soul' rebusca um pouco do que o grupo fez nos anos 70, mais especificamente entre 'Volume IV' e 'Sabotage', mas soa como se fosse crescer em algum momento que nunca chega, e isso em sete minutos; o disco fecha com 'Dear Father', que é uma boa faixa, apesar da falta de energia. Óbvio que existe a versão Deluxe do CD, com 'Methademic', 'Peace of Mind' e 'Pariah' como faixas-bônus, mas pelo que vimos e ouvimos até aqui, elas não teriam como salvar o disco, por melhor que elas sejam.

Desde anunciado, '13' estava causando frisson na maioria dos fãs da banda, ansiosos por seu lançamento, mas a audição mostra que todas as esperanças dos fãs do BLACK SABBATH dos anos 70, que sonharam com o retorno de Ozzy por 34 anos (estamos desconsiderando os shows de 1999 e o hiato em que ficaram deste ano até 2006, já que não lançaram nada de novo em termos musicais neste período) naufragaram miseravelmente. A velha Bruxa de Birmingham pode fazer melhor que isso, todos sabem disso.

Talvez se a banda se mantiver unida e disposta a mais um disco, com um outro produtor mais apropriado, possam lançar um disco que realmente faça justiça a seu passado, pois '13' apenas dá a impressão que o ciclo de Ozzy no BLACK SABBATH realmente foi fechado em 1979.

13 - Black Sabbath
(2013 - Universal - Importado)

Tracklist:
01. End of the Beginning
02. God Is Dead?
03. Loner
04. Zeitgeist
05. Age of Reason
06. Live Forever
07. Damaged Soul
08. Dear Father

Formação:
Ozzy Osbourne – Vocal
Tony Iommi – Guitarras
Geezer Butler – Baixo
Brad Wilk – Bateria

https://www.blacksabbath.com
https://www.facebook.com/BlackSabbath


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Sobre Marcos Garcia

Marcos Garcia é Mestrando em Geofísica na área de Clima Espacial, Bacharel e Licenciado em Física, professor, escritor e apreciador de todas as subdivisões de Metal, tendo sempre carinho pelas bandas mais jovens e desconhecidas do público, e acredita no Underground como forma de cultura e educação alternativas. Ainda possui seu próprio blog, o Metal Samsara, e encara a vida pela máxima de Buda "esqueça o passado, não pense no futuro, concentre-se apenas no presente".

Mais matérias de Marcos Garcia no Whiplash.Net.

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